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Estocolmo – Dia 2- SUÉCIA

Estocolmo tem um dos museus mais impactantes que conheci na vida. Chama-se  Vasamuseet, ou Museu de Vasa.

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Vasa foi uma embarcação construída entre 1626 e 1627 pela marinha real sueca para ser a embarcação militar mais poderosa do mundo até então. Repleta de canhões de bronze e ornamentos para simbolizar o poder real em expansão rumo à Lituânia, o navio de 69m partiu para a sua viagem inaugural em agosto de 1968. Vasa não conseguiu sair das redondezas da cidade de Estocolmo. Era muito alto e com a proa muito estreia, o que fez com que, numa rajada de vento, afundasse e levasse consigo quase 50 membros tripulados.

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Maquete de Vasa

A perda da embarcação foi uma tragédia para a monarquia sueca. O navio permaneceu desaparecido, até que foi reencontrado em 1961. Recuperado, está exposto na íntegra no museu.

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É impressionante o contato tão próximo com a embarcação da época, que é mantida cuidadosamente. Há  ainda uma coleção de objetos resgatados e até ossadas das pessoas que naufragaram junto.

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Talvez o Vasamuseet seja a atração principal de Estocolmo. Então, se tiver que escolher apenas um lugar para conhecer, eu iria certeiramente a este.

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Estocolmo – Dia 1 – SUÉCIA

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A Suécia já foi maior e mais poderosa nação da Escandinávia. Hoje, ainda é a terceira mais rica, atrás da Noruega e da Dinamarca. Sua capital. Estocolmo, é um exemplo de beleza e alto padrão de vida.

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Cheguei à cidade de navio vindo de Helsinque. Confesso que, depois da Finlândia, Estocolmo me pareceu uma cidade um pouco mais suja, já que minha referência era a cristalina Helsinque. Mas a capital da Suécia é mais interessante do ponto de vista histórico e arquitetônico.

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Fiquei hospedado na Drottninggatan, que é uma rua para pedestres. Estocolmo é caríssima, cada ticket do metrô custa mais de 15 reais, então resolvi fazer tudo caminhando, pois a cidade é pequena e agradável. Segui pela Drottninggatan até o Palácio Real, que fica numa ilha no meio da cidade. Aliás, a cidade é quase toda composta de ilha e cruzada por águas, o que a deixa muito bonita.

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O palácio já foi um castelo, mas pegou fogo. Foi reconstruído em estilo renascentista e é mais um exemplo europeu de palácio real, com tudo o que se espera dele: pompa, escadarias suntuosas, aquecedores de porcelana, afrescos e quadros pelos cômodos, capela, e por aí vai…

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Gamla Stan

Do palácio, caminhei pelo bairro mais legal da cidade, o Gamla Stan, ou cidade velha. A cidade é um labirinto medieval, lotado de turistas, lojas, cafés, arquitetura interessante, ruas largas – e outras extremamente estreitas.

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No miolo do Gamla Stan está o Museu Nobel, instalado no antigo edifício da Bolsa de Estocolmo. O museu é dedicado a Alfred Nobel, inventor da dinamite. Alfred criou uma fundação com ideais pacifistas que permitiria o reconhecimento individual de pessoas que contribuíssem com o bem da humanidade. Foi assim que nasceu o Prêmio Nobel, cuja cerimônia anual é em Estocolmo, com exceção do Nobel da Paz, que se realiza em Oslo, na Noruega.

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O museu, interativo e tecnológico, conta a história de Alfred e lista os ganhadores do Nobel na história e seus principais inventos e contribuições.

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O escritor peruano que tem pavor de regimes socialistas

Finda a visita, caminhei até a Götgatan, rua bem agitada e descolada da cidade. Lá que tomei meu brunch, praticamente no final do dia, a preço de ouro. Estocolmo é bem cara!

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Siem Reap – Dia 2 – CAMBOJA

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Siem Reap é uma cidade muito preparada para o turismo. Tem restaurantes ótimos, hotéis-boutique, um pequeno palácio real para que o rei do Camboja visite a cidade eventualmente… E um museu de arte Khmer grande, bem organizado, que vale a pena ser visitado.

