Arquivo da categoria: Itália

Veneza – Dia 2 – ITÁLIA

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Dessa vez fui a Veneza para visitar a Bienal de Arte. É a mais antiga do mundo e a maior do mundo também – a de São Paulo vem na sequência.

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Entrada do Arsenale

Dividida entre o Giardino (um jardim que abriga vários pavilhões) e o Arsenale (um antigo forte local com gigantescos pavilhões para exposições), a Bienal demanda muito tempo. Fui teimoso e quis ver tudo num dia só, mas confesso que ao final da exposição minha cabeça já não computava o que eu via.

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Havia pavilhões dos países no Giardino. O Brasil estava lá com o artista Antonio Manuel. Mas gostei mais das obras doa pavilhões da Polônia, que trouxe um vídeo de uma ópera encenada em uma vila no Haiti….

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Da Romênia, que trouxe a pintura do artista e sua visão sobre o evolucionismo de Darwin. Da França, em que a artista colocou uma árvore para andar…

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E do Uruguai, com um delicado trabalho em papel do artista Marcio Maggi.

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Achei o Giardino da Bienal com uma vibe meio Inhotim. 

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De lá, peguei o barco rumo ao Arsenale para continuar a visita. E terminei o dia comendo um macarrão a carbonara no primeiro restaurante que achei pela rua. A Itália tem dessas vantagens: como a comida é simples, é difícil você comer mal. Ainda assim, considero o país caro pelo que servem. Em Portugal, por exemplo, come-se infinitamente melhor e com mais qualidade por um preço mais justo.

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E a última dica: se você usa óculos como eu e procura sempre armações diferentes, há uma ótica em Veneza que tem produtos exclusivos e de qualidade: Ottica Mantovani. Não é baratinho, mas também não é caro. A fabricação é própria e só vendem no local. Passa lá.

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Veneza – Dia 1 – ITÁLIA

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Veneza é sim a cidade mais bonita do mundo. Não que seja minha cidade favorita, até porque a sensação de estar numa cidade de verdade em Veneza não é tão recorrente. A cidade parece um parque de diversões em que você chega de barco, trem ou ônibus de turismo, lota restaurantes e atrações (e se hospeda por lá caso queira), paga mais caro por tudo, só cruza com outros turistas de todos os lugares do mundo e depois vai embora. Ainda assim, Veneza é impressionante pela arquitetura e pela imponência das construções e meio a ilhas. A cidade foi um dos mais poderosos centros comerciais do mundo, transportando especiarias para a Europa – quem não e lembra do domínio de Gênova e Veneza no comércio de especiarias do Oriente à Europa antes Portugal resolver dobrar o Cabo das Tormentas e encontrar um novo caminho para as Índias com o navegar Vasco da Gama?

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Enfim, Veneza felizmente, diferente de Gênova e Milão, preserva seu patrimônio, intacto durante a Segunda Guerra Mundial. O transporte pela cidade é caro. Mas você vai precisar fazê-lo de vaporeto, que funciona como um ônibus local, já que não se entra de carro nas ilhas. E a pé é uma delícia se perder pelas ruas da cidade. Veneza é um labirinto, mas agora o Google Maps no smartphone ajuda a gente a achar o caminho do hotel de forma mais fácil.

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Entre as atrações, vale muito visitar o Duomo na praça São Marcos – acho que é um dos mais ricos arquitetonicamente falando. E ainda o Palácio Ducale, que conta a história da cidade, sua tradição comercial, a hisória das prisões locais e tem de quebra algumas das obras do ousado Hieronymous Bosch.

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Bolonha, Parma e Módena – Dia 2 – ITÁLIA

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Dá pra fazer de Bolonha a sua base caso você queira conhecer outras cidades italianas ali por perto. Comprei um ticket de ida e volta da Trenitália até Parma. O centro da cidade pode ser facilmente acessado a pé. E dois pontos são imperdíveis no local: o famoso Teatro Farnesi, que foi reconstruído após os danos na segunda guerra (aliás, Parma foi liberada dos fascistas pelas tropas brasileiras). A visita ao teatro é interessante porque é possível ir ao palco, ir aos bastidores e ter uma visão que o artista tinha da plateia na época do seu funcionamento.

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Em Parma, o mesmo prédio abriga o Teatro Farnesi, o museu arqueológico e a Galeria Nacional. Dá pra ir a pé da estação de trem.

