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Cholula – MÉXICO

Ir de Puebla a Cholula é como ir do centro do Rio a Niterói.

Cholula é uma pequena cidade no interior do estado de Puebla, no México. Fica muito perto da capital (Puebla) e você pode tomar um táxi até a cidadezinha. Não sai mais de R$ 15,00. O que Cholula tem de pequena tem de impressionante. A cidade abriga a maior pirâmide do mundo em termos de extensão.

Ficheiro:TepanapaMaq.JPG

Contruída por povos mexicas desconhecidos, a pirâmide ficou muito tempo abandonada, tendo toda a sua cobertura de pedras escondida por vegetação. Quando os espanhóis chegaram à região, achavam que estavam diante de um morro, no qual rapidamente construíram, em cima, a igreja da Virgem dos Remédios, que por lá ficou até as escavações iniciadas na primeira metade do século XX para desvendar o que havia por baixo.

O resultado é impressionante. O cenário local combina a pirâmide, a igreja e, ao fundo, o terrivelmente lindo vulcão Popo, ainda ativo – a foto dele abaixo não é minha.

Cholula, como Puebla, é dominada por igrejas barroquíssimas, comida mexicana callejera, bares e artesanato.

Nas ruas, são vendidas iguarias não tão simples de serem encontradas nas cidades grandes mexicanas, mas disponíveis em grandes quantidades em barraquinhas em Cholula: grilos, besouros e minhocas assados e temperados com limão e pimenta.

Como estava com fome e não queria estragar meu apetite, não tive coragem de provar. Caminhei mais um pouco e vi uma típica biboca mexicana com a placa que anunciava “coelhos assados no carvão”. Por lá, fiquei.

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Monterrey – MÉXICO

Monterrey vista do avião

Monterrey, capital do estado de Nuevo Leon, no norte do México, foi o local onde mais me senti próximo de Barack Obama e da rainha da Inglaterra. Visitando a residência oficial do cônsul americano na cidade e me hospedando na residência do cônsul canadense, a viagem ganhou toque diplomático e governamental.

Mas, enfim, nada disso teria a menor graça ou faria sentido se eu não tivesse sido recebido mais uma vez por essa mulher que acolhe os amigos como ninguém!

Passeio Santa Lucía, em Monterrey.

Pra onde a Carla e o François vão, eu gosto de ir atrás. Pode ser Brasília, pode ser o Rio, pode ser Monterrey: as cidades ganham outra cara. E o François, marido da Carla, tem algumas das mesmas manias que eu tenho: caminhar obcecadamente, correr e, sobretudo, comer bem.

Logo na primeira noite em Monterrey, após ser apanhado no aeroporto, deixamos as coisas em casa na exclusiva cidade de San Pedro Garza García.

Partimos para um dos restaurantes mais gostosos da temporada no México: Muelle 17.

De entrada, taco de lagosta com abacate e taco de camarões.
Restaurante Moles, em Monterrey

Restaurante Moles, em Monterrey

O prato principal era uma carne de corte raro no Brasil, a carne de arrechera. Típica em Nuevo León, é a parte da “saia” ou de baixo do boi, extremamente saborosa e muitíssimo macia. Era servida com purê de feijão e de abacate.

Restaurante Moles, em Monterrey

Outros pratos à mesa estavam com a cara ótima.
Restaurante Moles, em Monterrey

No dia seguinte, começava o reconhecimento da área metropolitana de Monterrey. Apesar de ser recortada de montanhas, Monterrey e San Pedro são, como os mexicanos, fascinadas por auto-estradas e carrões. É raro ver alguém a pé na rua. Dessa vez, nosso percurso era, na maior parte, de carro.

Monterrey

A região é totalmente entrecortada por belíssimas montanhas que atraem escaladores e aventureiros do mundo inteiro. Andar pela cidade sempre possibilitava contemplar alguma delas.

As Mitras (ou, como disse um taxista, “os seios”)
As mitras vistas da janela do consulado do Canadá em Monterrey.

