Arquivo da tag: Metrópole

Berlim – Dia 2 – ALEMANHA

20760273612_4b62a7c34e_z

Agora sigo rumo ao lado oriental da cidade. O destaque vai para a Alexanderplatz, um dos pontos de maior concentração de atividades da capital. Fica sim cheia de turistas no verão, mas o local é animado, com feiras de comida e acesso fácil a muitos museus.

A torre de TV é uma das maiores do mundo. Subir nela vai dar acesso a uma boa vista da cidade. Recomendo.

Lá embaixo, é necessário provar um currywurst ,modo berlinense de preparar o salsichão. Leva molho de tomate ou catchup e é servido no pão ou no prato polvilhado com curry, Hummmmmm, é mara.

20576539128_c15914a796_z 20148776253_ff1fdb85a7_z

Caminhando da Alexaderplatz em direção ao portão de Bradenburgo, dá pra se ter ideia de como Berlim ainda preserva a aura monumental. A cidade era para ter sido a capital do mundo caso os nazistas ganhassem a guerra. Os projetos de Hitler podem ser visualizados no documentário Arquitetura da Destruição.

20581861419_3aea6cc61c_z

Passando pela , temos acesso aos museus alemães, todos grandiosos. Os museus de arte preservam coleções gregas e egípcias e os prédios, por si só, já são uma atração. Se quiser ir direto ver o famoso busto da rainha egípcia Nefertiti, vá direto ao prédio do Neues Museum, que faz parte do complexo dos museus de arte.

20768625765_05f30dd23e_z 20742381376_7513156164_z

Se possível, tente chegar ao portal de Bradenburgo mais perto do fim do dia. De lá, o acesso ao memorial em homenagem aos judeus mortos pelo regime nazista é simples. E o por do sol dali é indescritível.

20775520921_f6a6cb7443_z

Anúncios

Berlim – Dia 1 – ALEMANHA

20768455445_36cdaae33f_z

Meu amor por Berlim aconteceu à segunda vista, dessa vez num verão. A primeira vez em que eu estive na cidade foi num inverno. Os passeios ficaram restritos e a forma de enxergar o potencial da cidade também foi reduzida pelo clima frio.

20583004949_5a27acf8ef_z

No verão ou no inverno, Berlim, apesar da aura hypster e hippie, continua obscura e difícil de ser percorrida facilmente. Ela é extensa e as áreas de interesse são muitas. O metrô, dividido em U para trens municipais e S para os trens operados pela companhia nacional, não me pareceu novamente tão simples de ser dominado. Mas como a cidade é segura e interessante, não houve nada que não pudesse ser facilmente administrado.

20581796688_237df4000c_z

Antes dividida, fiquei pensando em que lado seria mais interessante de conhecer. O lado oeste da cidade merece visita à igreja de Kaiser Wilhelm. Destruída durante a ocupação final de Berlim na II Guerra Mundial, é preservada como está. Por fora e por dentro, impressiona. E está no meio de uma das regiões mais legais e caras de Berlim ocidental. De lá, dá pra visitar o Reischtag, o prédio do parlamento alemão que tem história impressionante e que é mais fácil de ser percorrido no inverno, já que no verão as filas são grandes e prece que tem que reservar horário pelo site.

20581791478_529620679e_z

Um dos museus mais legais da cidade é o Checkpoint Charlie, que conta como era a vida das família e pessoas que tentavam cruzar para os dois lados de Berlim. São as histórias das pessoas que atravessavam o muro para chegar ao outro lado de Berlim, fosse ele qual fosse. É um museu rico em recursos e original. Ali pertinho, há um grande pedaço do muro que ainda está de pé. Foi transformado em monumento e pode ser visitado. Fica próximo da Potsdamer Platz.

20743504796_8f5a155d3d_z 20583015599_363349286e_z

Ainda do lado ocidental, Berlim reserva surpresas não tão divulgadas em guias turísticos. Uma dela é o aeroporto de Tempelhof, que funcionou até 2008 e hoje é um museu. Construído de forma monumental durante o regime nazista, o aeroporto já foi o maior da Europa e segue sendo um dos maiores edifícios do mundo. O tour em inglês pode ser comprado na hora. É tranquilo de achar lugar, mas, se preferir, pode se antecipar comprando pela internet.