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Mas acho que o museu mais inusitado de Siem Reap é o Museu das Minas Terrestres. Como ele é mais isolado, certamente você vai precisar de um táxi para te levar.

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O museu foi fundado em 1997 por um ex-soldado cambojano. Aki Ra,o soldado, viu muitas crianças camponesas feridas por minas na região da fronteira entre a Tailândia e o Camboja. Aos poucos, foi procurando as bombas e as desarmando pouco a pouco. Todas as bombas que conseguiu desarmar ele está expondo no museu, que conscientiza sobre o tamanho do problema e sobre as origens do conflito. As bombas foram instaladas prioritariamente durante o regime de Pol Pot, já que a rivalidade entre o Camboja e a Tailândia é grande. Hoje, há ainda mais de 5 milhões de minas no território que separa os dois países, tornando a exploração dos solos não mapeados algo extremamente perigoso.

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Almoço no restaurante perto do Museu das Minas Terrestres

A obstinação de Pol Pot e do Khmer vermelho em recuperar a terra que antes pertenceu à civilização Khmer era grande. Seus soldados chegaram a invadir o su do Vietnã, chegando à região de Chau Doc. Porém, foram os vietnamitas que também auxiliaram na liberação do Camboja ao final da década de 70 e na sua reestruturação enquanto monarquia parlamentarista.

Berlim – Dia 2 – ALEMANHA

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Agora sigo rumo ao lado oriental da cidade. O destaque vai para a Alexanderplatz, um dos pontos de maior concentração de atividades da capital. Fica sim cheia de turistas no verão, mas o local é animado, com feiras de comida e acesso fácil a muitos museus.

A torre de TV é uma das maiores do mundo. Subir nela vai dar acesso a uma boa vista da cidade. Recomendo.

Lá embaixo, é necessário provar um currywurst ,modo berlinense de preparar o salsichão. Leva molho de tomate ou catchup e é servido no pão ou no prato polvilhado com curry, Hummmmmm, é mara.

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Caminhando da Alexaderplatz em direção ao portão de Bradenburgo, dá pra se ter ideia de como Berlim ainda preserva a aura monumental. A cidade era para ter sido a capital do mundo caso os nazistas ganhassem a guerra. Os projetos de Hitler podem ser visualizados no documentário Arquitetura da Destruição.

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Passando pela , temos acesso aos museus alemães, todos grandiosos. Os museus de arte preservam coleções gregas e egípcias e os prédios, por si só, já são uma atração. Se quiser ir direto ver o famoso busto da rainha egípcia Nefertiti, vá direto ao prédio do Neues Museum, que faz parte do complexo dos museus de arte.

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Se possível, tente chegar ao portal de Bradenburgo mais perto do fim do dia. De lá, o acesso ao memorial em homenagem aos judeus mortos pelo regime nazista é simples. E o por do sol dali é indescritível.

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Berlim – Dia 1 – ALEMANHA

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Meu amor por Berlim aconteceu à segunda vista, dessa vez num verão. A primeira vez em que eu estive na cidade foi num inverno. Os passeios ficaram restritos e a forma de enxergar o potencial da cidade também foi reduzida pelo clima frio.

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No verão ou no inverno, Berlim, apesar da aura hypster e hippie, continua obscura e difícil de ser percorrida facilmente. Ela é extensa e as áreas de interesse são muitas. O metrô, dividido em U para trens municipais e S para os trens operados pela companhia nacional, não me pareceu novamente tão simples de ser dominado. Mas como a cidade é segura e interessante, não houve nada que não pudesse ser facilmente administrado.

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Antes dividida, fiquei pensando em que lado seria mais interessante de conhecer. O lado oeste da cidade merece visita à igreja de Kaiser Wilhelm. Destruída durante a ocupação final de Berlim na II Guerra Mundial, é preservada como está. Por fora e por dentro, impressiona. E está no meio de uma das regiões mais legais e caras de Berlim ocidental. De lá, dá pra visitar o Reischtag, o prédio do parlamento alemão que tem história impressionante e que é mais fácil de ser percorrido no inverno, já que no verão as filas são grandes e prece que tem que reservar horário pelo site.