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A visita do teatro ainda continua pela Galeria Nacional de Parma, que fica no mesmo prédio, e é linda. As obras dos mestres italianos e algumas coleções da época romana estão no local.

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Travesti

Seguindo em frente, a visita ao Duomo de Parma é obrigatória. Tive  a sorte de chegar para uma missa em que velhinhas me deram paz de cristo em italiano. Findo o culto, pude fotografar a cúpula impressionante do local.

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Parma é famosa pela sua comida. Então, antes de voltar para a estação e seguir pra Módena, para acertar logo onde comer, indico a Salumeria Garibaldi.

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Você pode comer lá ou levar para casa. Os atendentes são muito simpáticos, te ajudam a escolher, colocam a música bem alta e saem dançando. E, caso você opte por comer no local, preparam uma mesinha fofa. É divertido. Comi um franco recheado com queijo e envolto em presunto de parma. E ainda um bolo de carne com nabo. Os dois estavam realmente muito bons. Tomei ainda o refrigerante de chinotto, comum na Itália.

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Rumo a Módena, que é no meio do caminho de retorno a Bolonha. Para quem gosta de carro, há o museu da Ferrari. Preferi não entrar, pois já estava exausto e já conheci muito da história da escuderia no parque Ferrari, em Abu Dhabi, então, passei por lá, vi a casa onde Enzo Ferrari nasceu, tomei um café gelado no café do museu (tem preços ótimos) e segui para o Duomo da cidade, que já foi construído em um estilo mouro. Chega a ser um pouco exótico, mas esta arquitetura é comum em algumas cidades italianas e espanholas que preservaram o cristianismo ainda com a influência da arquitetura otomana. Como algumas coisas na Itália, parte do Duomo também parece que está afundando, ma estão sempre fazendo de tudo para manter o patrimônio de pé. Foi rápida minha passagem por Módena.

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Voltei logo para Bolonha porque a noite na cidade reservava algo especial:  um cinema  gratuito ao ar livre em praça pública, no coração do centro histórico. O filme era italiano, e eu não falo italiano, mas a experiência de estar assistindo ao ar livre naquele local, com a cidade apagada em volta foi demais ❤

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Bolonha, Parma e Módena – Dia 1 – ITÁLIA

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A lasanha a bolonhesa é famosa e amada no Brasil. Mas Bolonha é pouco conhecida dos brasileiros. A capital da Emília Romana é linda, rica e impressionante. Impressiona pelo seu passado que, assim como muitas outras cidades do norte da Itália, foi rico, cheio de glórias, gozou de alguma independência e da ascensão burguesa. Aliás, o dom para negócios e comércio da Itália sobrevive até hoje. Diferente de outros países europeus, aqui nada é de graça. Nem um mapinha, nem um carrinho em supermercado… E até para ver os tetos das igrejas é preciso muitas vezes depositar uma moedinha de 1 euro.

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Bolonha também cobra por suas atrações turísticas – não são muitas – mas algumas valem muito a pena. O duomo da praça central é lindo e a torre da cidade equivale a um prédio de 30 andares. Você paga para subir 400 degraus. Mas o desafio é interessante – cuidado porque vai ficando cada vez mais apertada e mais sufocante. Mas lá em cima o ar é puro e  a visão é muito privilegiada.

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Também imperdível é a visita à Biblioteca de uma das universidades mais antigas do mundo e sua sala de aula de anatomia. Ainda está lá a prancha para expor o cadáver e as esculturas que inspiravam os temas tratados no local.

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Como toda cidade italiana comercial, Bolonha é cara. Então, é preciso escolher bem onde comer. Indico um restaurante, um café, uma sorveteria e uma pizzaria.

Re Enzo – a lasanha bolonhesa é maravilhosa, com massa verde, bem estruturada. Não vem fervendo, então você pode sentir o sabor do molho e da carne. Mas o mais surpreendente neste restaurante é o espinafre feito com alho, óleo e pimenta. Parece um espaguete de espinafre. É delicioso e acho que vai dar para tentar repetir em casa.

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Lasanha bem estruturada, suculenta, servida na temperatura certa. Pareci a Paola Carosella descrevendo como deve ser uma lasanha.

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Em geral, na Itália, o café é sempre gostoso e bem feito. Aliás, para quem ama café como eu vale uma visitinha na loja da Bialetti no local. Mas, enfim, para consumir a bebida lá, recomendo o café Terzi. Escondidinho, prepara do jeito que você quiser e, para quem gosta de adoçar, eles têm muitas formas de fazê-lo. Com melaço, açúcar de cana, mel de agave etc. Eu pedi meu café frio com um pouquinho de açúcar. Veio assim. E o preço é ótimo: 1,50 euro.