Monterrey

A Mesa do Chipinque, pertinho de onde estávamos.
Monterrey

A Sierra Madre (a mais linda)
Monterrey

A Huasteca, grande vedete pra quem gosta de escalar
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E, pra terminar, a vista da San Pedro do topo do Chipinque.
Parque Chipinqui - Monterrey

Cidade do México – Dia 2 – MÉXICO

Qualquer olhar mais preguiçoso compara a Cidade do México com a cidade de São Paulo. Sim, há semelhanças: poluição, motoristas trogloditas, um tamanho de cidade incabível para a realidade urbana, fruto de desenvolvimento econômico e administrativo centralizado – a cara do terceiro mundo – e com violência urbana administrável.

Acontece que a Cidade do México, apesar de tudo isso, é muito melhor que São Paulo. Quer saber por quê?

– é mais bonita. O México, assim como a Argentina, foi um dos poucos países latino-americanos a gozar de alto desenvolvimento urbano no século XIX, fruto da vinda da corte espanhola para o que era chamado de A Nova Espanha. A arquitetura colonial e imperial da cidade é presente em diferentes e lindos bairros como Condesa, San Ángel e todo o o centro da cidade.

– O centro da Cidade do México é planejado, com gabarito baixo e ruas largas e retas. Todos os prédios têm arquitetura deslumbrante, são limpos e estão em ótimo estado de conservação. No miolo do centro, ainda há o Zócalo, sede do poder governamental, com a colossal catedral e o imperdível Palácio Presidencial. É no palácio que estão os murais gigantes de Diego Rivera, que contam a história do país, desde os tempos pré-colombianos até o século passado, passando pela resolução comunista que quase vingou no México, antes mesmo da Rússia. A própria revolução é fruto de um país que produzia pensamento já no final do século XIX devido ao seu alto grau de desenvolvimento urbano.

– Os bairros Condesa, Sán Angel e Roma são um pouco de Pça Benedito Calixto, Pinheiros, Jardins e Vila Madalena. Só que com muito mais charme, pois a arquitetura desses bairros ajuda a que tenham uma cara mais bonita.

– A Cidade do México é toda plana, o que a torna fácil de percorrer e entender. Há parques espalhados por toda a cidade. Um destaque é para o parque de Chapultepec, onde está o antigo palácio imperial, sede do poder dos Habsburgo na Nova Espanha. Do parque, se vê toda a avenida Reforma, que deve ser percorrida a pé para chegar ao Zócalo, passando pelo bairro de Roma por um lado ou Polando por outro.

– Polanco é uma espécie de Higienópolis. Mais bonita, mais limpo, com prédios de gabarito mais baixo e com uma rua, a Presidente Masarik, que concentra restaurantes de luxo, cafés e todas as grifeses que fazem os olhos dos brasileiros brilharem.

– Os museus da Cidade do México abrigam o patrimônio histórico mais importante das Américas. O Museu de Antropologia explica e mostra de maneira clara e interessante todas as civilizações mexicas, que habitaram as região, com salas divididas por Maias, Astecas, Toltecas etc. Ao atravessar cada sala, ainda saímos num pequeno jardim que simula as cidades e aldeias destes povos. Ainda falando dos museus, imperdível também é o Museu Templo Mayor, ao lado da Catedral do Zócalo. Fruto das escavações do metrô, você percorre as antigas pirâmides de sacrifício humano que foram soterradas pelos espanhóis na construção do Zócalo – a pedra do sacrifício está lá intactada. Valem também serem conhecidos os museus do design mexicano e o museu de arte popular mexicano – esse principalmente pela loja!

– Falando no metrô, é essa a forma mais rápida e mais segura de andar pela cidade. São 12 linhas que vão do aeroporto a todos os pontos de interesse. Entre no clima, não tenha medo e tome os cuidados necessários que você tomaria em qualquer cidade do mundo. No México, tema os taxistas. As tarifas são baratíssimas e tentadoras. Se não resistir, é só pegar o telefone de uma cooperativa e chamar seu veículo.