20768799715_fc48b9f683_z 20742494626_926df25507_z 20775749901_d3249b237f_z

Aliás, antes que eu me esqueça, ali pertinho do aeroporto de Tempelhof tem um dos lugares mais legais e com excelente preço para comer na capital alemã. É o açougue Genz, especializado em embutidos e carnes de vacas e porcos criados livremente e com alimentação natural. Você pode comprar os itens para levar pra casa, mas também pode consumir no local. Experimentei a barriga de porco e o bolo de carne com salada de repolho.

20581958309_ac92cca830_z 20147731063_0e96bcc670_z 20580703760_91d428096b_z

Tokyo – Dia 2 – JAPÃO

P1020802

Melhor época para visitar o Japão é na primavera. O país é povoado por japoneses e cerejeiras, que florescem durante os meses de abril e maio. O Hanami é a prática de observar as flores das cerejeiras. E é levado muito a sério. Tem inclusive um calendário oficial do governo para a observação oficial, com abertura num festival de música transmitido pela TV e adorado pela população.

No parque Ueno, em Tóquio (uma espécie de Ibirapuera local), dos horários de almoço ao fim do dia, ficam lotados de gente querendo fazer piquenique. O espaço é disputado, mas a educação e a civilidade japonesas surpreendem mais uma vez. Você tem direito de esticar a sua toalhinha por duas horas debaixo das árvores de cerejeiras e, numa plaquinha ao lado, você escreve a hora que sentou para que a próxima pessoa se prepare para ocupar o local quando as suas duas horas forem consumidas.

]P1030479

P1030478

Tivemos a sorte de pegar uma feirinha local de comida, uma espécie de feira gastronômica com quitutes japoneses. O governo monta as barracas e monta os lugares para sentar. Pode até parecer caótico, mas impressionantemente a estrutura dá conta da demanda. Você entra na fila, é atendido, consegue sentar e comer em paz. Mais um gol da civilização japonesa!

P1030487

Muito próximo do parque Ueno fica o famoso bairro de Akihabara. A fama veio da época em que o Japão era o melhor país do mundo para comprar eletrônicos e o bairro especializou-se em megalojas de videogames, massageadores, câmeras, notebooks… Ainda vale a pena, o preço é ótimo, mas esse tipo de loja você encontra em todo o Japão.

P1030496

Mas é legal andar por Akihabara, ver os painés de LED e, inclusive, conhecer a versão local do fast food Go Go Curry. O restaurante é simples, mas delicioso. Você entra, paga seu ticket no caixa eletrônico, senta no balcão e entrega para o cozinheiro. A refeição de curry (ou carê, como é falado no Japão) consiste numa pasta temperada servida pura ou com carne e, sempre, com arroz. Há várias modalidades. Se você não conhece, comece pela moderada. Há inclusive modalidades de curry que só podem ser experimentadas se você garantir que já comeu a versão anterior. O bicho queima!

P1030493

Outro bairro engraçado e divertido – e que é a cara do imaginário ocidental sobre Tóquio – é Shinjuku. É lá que está a estação de trem mais movimentada do mundo. De Shinjuku, você chega a Kabuchiko, bairro dos inferninhos de Tóquio. Li que é o bairro mais perigoso de todo o Japão, pois muitos dos estabelecimentos ainda são controlados pela Yakuza, a máfia japonesa. Ainda assim, é extremamente seguro, cheio de ocidentais e turistas, lojas, cinemas, casas de massagens, prostíbulos, casas de lamen e um restaurante que tornou-se famoso pelo show exótico que apresenta todas as noites: o Robot Restaurant.

P1030442

O show é uma mistura de cabaré, robôs, performances tribais, carros alegóricos. Tudo bizarro. Reserve com antecedência, pois lota, e peça seu ingresso com o bentô de sushi, que vale muito a pena!

P1030566

P1030526 P1030577

Tokyo – Dia 1 – JAPÃO

P1020710

É muito, muito difícil resumir uma cidade como Tokyo em dois dias. Mas, já que devo mostrar o que há de melhor na experiência e sintetizar a cidade em 48 horas, relaxe, por Tokyo (e o Japão como um todo) são uma experiência fantástica de civilidade, educação, limpeza e organização.