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Um dos museus mais legais da cidade é o Checkpoint Charlie, que conta como era a vida das família e pessoas que tentavam cruzar para os dois lados de Berlim. São as histórias das pessoas que atravessavam o muro para chegar ao outro lado de Berlim, fosse ele qual fosse. É um museu rico em recursos e original. Ali pertinho, há um grande pedaço do muro que ainda está de pé. Foi transformado em monumento e pode ser visitado. Fica próximo da Potsdamer Platz.

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Ainda do lado ocidental, Berlim reserva surpresas não tão divulgadas em guias turísticos. Uma dela é o aeroporto de Tempelhof, que funcionou até 2008 e hoje é um museu. Construído de forma monumental durante o regime nazista, o aeroporto já foi o maior da Europa e segue sendo um dos maiores edifícios do mundo. O tour em inglês pode ser comprado na hora. É tranquilo de achar lugar, mas, se preferir, pode se antecipar comprando pela internet.

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Aliás, antes que eu me esqueça, ali pertinho do aeroporto de Tempelhof tem um dos lugares mais legais e com excelente preço para comer na capital alemã. É o açougue Genz, especializado em embutidos e carnes de vacas e porcos criados livremente e com alimentação natural. Você pode comprar os itens para levar pra casa, mas também pode consumir no local. Experimentei a barriga de porco e o bolo de carne com salada de repolho.

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Hiroshima – Dia 1 – JAPÃO

Hiroshima é uma cidade importante e interessante para ser visitada pela sua história. O turismo local é muito focado na tragédia da guerra,  pois a cidade foi alvo da bomba atômica americana em 1945, nos últimos dias da 2ª Guerra Mundial.

Tivemos a sorte de chegar no dia em que as cerejeiras se abriam na cidade. É um momento especial no Japão. Durante aproximadamente 15 dias todos fazem muitos piqueniques abaixo das cerejeiras a qualquer hora do dia para apreciar as árvores e ficar ao ar livre. Tudo é tão civilizado e organizado que todos os japoneses têm a consciência de que o ideal, nos parques, é ficar por duas horas abaixo de cara árvore para que todos tenham a oportunidade de fazer o mesmo.

O ritual de apreciação das cerejeiras chama-se Hanami.

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É no mesmo parque, o Heiwakinen, que estão o Memorial da Paz e o Museu da Guerra.

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O memorial tem uma chama sempre acesa, que só irá se apagar se um dia todas as nações do mundo abrirem mão de armas atômicas. No mesmo lugar estão as cinzas das pessoas que morreram carbonizadas durante o bombardeio americano. P1030400

Os detalhes do bombardeio você encontra no museu, que é muito forte. Há objetos, como os da foto acima, recolhidos após a bomba. Há toda a história da cidade, que foi destruída durante o bombardeio. E ainda roupas, restos de construções e histórias de pessoas que incrivelmente sobreviveram, mesmo quando a temperatura elevou-se de forma insuportável.

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17045571111_aebb2f8863_zHisoshima ocupou toda a área da ilha entre os rios que foi destruída com natureza e parques. E manteve ali perto sua tradicional prefeitura de pé, mesmo totalmente destruída, como um memorial do que aconteceu em 1945.

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Ainda em Hiroshima, é possível visitar o castelo feudal. O Japão era dividido em feudos, então há muitos castelos espalhados pelo país. O de Hiroshima foi reconstruído, pois nada restou depois da bomba.  P1030411 P1030412

Dubai – Dia 1 – Emirados Árabes Unidos

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Tudo o que comumente se ouve sobre Dubai é que é um lugar caro, de alto luxo, com foco em compras e diversão a troco de muito dinheiro. Mas minha versão de Dubai é outra: uma cidade barata, com táxis baratíssimos, onde se come muito bem por muito pouco, pode-se fazer tudo de metrô ou transporte público e, pra quem gosta de arquitetura, a simples admiração do que a cidade oferece já é uma grande diversão.

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Dubai hoje gira em torno do Burj Khalifa, atualmente o edifício mais alto do mundo, com 828m de altura. Tipo o dobro do que eram as torres gêmeas.

