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Caracas – Dia 1 – VENEZUELA

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Conhecia toda a América do Sul, com exceção das guianas e da Venezuela. Conhecer o país até então governado por Chavez era uma curiosidade grande. Como era a vida num país em que o governo foi competente em ressaltar a divisão? Divisão do país, da capital e da população. Nada de ilhas paradisíacas. Minha curiosidade sobre a Venezuela era em relação a Caracas, a capital que simboliza um pouco da tragédia, aos meus olhos, que vive o país.

Lemos todos os blogs sobre a capital, todas as dicas de segurança e assistimos ao filme Secuestro Express (2005) para entrar no clima. A principal tensão era sobre o aeroporto, que não fica em Caracas, mas sim em Maiquetia, uma cidade próxima, à beira-mar. Já sabíamos que seríamos abordados em pleno saguão, antes mesmo da imigração, por “taxistas credenciados”, que oferecem táxis e exibem um crachá oficial. Esses táxis são uma milícia em conchavo com a administração do aeroporto que assaltam turistas durante o trajeto entre Maiquetia e Caracas. Lemos todos os avisos de segurança, inclusive do próprio hostel, para nos dirigirmos ao lado de fora do aeroporto e tomarmos os táxis pretos, modelo Ford Explorer. A corrida deve ser combinada diretamente com os motoristas, que são impedidos de entrar no saguão.

Ah, e no aeroporto, troque apenas o essencial para o táxi, já que o câmbio legal não é vantajoso e há câmbio ilegal que paga o dobro e até mesmo o triplo por toda a cidade. Seu hoteleiro certamente vai te ajudar e você pode confiar.

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Isso feito, fomos diretamente ao Dal Bo Hostel, hostel muito bem avaliado no Hostel World. A intenção de ficar num hostel em Caracas foi exatamente ter toad a assessoria que a impessoalidade de um hotel não costuma dar. O Dal Bo é perto do metrô e seu dono, Gustavo, o convida a entrar em seu universo de parrilhas à noite e toques de acordar com o pior da música eletrônica às 9h da manhã, câmbio próprio, um cachorro da raça akita nas áreas comuns e telefones celulares distribuídos entre os hóspedes para ligar diretamente para ele em caso de qualquer ocorrência.

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O hostel fica no centro, tido por caraqueños como zona insegura, talvez pelo fato de ser um local extremamente chavista (assim como o dono do hostel). Não há nada com que se preocupar: a cidade como um todo é extremamente insegura e perigosa e ficar no centro não piora a experiência. Nossa sensação foi exatamente contrária: passamos mais despercebidos.

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No dia seguinte, partimos para explorar a cidade e fomos direto ao teleférico estadual. O trajeto é longo e alto, levando ao cume da serra que divide Caracas de Maiquetia.

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De um lado, é possível ver toda a cidade, verde, que de cima parece tranquila e sólida. Do outro lado, vemos o oceano e o aeroporto. Findo o passeio, primeira bobagem da viagem: tomamos um ônibus ao pé do teleférico que nos levaria à estação de metrô mais próxima (o metrô é eficiente e percorre quase a cidade inteira). Só que o ônibus, caindo aos pedaços como quase todos em Caracas, entra por uma favela (elas estão por toda a cidade) antes de chegar à estação. Pagamos a passagem e já nos perguntaram: “vocês são espanhóis? Não parecem venezuelanos”. Avisamos logo que somos brasileiros a fim angariar a simpatia do motorista e da população.

Rumamos para o bairro elegante da capital, Altamira, que é bonito. De lá, metrô de novo para o museu de arte contemporânea, que é escondido, mas vale a pena ser visitado, e para o museu de Belas Artes.

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Fim do dia de volta ao hostel antes do anoitecer.

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Quito – Dia 2 – EQUADOR

O teleférico de Quito é assustadoramente o mais alto da América do Sul. Ele parte de 3 mil metros em direção a 4 mil metros de altitude, te levando perto do cume do vulcão Pichincha.

Pela altura, o trajeto no carrinho é looongo. Você vai atravessar algumsa nuvens e, se estiver sozinho, pensar: “se isso parar para sempre, acho que nunca mais vão me tirar daqui”.

Lá em cima, pouca coisa acontece. Você pode alugar uns cavalos pra dar uma volta. Ou simplesmente observar toda a cidade. Há ainda a foto diversão para toda a família…

Entre os produtos de maior qualidade do Equador estão o chapéu Panamá – que, apesar do nome, é feito no Equador e ficou famoso por ser usado por americanos na época da construção do Canal do Panamá – e o chocolate. De volta aos 3 mil metros de altitude, você pode ir à Plaza Foch, que é legal e charmosa, tomar café em meio a outros gringos e equatorianos na República del Cacao.

E pra terminar a tarde, o Museo de Artesanías de Ecuador poderia estar mais bem cuidado, mas ainda assim é interessante. É moderno e tem algumas interatividades para descobrir a história do artesanato no país.