A maior cidade do mundo não é entupida por carros. Seu ar não é dos piores do mundo. Automóveis, bicicletas e pedestres convivem bem em calçadas e ruas que parecem tapetes. E todas as classes sociais deslocam-se por trens e metrô. E mesmo ônibus, uma excelente opção na cidade. Modernos e convenientes, possuem wifi e motoristas educados e prestativos.

P1020761

Em Tokyo, Ginza é o bairro sofisticado e caro. Prédios de lojas de luxo ocupam muitos quarteirões. Repare que, no Japão, são raras as lojas de coisas para casa (a vida é econômica e em pouco espaço). Só gente com muita grana consegue pensar em decoração. Sobra o apreço japonês pelas louças, que são lindas, detalhadas e muito variadas. Em seu hotel ou em casas tipicamente japonesas, você vai encontrar banheiras (tome a ducha antes de entrar, faz parte do ritual. E banheiros altamente tecnológicos. As famosas privadas que fazem tudo por você estão em todos os lugares, inclusive nos banheiros públicos e de lojas de departamento – limpíssimos, como tudo no Japão por sinal.

P1020911 P1020915 P1020912

Voltando a Ginza, o mercado de peixes e famoso pelos atuns em leilões – chegue cedo – e pelos restaurantes de sushi da região. Todos são muito bons, pode entrar no que preferir sem medo. Aliás, raramente você vai encontrar um restaurante de sushi que não esteja focado em turistas fora da região do mercado de peixes. Os pratos quentes é que são o forte do Japão. Sushi, é por aqui. Então, aproveite.

P1020867 P1020869

Prove também os oniguiris de raiz que servem o pessoal que trabalha no mercado de peixe. São grandes e variados. E note: não há cheiro de peixe e sujeira em lugar nenhum. É incrível.

P1020686 P1020692 P1020685

Duas outras experiências imperdíveis no seu dia em Tokyo são a Tokyo Skytree (deixou a Tokyo Tower pra trás). Ok, você vai subir quase 600m numa das estruturas mais altas do mundo. Mas o interessantes é ver a vastidão da cidade em sua organização e limpeza que impressionam. Não há entulhos nos telhados, não há lixões, não há ruas desorganizadas. Isso por si só já vale a experiência.

P1020695 P1020697 P1020698 P1020701 P1020705 P1020708

E se você é fã de robôs, rume para o Gundam de Tokyo. Fica em frente a shopping na região mais moderna da cidade, perto do mar. O gigante robô se mexe de duas em duas horas a partir do meio dia. É demais!

P1020766P1020769

Dubai – Dia 1 – Emirados Árabes Unidos

P1020165

Tudo o que comumente se ouve sobre Dubai é que é um lugar caro, de alto luxo, com foco em compras e diversão a troco de muito dinheiro. Mas minha versão de Dubai é outra: uma cidade barata, com táxis baratíssimos, onde se come muito bem por muito pouco, pode-se fazer tudo de metrô ou transporte público e, pra quem gosta de arquitetura, a simples admiração do que a cidade oferece já é uma grande diversão.

P1020176

Dubai hoje gira em torno do Burj Khalifa, atualmente o edifício mais alto do mundo, com 828m de altura. Tipo o dobro do que eram as torres gêmeas.

Em Dubai, não há limites para as construções. Então, apesar de cara, vale a pena a subida no Burj Khalifa, que precisa ser agendada com antecedência – não deixe pra comprar seu ingresso namora. Compre pelo site. Lá de cima, se aprecia a cidade como um todo, pois os dias são claros e lindos quase todo o ano. E notamos como Dubai foi construída sobre o deserto. Dá pra ver o mar, com as ilhas artificiais do arquipélago mundo, as fontes semelhantes à do Hotel Bellagio, em Las Vegas, e o teto de um dos maiores shoppings do mundo, o Dubai Mall.