Em Dubai, não há limites para as construções. Então, apesar de cara, vale a pena a subida no Burj Khalifa, que precisa ser agendada com antecedência – não deixe pra comprar seu ingresso namora. Compre pelo site. Lá de cima, se aprecia a cidade como um todo, pois os dias são claros e lindos quase todo o ano. E notamos como Dubai foi construída sobre o deserto. Dá pra ver o mar, com as ilhas artificiais do arquipélago mundo, as fontes semelhantes à do Hotel Bellagio, em Las Vegas, e o teto de um dos maiores shoppings do mundo, o Dubai Mall.

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O contato com a população local é restrito, pois só 20% dos habitantes dos Emirados Árabes são locais. O resto é majoritariamente composto por indianos, que dominam a mão de obra para construções, chineses, coreanos e outros estrangeiros. Há pouquíssimos americanos no país, já que o Oriente Médio não costuma ser tão atraente para os Estados Unidos, sobretudo pela diferença entre árabes e judeus. Aliás, muito se falou sobre o passaporte, que não pode ter carimbo de Israel. Acabei fazendo um novo documento para viajar aos Emirados Árabes, mas depois vi que as autoridades na imigração sequer olham para este detalhes. O negócio dos EAU é trazer turista e fazer dinheiro. Tanto que, para entrar no país, é preciso ter um visto que custa caro e funciona como se fosse um ingresso para entrar.Para emiti-lo, você precisa de um sponsor. Selecionei a agência brasileira Guia em Dubai para ajudar com visto e foram sensacionais.

Nosso hotel foi o Novotel Al Barsha, que fica na região do Burj Al Arab, o famoso hotel em forma de vela que avança sobre o mar. Tinha café da manhã excelente, suítes espaçosas, banheira, piscina, amenidades e ainda tinha vista para o Burj Al Arab. Nossa ideia era passar o reveillon em frente ao Burj Khalifa. Tínhamos uma estação de metrô em frente ao nosso hotel. Partimos às 19h para o Dubai Mall, mas a quantidade de gente era tão grande, mas tão grande, que voltamos para o nosso hotel, compramos várias comidinhas e ficamos no nosso quarto, de onde vimos os fogos do Burj Al Arab da janela e os do Burj Khalifa pela televisão.

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No dia seguinte, voltamos ao Dubai Mall para ver o Burj Khalifa todo iluminado. A imagem era essa:

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MAs, enfim, o contato com a população local de Dubai se dá sobretudo no centro antigo, onde há o museu de Dubai, que conta a história da cidade de forma lúdica e muito interessante. Fica dentro de um forte. Há várias mesquitas chamando para rezar, nas quais os não muçulmanos não podem entrar, e há um passeio de barco para cruzar o rio rumo ao mercado de ouro.

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O local impressiona pela quantidade de ouro, garçons servindo refrigerante, chá e água e um grande painel luminosos que diz a cotação do ouro no dia. As peças são caras. Você escolhe e tudo é pesado na hora. Uma pulseira custa cerca de 800 reais, bem fininha. Impressiona ver a população local comprando o equivalente a 25 mil reais em ouro para suas mulheres cobertas de véu.

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Pegamos um taxista no centro – tácitas são muito baratos e excelentes – e pedimos para ir ao Ravi, restaurante paquistanês sobre o qual havíamos lido. Os preços são muito bons, a comida é deliciosa. O taxista, que por acaso era paquistanês, já sabia onde era. Era um local em que ele costumava almoçar. Chegamos e uma quantidade grande de homens nos salões olhavam para a nossa cara de ocidental. Um garçon simpático nos levou para uma mesa e notamos que havia mais uma mesa de gringos no local, inclusive com uma mulheres entre eles. Ficamos mais tranquilos e comemos um carneiro ótimo!

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Do Ravi, seguimos para ver o por do sol em alguma praia. Entramos no táxi e o taxista falou que nos levaria a uma praia aberta – sim, as praias em Dubai são na maioria das vezes pagas.

Ele disse que era uma boa praia e que muitos ocidentais costumavam a ir lá. De fato, era a praia em frente ao Burj Al Arab, que, junto com o sol se pondo, compunha um cenário interessante! Era legal imaginar que do outro lado do mar já estava o Irã. Dava a dimensão da região complicada politicamente em que estávamos e do oásis de um aparente sossego que são os EAU no local.