– Além de ser toda plana, diferente de São Paulo, a Cidade do México ainda está rodeada por vulcões com picos nevados, dando um ar especial à paisagem e ao horizonte. Falando em paisagem, repare também que os arranha-céus mexicanos foram elevados a partir da década de 90, quando dominaram as construções mais resistentes a terremotos. Por isso, você vai ver uma cidade de gabarito baixo e harmônico, com as exceções dos arranha-céus arrojados.

Comida Mexicana

Comer num mercado popular é uma experiência tão interessante quanto ir em um belo restaurante. No México, há váááários mercados populares onde são vendidas comidas típicas, pratos do dia, ‘artesanías’ e refrescos.
Bairro da Condesa, Cidade do México

Mercado da Condesa, ao lado do hostel.

Ao lado do meu hostel, no descolado bairro da Condesa, havia um desses mercadões. Mas estava mais para mercadinho e era mais limpinho, organizado e convidativo do que os outros que conheci. Era hora do almoço e os mexicanos que trabalhavam na região começavam a chegar. De perto, fazia o que adoro fazer: olhava-os discretamente enquanto escolhiam o local de seu almoço, pediam seus pratos, tiravam seus ‘sombreros’ e conversavam.

Um dos locais me pareciam mais apetitosos do que os outros: o Tortas Helen Criss.
Tortas = sanduíches.

Torta, em ‘mexicano’, é sanduíche, ou ‘sandwich’ em espanhol. Como bom país latino, o México tem o delicioso hábito de colocar abacate em seus sanduíches como se fosse maionese. Olhei o menu: tinha linguiça com queijo, tomate e abacate, carne de porco com carne de vaca e dois queijos, queijo com abacate e salada, tudo servido num gigantesco pão francês. Me chamou a atenção a opção “Torta Helen Criss”. A simpática atendente logo falou: “Para tu estómago?! No.”
Preparação do meu sanduíche.

Me contentei pela torta de carne de porco com queijo branco, abacate e tomate. Para acompanhar, minha dependência líquida desde que coloquei os pés em terras mexicanas: horchata de arroz, docinha e geladinha, num copão de 800ml.

ANTES
Torta = sanduíche. Ao lado, a água de horchata, que é igual a um pudim de arroz líquido.

DURANTE
Abacate, tomate, porco e queijo branco.

DEPOIS, com um curioso jeito de não precisar lavar o prato.
Jeito peculiar de não lavar o prato.

Findo o serviço, satisfação muito alta, barriga cheia e uma refeição que segurou as pontas do resto do dia até pegar o avião do DF a Monterrey. O preço convertido: R$ 7,00. Ridículo.

Cidade do México – Dia 1 – MÉXICO

A primeira sensação que tive ao chegar na Cidade do México foi de encantamento. Eu, que esperava uma São Paulo menos vertical, me surpreendi com uma cidade verde, organizada, cheia de parques, planejada e monumental.

sobrevoando a Cidade do México - Passeio de la Reforma e Chapultepec em destaque

Avenidas levam a grandes palácios e a museus espetaculares. Do aeroporto, um amigo me levou ao hostel onde deixamos minhas coisas para partir para explorar a cidade.

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De carro, rodávamos o Paseo de La Reforma, uma linda e gigantesca avenida que sai do Parque de Chapultepec rumo ao Centro. Arborizada, limpa e segura, ainda conta com bancos desenhados por artistas plásticos e com uma pista para bicicletas ao centro.

É no meio do Paseo de La Reforma que se encontra o dourado Anjo de La Independéncia, famoso nos cartões postais da Cidade do México.

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Em torno dele, me surpreendi com uma atividade que, até onde sei, acontecia e foi abolida da Av. Paulista: o fechamento das pistas aos domingos para que ciclistas, skatistas, corredores e patinadores as ocupassem e se divertissem.

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Paramos o carro próximo ao Museu de Antropologia. Pelas ruas, ia descobrindo a comida callejera do México. Dois itens, de cara, me fascinaram:

1. Água de Horchata: horchata é o nome para diversas bebidas provenientes de amêndoas, arroz e outros cereais. No México, a “água fresca” de leite de arroz é algo muito comum. Nas ruas, num copão enorme, é servida a água de horchata (sinônimo para água de arroz) bem gelada, docinha. É sensacional.