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Café gelado!

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Gelato é alto comum também nas cidades italianas, mas confesso que, assim como no caso da pizza, a gente está mais bem servido em São Paulo. Mas o sorvete de leite com menta da Pretto vale a prova.

E pra terminar, a famosa pizza. Na Itália, é interessante que a pizza individual é sempre enorme. Então, dá até pra dividir. Essa é do La Brace, com mussarela de búfala, tomate e parmesão, feita no forno a lenha.

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Milão – Dia 2 – ITÁLIA

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Leonardo da Vinci, um milanês

O bairro de Brera, em Milão, dizem, é o bairro boêmio. Pra mim, é um bairro caro, mas é legal. Tem lojas sensacionais e tem a pinacoteca de Brera, que é programa obrigatório na cidade.

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Tem as obras dos mestres italianos e você ainda tem acesso à oficina de restauro, funcionando no mesmo prédio.

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Mas a tela que talvez seja a mais impressionante da cidade é a Santa Ceia, de Leonardo da Vinci, que está pintada na parede do refeitório da igreja de Santa Maria delle Grazie desde 1495, antes mesmo da chegada dos portugueses ao Brasil. Só são permitidas 200 pessoas ao dia, com horário controlado para ver o quadro por 15 minutos. Consegui comprar os tickets, ms você precisa acompanhar a abertura das novas levas diariamente para casar com a sua estadia na cidade. O site é este aqui: http://www.vivaticket.it/?op=cenacoloVinciano

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Um ponto interessante de Mião é que a estação de trem central de cidade conecta o melhor do norte da Itália e ainda te leva à Suíça. Então a metrópole é ótima para ser feita de hub. Acabei ficando num hotel em frente à estação, que também era perto do Corso Buenos Aires, cheio de lojas e bares que serviam o aperitivo: você compra qualquer bebida e pode servir-se à vontade nos bufês a partir das 17h. É comum no norte do país. E ainda estava perto do ótima e cara Osteria Cavalini.

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Comi por lá, mas confesso que meu gelatto de pistache sobre wafer no barzinho do lado me emocionou mais.

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Leonardo da Vinci

A Arte como primariamente a entendemos tem em princípio seu histórico como matéria digna de estudos, indagações, desdobramentos e debates habitualmente restrita aos mais abastados das civilizações do Ocidente.

Se pegarmos a Filosofia, por exemplo, era um assunto totalmente restrito as debates entre os homens na Grécia. A Matemática, que também pode ser considerada arte, tem seu berço nos ciclos de estudos e debates masculinos. A Música, que é a manifestação mais antiga e comum a todas as culturas humanas, também tem seus ciclos mais vivenciados e apreendidos em circuitos masculinos tal como a conhecemos ocidentalmente. Era o homem quem estava ligado ao dinheiro e ao poder na maioria das civilizações. E a ele era confiado o exercício intelectual de discutir as ciências, o conhecimento e a estética.

Mas, então, quando a arte como conhecemos hoje virou Arte?

Foi na Renascença. Antes, só eram consideradas arte a música e as ciências.

Para entrar no hall da Arte, um trabalho deveria, antes de tudo, ser algo que primeiro ocorresse na mente ao artista para depois se materializar. A Arte era intelecto acima de qualquer coisa. Por isso a escultura e a pintura, que tinham papéis ornamentais e de retratar pessoas, não eram consideradas Arte. Eram apenas formas de representação de algo real, e nada tinha a ver com reflexões que mentalmente ocorriam.

De acordo com os livros de História da Arte, Leonardo da Vinci, de Florença, foi um dos primeiros artistas a questionar esta visão de que a arte era algo para ser muito intelectualizado. Questionou seguindo os próprios preceitos de tratamento sobre o que é arte. Da Vinci passou a discursar sobre a pintura como um trabalho que ocorria mentalmente antes de ser materializado. O processo da pintura era, então, o mesmo processo da Filosofia e da Música conforme entendiam na sua época. Foi por isso um gênio sem precedentes na História.