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Paris – Dia 1 – FRANÇA

Todo mundo tem mil dicas e mil visões sobre Paris. Conheci a cidade em 1997. Era a primeira vez em que eu ia pra Europa, com meu dinheiro juntado num voo Rio-GRU-Recife-Zurich-Paris da Vasp! Achei tudo ótimo e divertido. E lembro que uma amiga foi me receber no aeroporto e a sensação que tive ao sair do metrô na Rua de Rennes, onde ficava meu hotel. As calçadas eram perfeitas, era tudo eficiente mas a grande maioria dos prédios era muito antiga. Eu me sentia de vato no velho mundo.

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Meus pais, ainda casados, estavam também na cidade e foram me encontrar no meu hotel. Eles estavam no lado da Opera, do outro lado do Rio. E eu do lado boêmio. Lembro que fiz tanta coisa naquele dia, mas tanta coisa… Não sei como aguentei. Mas lembro de a gente indo do Café de Flore, em Saint Germain de Prés. De lá, minha amiga Bia me encontrou de novo e subimos a Torre Eiffel, que é um programa que precisa ser feito porque, por mais que já existam estruturas muito altas no mundo e eu já ter subido em muitas delas, nada nunca me deu a sensação de estar tão alto quanto no dia em que subi a Torre Eiffel. Talvez pelo fato de o gabarito da cidade de Paris ser baixo e a torre erguer-se por mais de 300m em meio aqueles prédio baixinhos. Ainda tive a sorte de não pegar muita fila e poder ter visto o por do sol lá de cima. Na época, não tinha máquina digital. Tenho alguns registros, mas nunca digitalizei.

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Lembro ainda que depois disso encontrei meus pais e fomos no Louvre num esquema ver e dar check na Monalisa, na Venus de Milo, na coleção egípcia. Tudo muito rápido e intenso para depois voltar para o hotel e dormir!

Era inverno e agora eu tive a oportunidade de ir de novo no verão, o que é diferente, pois a cidade, que já é a mais visitada do mundo, fica ainda mais abarrotada de turistas, o que é espantoso. Paris está cara, ou segue caríssima, mas é aquela cidade em que você sai de manhã pra andar e só volta de noite de tanto admirá-la.

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Montmartre

Dessa vez, tive muitos dias na cidade e resolvi fazer algumas coisas que eu ainda não havia feito. E destaquei algumas das que me marcaram mais.

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Centro Georges Pompidou

Fui a Montmartre e almocei num restaurante delicioso. que eu infelizmente não me lembro o nome. Saberia até reconhecer pessoalmente – tentei agora pelo google maps – mas não consegui. De lá, desci andando em caracol em direção ao Marais, o antigo bairro judaico que já foi pobre, mas hoje é talvez a região que mais ferve culturalmente em Paris. É lá que está o Centro Cultural Georges Pompidou, que tem exposições de arte moderna e contemporânea, além de restaurantes. O local é uma atração já pelo prédio em si Vi uma exposição farta do Mike Kelley e do Roy Lichtenstein.

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De lá, cruzando a Pont des Arts, em que muitos apaixonados colocam seus caderninhos, cheguei a um dos museus mais bizarros e interessantes de país, em Saint Germain de Prés. O Museu da Escola de Medicina tem um acervo aflitivo de instrumentos utilizados para amputar, fazer exames, retirar pedras dos rins… Tudo numa época em que a anestesia muitas vezes era um trago de bebida alcoólica.

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Exame ginecológico

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Isso entrava pela uretra e retirava as pedras que estão expostas ao lado da ferramenta

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Kit de amputação

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Foi também na Rive Gauche que visitei o museu Rodin, que vale muito pelo passeio no jardim. As obras do mestre modernista da escultura contemporâneo dos pintores tão celebrados que romperam com a história da pintura na virada do século XIX para o XX. Rodin fazia o mesmo trabalho com a escultura, quando  entendia que a ideia da forma poderia ser mais importante que a representação fidedigna.