P1020216 P1020219

O contato com a população local é restrito, pois só 20% dos habitantes dos Emirados Árabes são locais. O resto é majoritariamente composto por indianos, que dominam a mão de obra para construções, chineses, coreanos e outros estrangeiros. Há pouquíssimos americanos no país, já que o Oriente Médio não costuma ser tão atraente para os Estados Unidos, sobretudo pela diferença entre árabes e judeus. Aliás, muito se falou sobre o passaporte, que não pode ter carimbo de Israel. Acabei fazendo um novo documento para viajar aos Emirados Árabes, mas depois vi que as autoridades na imigração sequer olham para este detalhes. O negócio dos EAU é trazer turista e fazer dinheiro. Tanto que, para entrar no país, é preciso ter um visto que custa caro e funciona como se fosse um ingresso para entrar.Para emiti-lo, você precisa de um sponsor. Selecionei a agência brasileira Guia em Dubai para ajudar com visto e foram sensacionais.

Nosso hotel foi o Novotel Al Barsha, que fica na região do Burj Al Arab, o famoso hotel em forma de vela que avança sobre o mar. Tinha café da manhã excelente, suítes espaçosas, banheira, piscina, amenidades e ainda tinha vista para o Burj Al Arab. Nossa ideia era passar o reveillon em frente ao Burj Khalifa. Tínhamos uma estação de metrô em frente ao nosso hotel. Partimos às 19h para o Dubai Mall, mas a quantidade de gente era tão grande, mas tão grande, que voltamos para o nosso hotel, compramos várias comidinhas e ficamos no nosso quarto, de onde vimos os fogos do Burj Al Arab da janela e os do Burj Khalifa pela televisão.

16173525256_21f3b86924_z

No dia seguinte, voltamos ao Dubai Mall para ver o Burj Khalifa todo iluminado. A imagem era essa:

P1020555

MAs, enfim, o contato com a população local de Dubai se dá sobretudo no centro antigo, onde há o museu de Dubai, que conta a história da cidade de forma lúdica e muito interessante. Fica dentro de um forte. Há várias mesquitas chamando para rezar, nas quais os não muçulmanos não podem entrar, e há um passeio de barco para cruzar o rio rumo ao mercado de ouro.

16200106675_1771b565a7_z

16012617898_257edf7812_z

O local impressiona pela quantidade de ouro, garçons servindo refrigerante, chá e água e um grande painel luminosos que diz a cotação do ouro no dia. As peças são caras. Você escolhe e tudo é pesado na hora. Uma pulseira custa cerca de 800 reais, bem fininha. Impressiona ver a população local comprando o equivalente a 25 mil reais em ouro para suas mulheres cobertas de véu.

P1020142

P1020141P1020135

Pegamos um taxista no centro – tácitas são muito baratos e excelentes – e pedimos para ir ao Ravi, restaurante paquistanês sobre o qual havíamos lido. Os preços são muito bons, a comida é deliciosa. O taxista, que por acaso era paquistanês, já sabia onde era. Era um local em que ele costumava almoçar. Chegamos e uma quantidade grande de homens nos salões olhavam para a nossa cara de ocidental. Um garçon simpático nos levou para uma mesa e notamos que havia mais uma mesa de gringos no local, inclusive com uma mulheres entre eles. Ficamos mais tranquilos e comemos um carneiro ótimo!

P1020136P1020278

P1020277

Do Ravi, seguimos para ver o por do sol em alguma praia. Entramos no táxi e o taxista falou que nos levaria a uma praia aberta – sim, as praias em Dubai são na maioria das vezes pagas.

Ele disse que era uma boa praia e que muitos ocidentais costumavam a ir lá. De fato, era a praia em frente ao Burj Al Arab, que, junto com o sol se pondo, compunha um cenário interessante! Era legal imaginar que do outro lado do mar já estava o Irã. Dava a dimensão da região complicada politicamente em que estávamos e do oásis de um aparente sossego que são os EAU no local.

P1020323

16013824279_fe2a26f076_z

Cidade da Guatemala – GUATEMALA

8346023226_8d67b6c047_zPouco conhecida dos brasileiros, a Guatemala é o típico país latino: rico e pobre, grandioso em muitos pontos, precário em outros vários. Tem uma rica cultura maia, povo que habitou o país desde o sul do México, e ainda domina a etnia local, tem uma cidade linda chamada Antígua, patrimônio da humanidade de arquitetura intocada, não fossem alguns terremotos. E tem uma capital turbulenta, agitada, de ótima comida e regiões a serem exploradas.