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Quando vamos ao Louvre e vemos 500 japoneses fotografando loucamente a mais famosa pintura do mundo, a Monalisa, de Da Vinci, talvez não tenhamos uma ideia da referência que ela dá à discussão do conceito arte. A Monalisa trabalha aspectos da pintura que foram antes predefinidos na mente do seu criador para depois serem passados para tela. Historicamente, a pintura, que sempre teve como característica o registro fotográfico ou ornamental, ganhou na visão de Da Vinci uma outra concepção: a Monalisa passava a ser uma nova realidade como significante (o objeto em si, que trazia novas experimentações) e como significado (ideia ou a mensagem por trás da imagem retratada).

Milão – Dias 1 – ITÁLIA

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Minha passagem por Milão foi rápida, intensa e divertida. Tive a melhor das impressões da cidade. Uma amiga falava: é pequena, bonita e organizada. E é mesmo.

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É óbvio que vale a pena ir no Duomo, na galeria Vittorio Emmanuele, mas é legal ali perto entrar na Rinacente, uma mega-loja de departamentos rica, com dois extremos sensacionais: o subsolo, farto de produtos de design italino, inclusive os descobertos e assinalados como da Trienal de Design de Milão; e o terraço, com restaurante e vista do Duomo. O miolo da loja é lotado de gente comprando loucamente marcas italianas e outros produtos sofisticados.

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Ainda ali perto da praça do Duomo, tem um buraquinho que é mais a minha cara e serve um panzetotti muito bom, que é uma massinha frita recheada de queijo e molho de tomate. O local se chama Luini, é barato e muito disputado, mas totalmente possível de ser acessado.

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Impressiona em Milão a cultura de moda, das vitrine às pessoas, com seu jeito clássico e elegante de se vestir. Um passeio interessante é o da Rua Montenapoleone, que concentra as grifes italianas e não permite a passagem de carros. Ali perto está o Hotel Armani, que é uma mistura de loja e hotelaria. Pode entrar que os vendedores são simpáticos.    11802370843_3e3b36b15f_z

Turim – Dia 2 – ITÁLIA

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Turim também é a terra de peregrinos. É lá que está o Santo Sudário, o tecido em linho que mostra um homem com feridas de uma crucificação  e supõem-se ter sido o pano que envolveu Jesus Cristo ao ser retirado da cruz. O sudário fica guardado na catedral da cidade. É possível aproximar-se de sua cripta, mas o pano só é aberto ao público excepcionalmente.

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A vantagem dos passeios em Turim é que podem ser feitos em dias de sol ou de luz, pois a cidade é quase toda construída com arcadas que protegem os pedestres.

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Por ter sido capital e seguir sendo uma cidade muito rica, pois é a sede da Fiat, Turim tem um ótimo museu que conta a história da Itália e toda a sua unificação. Para quem não sabe, a Itália é um país relativamente novo, cuja unificação é atribuída a Vittorio Emmanuelle em 1861, que residiu na cidade até 1864 e fez dela a capital do país.

Os palácios reais estão no centro da cidade e vale visitar o Palácio de Saboia e o Palazzo de Madamma (abaixo). Seus interiores são bonitos, mas não muito diferente do que se pode esperar de uma residência real europeia: muita pompa, muito detalhe, muitos quadros… 11802157165_16220a4552_z

Turim – Dia 1 – ITÁLIA

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Turim é uma cidade italiana cheia de segredos ótimos. É bom pra comer, pra passear, tem atrações incríveis e tem o Museu do Cinema, que já vale por si só a visita.

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O prédio é a torre mais alta de Turim. Há duas filas do lado de fora. Uma para quem quer visitar só o museu e outra para quem quer visitar o museu e o elevador. A experiência do elevador é interessante, pois você atravessa o vão central do museu e vai até o observatório no topo.

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11802021554_cc2aa4a901_z 11802019294_9f6dca048f_z Após a subida, entre no museu, que é super-tecnológico. E, apesar de ter uma história forte do cinema italiano, que já teve dias maiores de glória, o museu se conecta com a produção mundial, reconta clássicos de hollywood e tem muita tecnologia para mostrar tudo. E você ainda pode deixar numa das espreguiçadeiras no átrio central, ficar viajando nas imagens projetas e nas pessoas que sobem de elevador!

Turim também é a terra de algumas coisas ótimas para comer. É a matriz do Eataly, tão celebrado por brasileiros, americanos e japoneses. O de Turim é interessante, pois foi crescendo para o subsolo. Ainda assim, talvez seja uma das menores lojas da rede. Mas a comida é deliciosa.

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Tem também a surpreendente Pepino, criadora do picolé pinguino (aquele de baunilha com casquinha de chocolate), mas que também tem massas e cafés excelentes.