Água de horchata, bebiba favorita. Parece arroz doce líquido.

Do início da viagem em diante, passei a pedir isso em qualquer lugar que entrava. Descobri que, além da água de horchata, você pode pedir simplesmente como “horchata” – ou licuada de horchata – um leite de arroz mais espesso incrementado com canela, bem docinho e bem gelado, conforme o acompanhamento do sanduíche (ou torta, em ‘mexicano’) abaixo.

Torta = sanduíche. Ao lado, a água de horchata, que é igual a um pudim de arroz líquido.

2. Batata frita com limão. Desprezo batata. Mas a fome uma hora apertou e compramos batatas fritas com limão nas ruas. Um toque que faz muitíssima diferença. Experimente espremer limão na sua porção pedida em restaurante e vai ver como o tira-gosto pode se tornar muito mais interessante.

Comida de rua da Cidade do México. Destaque para as batatas fritas com limão.

Depois de toda a comida de rua, partimos para um dos restaurantes tipicamente mexicanos mais sofisticados da megalópole. Assunto para um outro post…

História

Dava pra fazer um blog à parte com todas as impressões que tive sobre a vida dos mexicanos, sua cultura e sua culinária.

De todos os países latino-americanos, o México tem um caráter à parte por manter identidade e relação ímpares com a cultura de seus antepassados pré-hispânicos. Até hoje, o mexicano tem sua culinária embasada no mole (guisados complexos), num molho feito à base de chocolate, no milho e no chili, hábitos herdados dos maias e dos astecas (ou mexicas, o povo que dominava a região antes da ascensão de alguns povos sobre outros).

Ao chegarem em Tlatelolco, na atual Cidade do México, os espanhóis ficaram espantados com um mercado com mais de 100 mil barracas vendendo comida, conforme retratado no mural abaixo de Diego Rivera exposto no Palácio Presidencial.

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Foi em Tenochtitlán, também soterrada pela atual Cidade do México, que o imperador Montezuma ofereceu um gigantesco banquete aos invasores espanhóis antes de ter seu povo dizimado e sua cidade destruída, dando lugar aos palácios e à catedral da região conhecida hoje como Zócalo.

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Escavações do metrô da Cidade do México permitiram que uma parte da antiga Tenochtitlán fosse recuperada. O Templo Mayor e ainda um complexo com palácio que acreditam ter servido de morada e abrigo para sacerdotes astecas podem ser vistos no museu homônimo: Templo Mayor. Há ruínas de uma grande cozinha onde eram preparados os pratos para as cerimônias de sacrifício – a pedra de sacrifício humano está lá intacta no topo de uma pirâmide.

Nos mercados mexicanos, até hoje corre solta a produção de tortillas (panqueca à base de milho) em barracas rudimentares. O mesmo acontece na porta de qualquer estação das 11 linhas do eficiente e sujo metrô da Cidade do México.

Não podia perder a oportunidade de experimentar a comida callejera do distrito federal mexicano. Sem tanta coragem assim para pedir algo na porta do metrô, sentei-me junto do povão no mercado de Coyoacán (bairro colonial onde viveu Frida Kahlo e Leon Trótski durante seu exílio) para provar tortilhas feitas na hora acompanhando o mole poblano, o famoso frango com molho de chocolate. Dizem que o molho nasceu quando uma freira não tinha o que preparar na visita de padres ao seu convento e, abrindo a dispensa, só encontrou chocolate.

As tortilhas estavam ótimas e o frango com o molho estava tipo… exótico.

Mercado de Coyoacan: experimentando o frango ao molho de chocolate.

Mercado de Coyoacan: experimentando o frango ao molho de chocolate.

Se você quiser também provar algo tão atípico, aqui no Brasil, o restaurante Obá serve de entrada o prato que eu tentava preparar manualmente no mercado: as tortilhas recheadas do mole de frango com chocolate. Experimente!