8344965675_028d41d8ce_z

Palácio Presidencial

Fiquei no norte da Cidade da Guatemala, no Otelito, num bairro excelente. Entendi que era o bairro fancy da capital quando cheguei no local, pela quantidade de lojas de luxo, carrões e restaurantes. Ainda assim, tudo simpático, organizado e barato. Um amigo local me falava: cuidado porque aqui se tem uma falsa impressão de segurança. Tomei o conselho, mas ainda assim explorei a capital de ônibus com tranquilidade.

8344968151_56042d423a_z

8344971955_dfe30845dd_z

O centro fica na região ao sul. O palácio do Governo é lindo e pode-se visitado num tour que compramos no local. Acho que é o local mais interessante da capital, pois o museu de cultura mais, que por acaso ficava ao norte, perto do meu hotel, tem uma coleção riquíssima mas, ao contrário do museu de Antropologia do México, por exemplo, é mal organizado e com pouca informação. Tinha tudo para ser excelente.

8346024492_fb5c8ff264_z

No painel do Palácio Presidencial, a união do índio e do espanhol formam a Guatemala

Ao lado do palácio do governo, fui também a um museu de hist’pria em que um segurança ia me deixar entrar caso eu disse uma gorjetinha pra ele. Logo apareceu uma funcionária e me cobrou a entrada e falou: ˜tenho que ficar de olho nesses caras, eles sempre querem fazer isso˜. América Latina!

8344969485_eb4db9b98d_z

E o mercado municipal ao lado é um local maravilhoso para se comer. É famosa a vendinha da Doña Mela – procure por ela, todos conhecem. É tudo muito simples, mas come-se tortillas maravilhosas com ingredientes frescos, chacino (torresmo) pra quem tem estômago e sucos de frutas frescas geladinho, além da deliciosa horchata, o leite do arroz, tão comum na América Central e que eu amo tanto.

8344979755_c16a8bf884_z

Meu dia se encerrava num café ao lado do meu hotel porque na manhã seguinte eu iria a Tikal e depois ficaria dois dias na maravilhosa cidade de Antígua.

8346035200_bb16d8a2fb_z 8346038486_eaf497ff31_z

Caracas – Dia 2 – VENEZUELA

8211200666_9a91e0ffcb_z

Novo dia em Caracas, mais aventuras. Como estávamos no centrão da cidade, imersos em uma área chavista, resolvemos pegar um ônibus para a cidadezinha de El Hatillo. É colada em Caracas. Pra ir de táxi, é caríssimo – aliás, como tudo em Caracas. Então, fomos de busão mesmo e aproveitamos para entender melhor a dinâmica da cidade.

8210122785_dc9016b748_z

O passeio pelo centro permitiu os aproximarmos do palácio residencial, onde guardas truculentos e ostensivos, a exemplo da polícia carioca, pedem para nunca paramos para olharmos para o Palácio, perguntam arbitrariamente de onde viemos e proíbem fotos.

8211194788_82559002d8_z

Começamos pelo próprio terminal, que fica na parte de baixo da praça Bolívar, point de encontro de chavistas. O local é uma belíssima construção, provavelmente da década de 70, quando a economia venezuelana decolou às custas do petróleo, principalmente pelo fato de o país ter sido uma das principais alternativas ao petróleo dos países árabes- estes passaram a regular e elevaram muito o preço do óleo porque o mundo começava a entender que este era um recurso finito.

8211217106_b5d949fb64_z

Para entender a situação política da Venezuela e o porquê da ascensão de Chavez ao poder, recomendo o livro Contos do Vigário, do jornalista argentino Andres Oppenheimer. Ele explica como a divisão social e econômica do país e a inabilidade de os EUA apoiarem eleições democráticas em um momento-chave no país, quando um candidato pró-EUA subia inconstitucionalmente ao poder, contribuíram para a atual situação.

Hoje, a companhia de petróleo estatal venezuelana, PDVSA, financia os belos centros culturais, os museus e até as reformas urbanas do decadente bairro de Sábana Grande, que já foi o point do consumo e da modernidade de Caracas. Vale fazer uma visitinha ao local – de dia por favor.