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Dois lugares para comer são muito legais na Rive Gauche: o primeiro é pra quem, como eu, adora foie gras, apesar de saber do método cruel de preparo da iguaria. Um é o Comptoir de la Gastronomia, onde comi um ravioli de foie gras com molho branco.

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Outro é uma rede que está em vários locais da cidade, mas é muito boa pra quem gosta de mexilhão: o Leon de Bruxelles, que não tem em Bruxelas 😛 E lá comi meu prato de mexilhão com molho de tomate queijo.

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A Monalisa

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Repare em alguns aspectos interessantes deste quadro. O primeiro é que muito se suspeita da não- existência da Gioconda, a musa retratada. Atribuiu-se ao próprio Leonardo  Da Vinci esta que seria a sua versão em forma de mulher, o que já questiona o papel de alguém que posa para a pintura em si ou pede a um artista para retratá-lo coerentemente. Ou seja: um retrato, para existir, precisa ser concebido antes mentalmente para depois ser passado para o papel. E o que vemos com a Monalisa é que o retrato não necessariamente irá retratar alguém que seja real.

Outros aspectos interessantes da Monalisa são sua noção de tridimensionalidade. Repare o canto direito e no canto esquerdo do quadro. Eles estão propositalmente desalinhados para que a cada canto que se direcionar o olhar se tenha uma diferente perspectiva da boca. A Monalisa pode estar sorrindo ou pode estar séria, dependendo de seu olhar. E como Da Vinci consegue esse efeito na boca? Esfumaçando seus cantos, conforme podemos ver.

Por que essa é uma das pinturas mais importantes e a mais famosa da História? Porque iniciava o processo de discussão da Arte como algo mental. Incluía a pintura no hall das “artes” ou da Arte. E definitivamente  com o Renascimento e a  valorização da burguesia e da acumulação individual de dinheiro, a individualidade assumia o início de sua história bem sucedidade.

O ápice da manifestação individual, a arte, poderia agora ser materializada e, diferente da Música, da Matemática e da Filosofia, poderia ser adquirida mediante dinheiro. E assim se iniciava um período de quase 5 séculos de arte considerada uma materialização do pensamento do artista, tendo a pintura e a escultura com patrocínio burguês turbinando sua ascendência e consolidando o que passaríamos a chamar de Arte Formalista.

Bogotá – Dia 2 – COLÔMBIA

Um passeio a Bogotá não está completo sem ir ao cerro de Montserrat. Em ambos, a visão é do conjunto arquitetônico da cidade, sempre pendente para o tom avermelhado, característica introduzida e reproduzida, até meio que ordinariamente, pelo famoso arquiteto franco-colombiano Rogelio Salmona. Sim, Bogotá é quase toda avermelhada, o que faz da cidade ter alguma harmonia apesar do tamanho, bem diferente do que acontece com a maioria das metrópoles brasileiras, que são uma tragédia em termos de arquitetura.

Suba e desça o Cerro de Montserrat de funicular e, dali mesmo, você pode caminhar de volta em direção ao Nariño para visitar um dos locais mais interessantes da cidade: o Museo de la Policía.

Lá, além da lista de todos os policiais colombianos que estão hoje sequestrados pelas Farc, está todo o material apreendido e confiscado na longa luta entre Estado e Farc na história recente do país.

Da Harley utilizada por um dos capangas de Pablo Escobar até suas armas, móveis de sua casa (Escobar matava os carpinteiros após construírem seus móveis preparados para esconder drogas e dinheiro) e inclusive ruas roupas. Há um manequim com as vestimentas usadas por Escobar no dia em que foi alvejado e morto em Medellín.

Outra sessão do museu aponta algumas histórias de serial killers colombianos. Curiosamente, a Colômbia é o país latino-americano com o maior número de serial killers conhecido. Números que se igualam ou superam países europeus ou os Estados Unidos.