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Mas o que mais me marcou em Turim foi a pizzaria Luna Rossa, onde tive que comer nas duas noites em que estive lá um calzone-pizza. Isso porque de um lado ele é pizza e de outro é calzone. Como quase tudo na Itália, é feito com ingredientes frescos e de qualidade. O tomate tem um gosto especial. Recomendo!   11801599195_7b633db433_z

Veneza – ITÁLIA

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O reaparecimento das cidades como hoje conhecemos aconteceu há pouco mais de 500 anos, com o fim da Idade Média. Sim, porque, no Ocidente, durante os reinados, as cidades foram reduzidas a atividades de mercadologia nos pátios, praças e pequenos espaços públicos dos reinos.

As mercadorias eram controladas pelo Rei, que em cima de tudo cobrava impostos e determinava que itens poderiam ser ou não apreciados pelos camponeses. A estes, restava uma refeição muito simples, à base de pão, legumes, e eventualmente alguma carne preparada de forma rústica.

As cidades foram novamente ganhando forma e esplendor com a ascenção da classe burguesa. Gênova, Veneza, Pisa, Florença e Constantinopla destacavam-se no cenário europeu por terem suas atividades do dia a dia totalmente relacionadas ao comércio de mercadorias.

Suas elites eram ricas. Comerciantes, como os Médici em Florença ganharam tanto dinheiro e dominaram tanto o espaço público que, numa analogia ao que acontece nos grandes centros urbanos e comerciais de hoje, passaram a ter mais importância que clérigos, nobres e políticos, não raramente ocupando ou evoluindo para fazer partes destas classes.

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Foi o fim da Idade Média, com o eventual crescimento das cidades, que permitiram nos fazer conhecer arte e comida como hoje conhecemos. As mercadorias circularam, as navegações avançaram em busca de novos produtos, rotas e mercados, e a arte ganhava novos rumos devido à exigência da burguesia em adquirir, entender e patrocinar artistas que, antes, eram considerados simples artesãos.

Veneza foi a cidade-estado que fez com que o restante da Europa pudesse apreciar mercadorias trazidas da Ásia, as chamadas especiais. Ao seu porto, chegavam navios com caixas e caixas que eram revendidas aos outros países e cidades a preços estratosféricos.

Mas a comida e a arte estavam tão atrelada à vontade da burguesia em gozar a vida que os caminhos percorridos pela gastronomia e, principalmente, pela pintura foram rápidos. Em 4 séculos aproximadamente, alcançaram patamares mundiais do que hoje consideramos alta cultura e requinte nas duas categorias avaliadas: comida e arte.

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Florença – ITÁLIA

Pouca gente sabe, mas a base dos hábitos refinados à mesa e os hábitos alimentares mais contemporâneos dos franceses se devem à uma das famílias burguesas italianas mais ricas da história: os Médici.

Comerciantes de Florença, os Médici tiveram sua ascenção década a década, tornando-se extremamente ricos, construindo palacetes em Florença, ocupando cargos políticos e chegando à nobreza com base no comércio das cidades-estado italianas, onde o foco era a liberdade de produção e comercialização.

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Residência dos Médici em Florença.

Catarina de Médici passou a fazer parte da corte francesa quando casou-se em 1533 com o rei Francisco I da França. A jovem florentina chegou muito jovem à corte, mas ao envelhecer foi mãe de uma prole de 10 filhos e regente da França por um curto período.

Catarina veio de berço livre e rico. Tinha hábitos refinados à mesa, já morava em palácios e acompanhava de perto a ascensão da nova arte burguesa em formato de pintura e escultura nas mãos de renascentistas como o, na época, recém-falecido Leonardo da Vinci.

O acesso às especiais e produtos alimentícios que enchiam os olhos do mundo eram fáceis à mesa dos Médici. O açúcar foi introduzido ao palácio real francês por Catarina. Antes, os franceses usavam mel. Foi depois do açúcar, trazido da Ásia, mas já amplamente usado na Toscana, que os franceses começaram a desenvolver suas receitas de famosos macarrons e frutas cristalizadas. Os sorvetes, feitos na neve, também passaram a fazer parte da gastronomia francesa.

Veio da Itália para a França o hábito de cultivar hortas e comer hortaliças como brócolis, couve-flor e berinjela. Até hoje, alguns jardins de palácios da França mantém o hábito renascentista de plantar verduras e legumes em meio às flores e outras plantas.