O passeio de ônibus mostra como as estradas venezuelanas são sólidas e bem construídas. Há obras de engenharia grandiosas e o asfalto ainda é excelente. Assim como outras metrópoles latinas, Caracas infelizmente também privilegia o automóvel individual. Mas o metrô é extenso e eficiente.

Em El Hatillo, é possível caminhar com tranquilidade. Há uma grande favela colada no centro histórico, mas lá moram trabalhadores dos restaurantes e cafés locais. Bom lugar para uma parrilha mar e terra, típica da região!

8211211046_59e9a5f5ee_z 8211211454_9242faaa62_z 8211210086_241c422722_z 8211209148_63491729c9_z 8211208402_3802962939_z

8211208032_57c8dce5a1_z

Como falava, Caracas tem ótimos exemplos de arquitetura. É recomendada uma visita à Universidad Bolívar, que não visitei e, se quiser dar uma olhada no helicóide, uma estrutura colossal de concreto de formato oval que hoje abriga um quartel da polícia militar, sugiro tomar um táxi e pedir ao motoristas para dar algumas voltas enquanto você fotografa. O helicóide fica perto de uma perigosa favela na região.

8210113043_80348b5d79_z 8210113285_962258b8bb_z

Caracas – Dia 1 – VENEZUELA

8211226420_f1d8b77fd6_z

Conhecia toda a América do Sul, com exceção das guianas e da Venezuela. Conhecer o país até então governado por Chavez era uma curiosidade grande. Como era a vida num país em que o governo foi competente em ressaltar a divisão? Divisão do país, da capital e da população. Nada de ilhas paradisíacas. Minha curiosidade sobre a Venezuela era em relação a Caracas, a capital que simboliza um pouco da tragédia, aos meus olhos, que vive o país.

Lemos todos os blogs sobre a capital, todas as dicas de segurança e assistimos ao filme Secuestro Express (2005) para entrar no clima. A principal tensão era sobre o aeroporto, que não fica em Caracas, mas sim em Maiquetia, uma cidade próxima, à beira-mar. Já sabíamos que seríamos abordados em pleno saguão, antes mesmo da imigração, por “taxistas credenciados”, que oferecem táxis e exibem um crachá oficial. Esses táxis são uma milícia em conchavo com a administração do aeroporto que assaltam turistas durante o trajeto entre Maiquetia e Caracas. Lemos todos os avisos de segurança, inclusive do próprio hostel, para nos dirigirmos ao lado de fora do aeroporto e tomarmos os táxis pretos, modelo Ford Explorer. A corrida deve ser combinada diretamente com os motoristas, que são impedidos de entrar no saguão.

Ah, e no aeroporto, troque apenas o essencial para o táxi, já que o câmbio legal não é vantajoso e há câmbio ilegal que paga o dobro e até mesmo o triplo por toda a cidade. Seu hoteleiro certamente vai te ajudar e você pode confiar.

8210144191_2bc294f0f3_z

Isso feito, fomos diretamente ao Dal Bo Hostel, hostel muito bem avaliado no Hostel World. A intenção de ficar num hostel em Caracas foi exatamente ter toad a assessoria que a impessoalidade de um hotel não costuma dar. O Dal Bo é perto do metrô e seu dono, Gustavo, o convida a entrar em seu universo de parrilhas à noite e toques de acordar com o pior da música eletrônica às 9h da manhã, câmbio próprio, um cachorro da raça akita nas áreas comuns e telefones celulares distribuídos entre os hóspedes para ligar diretamente para ele em caso de qualquer ocorrência.

8210148909_1aa06884b3_z

O hostel fica no centro, tido por caraqueños como zona insegura, talvez pelo fato de ser um local extremamente chavista (assim como o dono do hostel). Não há nada com que se preocupar: a cidade como um todo é extremamente insegura e perigosa e ficar no centro não piora a experiência. Nossa sensação foi exatamente contrária: passamos mais despercebidos.

8211195072_138cd19be0_z 8210105651_af25dda5be_z

No dia seguinte, partimos para explorar a cidade e fomos direto ao teleférico estadual. O trajeto é longo e alto, levando ao cume da serra que divide Caracas de Maiquetia.