Cidade do Cabo – Dia 2 – África do Sul

Antes de ir para a Cidade do Cabo, um amigo dizia:

– Vai subir a Table Mountain? A pé ou de cablecar, compre água e comida lá embaixo, que é mais barato.

Sugestão devidamente ignorada, subi a Table Mountain por volta das 16h30 para ter uma das visões mais bonitas da minha vida. Era verão na Cape Town, e como a cidade está no ponto mais sudoeste do continente africano, há mudanças climáticas mais severas que São Paulo. Num mesmo dia, chove, faz frio, nubla, faz calor, o céu fica azul, o céu fica cinza…

A montanha é tão alta, mas tão alta, que as nuvens que cobrem a cidade, em geral, chegam a engolindo e se posicionam por baixo dela. O resultado acaba sendo o seguinte:

Na face sul da montanha, conhecida como Os 12 Apóstolos pelos 12 cânions que apresenta (só depois quem nomeou viu que eram, na verdade, 17), há um café que, além de um bufê com comida sul-africana maravilhoso, serve tortas, doces e venda quitutes fabricados diretamente na África do Sul.

Do bufê, você combina as saladas com carnes de boi e frango temperadas com sabores de inspiração claramente indiana, coisa típica na África do Sul pela posição do país entre os oceanos Atlântico e Índico. De sobremesa, acompanham o chá, hábito incorporado desde os tempos de colonização britânica, tortas, cookies e, especialmente, muffins – esses, comuns em qualquer birosca sul-africana e clássicos no café-da-manhã. Exija no café do seu hotel. Os muffins são tão comuns que qualquer loja de utensílio de cozinha vende forma para fabricá-los. São as mesmas formas que, nos Estados Unidos, são vendidas para a fabricação de cupcakes.

Ainda no café do alto da montanha, de onde você se serve para comer ao ar livre, há displays com pacotes de petiscos, iguarias e snacks preparados pela Treat Company.

Não são baratos porque não usam conservantes e todos os ingredientes são assados e partem de grãos. Destaque para os inesquecíveis amendoins envolvidos com wasabi e os grãos torrados de café cobertos de chocolate branco. O preço dos produtos talvez seja mais caro por estamos no topo da Table Mountain. Só depois descobri que a Treat tem uma loja no bairro de Mowbray (79 Durban Road, Cape Town), onde os produtos podem ser degustados no local acompanhados de um café.

Mowbray fica nos arredores da Cidade do Cabo. E os arredores podem ser esticados se você contratar um motorista para te levar a três pontos interessantes.

O primeiro deles é o famoso Cabo da Boa Esperança. O parque é lindo e gigante. Cuidado só com os babuínos, que gostam de bolsas, podem entrar nos carros e roubar objetos. A cara de mau deles não engana.

No cabo, você pode almoçar num bom restaurante antes de fazer a trilha que te levar da parte de cima à parte debaixo do local em que Vasco da Gama dobrou para ir às Índias.

Bichos: onipresentes e sem cerimônias na África do Sul.

Bem próximo à estrada que leva ao Cabo está uma praia habitada por pinguins. Parecem estáticos tomando sol. Você pode aproximar-se mesmo deles, sentar bem ao lado que eles continuarão inabaláveis.

Os arredores da Cidade do Cabo ainda revelam mais surpresas. Um santuário de leões e leões brancos (há cerca de 300 no mundo) e um santuário de guepardos.

O leão branco é raro. É uma mutação do leão que habita o Parque Kruger, no outro extremo da África do Sul.

Você pode chegar perto, mas não muito. Tocar mesmo só nos filhos de leão comuns, ainda assim sob supervisão do zelador, pois há risco de ficar sem os dedos.

Bem próximo aos santuários, a cidade universitária de Stellenbosch merece uma visita. A arquitetura holandesa está presente em tudo e a cidade é segura, tranquila e cheia de lugares para almoçar ou tomar café.

De volta à Cidade do Cabo, se você quiser uma experiência gastronômica imperdível, vale ir ao restaurante Addis.

Você entra no restaurante e, em princípio, não se sente muito à vontade pelo formato das mesas, que não são mais que um grande cesto com bancos de madeira em volta.

O cardápio é simples de escolher, e tem opções de carne, frango, peixe e vegetais, todas temperadas de forma forte, principalmente se citarem como tempero o berbere (uma combinação de pimenta e outras ervas).

As porções são servidas dentro do cesto e chegam à mesa em cumbuquinhas dispostas em cima de um grande pão feito de farinha fermentada com água.

Não demora muito para que a garçonete despeje todo o conteúdo da cumbucas por cima do grande pão. Aí, é só pegar pedaços do pão para catar a comida e levá-la à boca. Não há talheres.

O Addis fica na famosa Long Street, rua do centro da cidade famosa por abrigar hotéis-butique, albergues, restaurantes e muita, mas muita festa.

Ao viajar para África do Sul, percebe-se o quanto o país recebe influência de outros estados africanos. Isso faz parte da filosofia afirmativa do governo do Congresso Nacional Africano, partido de Mandela e do atual presidente, Jacob Zuma. A influência acontece porque uma das ações afirmativas do CNA foi abrir o país a todos os africanos. Para entrar na África do Sul, você só precisa de sua identidade de qualquer país e africano. Como o país é a economia mais bem desenvolvida da região, apesar de 50% da população estar desempregada e quase metade também ser portadora do HIV, acaba atraindo povos de outras nações do continente.