8210135795_bf6dbe8db8_z

8211230020_c9572d770f_z

De um lado, é possível ver toda a cidade, verde, que de cima parece tranquila e sólida. Do outro lado, vemos o oceano e o aeroporto. Findo o passeio, primeira bobagem da viagem: tomamos um ônibus ao pé do teleférico que nos levaria à estação de metrô mais próxima (o metrô é eficiente e percorre quase a cidade inteira). Só que o ônibus, caindo aos pedaços como quase todos em Caracas, entra por uma favela (elas estão por toda a cidade) antes de chegar à estação. Pagamos a passagem e já nos perguntaram: “vocês são espanhóis? Não parecem venezuelanos”. Avisamos logo que somos brasileiros a fim angariar a simpatia do motorista e da população.

Rumamos para o bairro elegante da capital, Altamira, que é bonito. De lá, metrô de novo para o museu de arte contemporânea, que é escondido, mas vale a pena ser visitado, e para o museu de Belas Artes.

8211224822_f4e102841f_z (1)

Fim do dia de volta ao hostel antes do anoitecer.

Bogotá – Dia 2 – COLÔMBIA

Um passeio a Bogotá não está completo sem ir ao cerro de Montserrat. Em ambos, a visão é do conjunto arquitetônico da cidade, sempre pendente para o tom avermelhado, característica introduzida e reproduzida, até meio que ordinariamente, pelo famoso arquiteto franco-colombiano Rogelio Salmona. Sim, Bogotá é quase toda avermelhada, o que faz da cidade ter alguma harmonia apesar do tamanho, bem diferente do que acontece com a maioria das metrópoles brasileiras, que são uma tragédia em termos de arquitetura.

Suba e desça o Cerro de Montserrat de funicular e, dali mesmo, você pode caminhar de volta em direção ao Nariño para visitar um dos locais mais interessantes da cidade: o Museo de la Policía.

Lá, além da lista de todos os policiais colombianos que estão hoje sequestrados pelas Farc, está todo o material apreendido e confiscado na longa luta entre Estado e Farc na história recente do país.

Da Harley utilizada por um dos capangas de Pablo Escobar até suas armas, móveis de sua casa (Escobar matava os carpinteiros após construírem seus móveis preparados para esconder drogas e dinheiro) e inclusive ruas roupas. Há um manequim com as vestimentas usadas por Escobar no dia em que foi alvejado e morto em Medellín.

Outra sessão do museu aponta algumas histórias de serial killers colombianos. Curiosamente, a Colômbia é o país latino-americano com o maior número de serial killers conhecido. Números que se igualam ou superam países europeus ou os Estados Unidos.

Mas a parte mais interessante do museu está no andar de cima, onde é mostrado todo o trabalho feito com a polícia colombiana para regulamentar e limpar a instituição. Hoje, na Colômbia, Polícia e Exército são a mesma coisa. Polícia na cidade, exército no campo. Têm os mesmos salários, benefícios (escolas, clubes, hospitais e tratamento psicológico) e honram a instituição a que servem. Ao contrário do Brasil ou do México, são confiáveis. Qualquer dúvida ou ajuda que  precise, vá direto à polícia. São inúmeros os policiais espalhados por Bogotá, facilmente reconhecidos pelo seu uniforme verde.

Bogotá – Dia 1- COLÔMBIA

Bogotá já foi um lugar a ser evitado. Hoje, é uma das cidades mais legais da América do Sul.

Gigante, você pode e deve percorrer apenas da zona norte até o centro. De Bogotá Sur em diante, o risco é seu. Por todo dia, todos reforçam: “puedes caminar bonito, con traquilidad”. À noite, evite o centro. E, de dia, evite a zona sul, que concentra a maior parte do pobreza e dos homicínios da megalópole colombiana.

Pra ficar num belo bairro residencial (Morato) e ser tratado com muito carinho e dedicação, recomendo o Hostal Bogotá Real. Se quer um hotel mais sofisticado, vá direto para a Zona Rosa. É lá também que você pode terminar seus fins de tarde, circulando em uma área grande que reúne shoppings, lojas, cafés, bares, todos interligados e festivos. Algo similar aos Jardins, em São Paulo.

O transporte pela cidade deve ser feito pelo Trânsmilênio, sistema semelhante ao metrô, porém feito com ônibus articulados (brasileiros, inclusive) que te levam de norte a sul da cidade, e de leste a oeste com segurança e rapidez. A exemplo do México ou de qualquer metrópole latino-americana, o transporte público é mais seguro do que os táxis. Sim, em Bogotá é recomendável não pegar o primeiro táxi que aparecer na rua, apesar do preço ser tentador. Se estiver cansado, entre num hotel ou num restaurante e peça para chamarem um pra você.

Mas o passeio em Bogotá deve começar mesmo pela parte mais bonita e histórica da cidade: a Candelária. É lá que se localizam o Museu Botero (que não é grande, mas é interessante), o Museu do Ouro, com a maior coleção de ouro pré-colombiana do mundo (belíssimo), a rua das joalherias e a praça central do poder, que é o lugar mais seguro do país.

Na praça do palácio Nariño, sede do poder executivo, estão também o poder legislativo (num palácio em estilo napoleônico) e o poder judiciário, além da Igreja, que até a década de 90 apitava na Lei colombiana.

O céu cinza constante da cidade e temperatura baixa o ano inteiro fazem o clima ficar quase sempre soturno. Dá até um pouco de medo, levando em conta toda a história violenta que já caracterizou a Colômbia e faz parte de nosso imaginário. Mas rapidamente você se acostuma com o local onde está. E com a altura, que dá um pouco de dor de cabeça no primeiro dia. Afinal, Bogotá é uma das cidades mais altas do mundo, localizada a 2.600m acima do nível do mar, em plena Cordilheira dos Andes.

Para comer, Bogotá tem ótimas opções. Você pode pedir o ajiaco, prato típico colombiano, em qualquer lugar que tiver oportunidade.

Mas são destaques na cidade três redes que garantem alta qualidade no que servem: Café Juan Valdez, Crepes n Waffles e Corral Hamburguesas.Se você faz uma conexão em Bogotá, pode experimentar qualquer uma delas no próprio aeroporto. Na cidade, estão espalhadas em vários bairros, inclusive nos shoppings e nos museus.

A colombiana Crepes and Waffles finalmente desembarcou no Brasil. O que tem de legal a Crepes and Waffles além de crepes, waffles, sopas e sorvetes maravilhosos? Sua missão e seus valores. A rede tem em sua maioria funcionárias mulheres, quase todas mães de família, que têm papel ativo na economia do lar. Ou seja: na visão da empresa, devem valorizar o trabalho, a produção cuidadosa dos alimentos e o modo de servir.

011020101196

De entrada, sugiro o Elixir. É um suco de amêndoas com maçã verde, uva verde e uva roxa.

011020101189

Pode ir também direto na salada mediterrânea, fartamente servida com camarões, lulas, azeitonas, folhas e molho pesto + mostarda.
011020101193

A sobremesa era o melhor. É muita opção e você pode pedir o cardápio com fotos para ajudar a escolher. Para ajudar mais ainda, vá até o balcão experimentar os sorvetes que acompanhavam os crepes ou waffles. Experimente o inigualável sorvete de amêndoas com pedaços de amêndoas ou o de laranja, aguado e refrescante.

A El Corral alerta em seus sanduíches: aqui, um produto extremamente fresco. Consuma o quanto antes. E é verdade. Para quem gosta do formato, o deles é espetacular, seja nos fast foods espalhados ou ainda nas versões gourmet presentes em alguns endereços.

A fama do café colombiano é internacional graças um produto de qualidade (tão bom quanto o brasileiro) e um marketing mais eficiente que o nosso. Na Colômbia, a paixão pela bebida é mais sofisticada. Bogotá não é Roma nem Nova York, mas é dominada pela rede de cafés qualificados Juan Valdez. Inspirado na Starbucks – e principal empecilho de posicionamento para que a rede americana ingresse no país sulamericano -, o Juan Valdez tem expressos fortes, descafeinados, gelados, incrementados, além de doces e salgados deliciosos para acompanhar. Tudo num ambiente moderninho. Para arrematar, os cafés da rede estão espalhados pelos melhores endereços das principais cidades colombianas.

DSC01177
Juan Valdez no Museo Botero, em Bogotá