As condições de vida na África do Sul, de fato, são melhores do que na Nigéria e no Zimbábue, países de onde veem seus principais imigrantes. Os nigerianos tocam o crime de seus quartéis na cidade de Soweto e dominam o tráfico de drogas na Long Street.

Basta caminhar pela rua que te oferecem droga a todo momento. A Long Street é interessante de dia. Há lojas de produtos africanos, coisas típicas de centro da cidade, bancos, restaurantes e hotéis boutique. À noite, lota de turistas, traficantes e prostitutas tão magras que descaram não estar se cuidando durante a evolução do HIV em seus corpos.

Hong Kong – Dia 1 – CHINA

Hong Kong é mais que China. Cidade de características próprias, assumiu uma identidade singular depois de 100 anos como colônia inglesa no Oriente. A devolução à República da China foi em 1997 e deixou ressalvas: a cidade e sua região administrativa gozam de autonomias e privilégios. Em termos práticos, Hong Kong tem algumas leis próprias, Facebook liberado, não demanda visto para brasileiros e há mais liberdade de expessão.

É fato que hoje Hong Kong vem perdendo para Shanghai o posto de cidade mais pulsante do pais. Fica também abaixo de Shanghai em termos de beleza e arquitetura. Mas ainda ganha em civilidade.

Hong Kong parece inteira um cenário do filme Blade Runner. Suas ruas e avenidas são cercadas por paredões de predios inteiros de mais de 40 andares, residenciais ou comerciais.  Dai pra cima. A poluição visual é imensa: letreiros de todas as marcas e todas as grifes do mundo repetem-se quase sequencialmente nas ruas da cidade, principalmente em Kowloon, distrito que concentra a maioria das lojas e a maior parte dos turistas.

Kowloon é uma loucura em termos de compras. Shoppings, outlets, boutiques de rua, galerias de metrô com mais lojas: tudo está ligado, deixando você quase zonzo e meio a tantas opções. Há prédios inteiros com 12 andares de lojas e mais lojas. Dominar a região e pesquisar todos os preços vai te custar dias.

Fuja de tudo isso e vá direto para a estação Cable Car do metrô. Ela te leva ao teleférico que, após te deixar viajando pendurado por meia hora, alcança um impressionante buda situado em meio às montanhas. O passeio é lindo e impactante. Por momentos, você está mais alto que os níveis de pouso e decolagem do aeroporto internacional. Ao chegar no buda, vá ate o topo da estátua se tiver ânimo para subir a gigantesca escadaria. Vale a pena chegar bem perto.

Tem gente que faz todo o percurso até o buda a pé. O trajeto leva mais de 6 horas. Melhor ficar com o teleférico que resolve tudo em meia hora por trecho. Por acaso é da mesma empresa que instalou o teleférico do Balneário Camboriú que ligar as praias Central a Laranjeiras.

A volta do passeio vai te deixar em frente ao Citygate Outlet. Os preços compensam dar uma entrada. O espaço nem é tão gigante assim que vá te fazer perder muito tempo. Dá pra administrar.

De volta a Kowloon, salte novamente na estação de metro Tsim Sha Tsui e dirija-se para a frente do planetário de Hong Kong. Ali, às 20h, acontece o Citylights, show de luzes, música e raio laser direto da ilha de Hong Kong para encantar turistas em Kowloon. Se você já viu as luzes de Shanghai antes, não vai achar assim tão impactantes. Mas é divertido.

Santiago -Dia 1 – CHILE

Você já se imaginou numa piscina pública numa cidade latino-americana? Certamente não, mas achegou a hora de viver isso no Chile. O tour pelo Cerro San Cristóbal pode começar pelo bairro da Bellavista, reduto boêmio em Santiago e local de uma das casas do poeta Pablo Neruda. La Chascona, como é chamada, aceita visitas guiadas. A casa abriga hoje da fundação Neruda.

Ali pertinho, você pode pegar o funicular para subir os 880m do cerro e chegar perto da estátua da Virgen Maria.

De lá, é possível ver a linda e organizada Santiago, com destaque para o prédio da Telefónica no Chile, que foi construído no formato de um dos primeiros celulares a serem vendidos na América Latina:

Seguindo as indicações, tome o teleférico – uma bola de plástico translúcida que te faz cruzar o cerro – e siga para as piscinas públicas do cerro.

São duas: a Tupahue e a Antilén. Você paga algo em torno de R$ 25,00, deixa tudo guardadinho no guarda-volumes – organizado, seguro e limpo – e vai curtir o sol. Não pode levar rádio, bebida, nada que incomode os outros. E atenção: você rapidamente vai notar os poucos brasileiros do local: são os que usam sunga. No Chile, todos os homens vão de bermuda pra praia e pra piscina. Cuidado para não se destacar!