Mas a parte mais interessante do museu está no andar de cima, onde é mostrado todo o trabalho feito com a polícia colombiana para regulamentar e limpar a instituição. Hoje, na Colômbia, Polícia e Exército são a mesma coisa. Polícia na cidade, exército no campo. Têm os mesmos salários, benefícios (escolas, clubes, hospitais e tratamento psicológico) e honram a instituição a que servem. Ao contrário do Brasil ou do México, são confiáveis. Qualquer dúvida ou ajuda que  precise, vá direto à polícia. São inúmeros os policiais espalhados por Bogotá, facilmente reconhecidos pelo seu uniforme verde.

Bogotá – Dia 1- COLÔMBIA

Bogotá já foi um lugar a ser evitado. Hoje, é uma das cidades mais legais da América do Sul.

Gigante, você pode e deve percorrer apenas da zona norte até o centro. De Bogotá Sur em diante, o risco é seu. Por todo dia, todos reforçam: “puedes caminar bonito, con traquilidad”. À noite, evite o centro. E, de dia, evite a zona sul, que concentra a maior parte do pobreza e dos homicínios da megalópole colombiana.

Pra ficar num belo bairro residencial (Morato) e ser tratado com muito carinho e dedicação, recomendo o Hostal Bogotá Real. Se quer um hotel mais sofisticado, vá direto para a Zona Rosa. É lá também que você pode terminar seus fins de tarde, circulando em uma área grande que reúne shoppings, lojas, cafés, bares, todos interligados e festivos. Algo similar aos Jardins, em São Paulo.

O transporte pela cidade deve ser feito pelo Trânsmilênio, sistema semelhante ao metrô, porém feito com ônibus articulados (brasileiros, inclusive) que te levam de norte a sul da cidade, e de leste a oeste com segurança e rapidez. A exemplo do México ou de qualquer metrópole latino-americana, o transporte público é mais seguro do que os táxis. Sim, em Bogotá é recomendável não pegar o primeiro táxi que aparecer na rua, apesar do preço ser tentador. Se estiver cansado, entre num hotel ou num restaurante e peça para chamarem um pra você.

Mas o passeio em Bogotá deve começar mesmo pela parte mais bonita e histórica da cidade: a Candelária. É lá que se localizam o Museu Botero (que não é grande, mas é interessante), o Museu do Ouro, com a maior coleção de ouro pré-colombiana do mundo (belíssimo), a rua das joalherias e a praça central do poder, que é o lugar mais seguro do país.

Na praça do palácio Nariño, sede do poder executivo, estão também o poder legislativo (num palácio em estilo napoleônico) e o poder judiciário, além da Igreja, que até a década de 90 apitava na Lei colombiana.

O céu cinza constante da cidade e temperatura baixa o ano inteiro fazem o clima ficar quase sempre soturno. Dá até um pouco de medo, levando em conta toda a história violenta que já caracterizou a Colômbia e faz parte de nosso imaginário. Mas rapidamente você se acostuma com o local onde está. E com a altura, que dá um pouco de dor de cabeça no primeiro dia. Afinal, Bogotá é uma das cidades mais altas do mundo, localizada a 2.600m acima do nível do mar, em plena Cordilheira dos Andes.

Para comer, Bogotá tem ótimas opções. Você pode pedir o ajiaco, prato típico colombiano, em qualquer lugar que tiver oportunidade.

Mas são destaques na cidade três redes que garantem alta qualidade no que servem: Café Juan Valdez, Crepes n Waffles e Corral Hamburguesas.Se você faz uma conexão em Bogotá, pode experimentar qualquer uma delas no próprio aeroporto. Na cidade, estão espalhadas em vários bairros, inclusive nos shoppings e nos museus.

A colombiana Crepes and Waffles finalmente desembarcou no Brasil. O que tem de legal a Crepes and Waffles além de crepes, waffles, sopas e sorvetes maravilhosos? Sua missão e seus valores. A rede tem em sua maioria funcionárias mulheres, quase todas mães de família, que têm papel ativo na economia do lar. Ou seja: na visão da empresa, devem valorizar o trabalho, a produção cuidadosa dos alimentos e o modo de servir.

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De entrada, sugiro o Elixir. É um suco de amêndoas com maçã verde, uva verde e uva roxa.

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Pode ir também direto na salada mediterrânea, fartamente servida com camarões, lulas, azeitonas, folhas e molho pesto + mostarda.
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A sobremesa era o melhor. É muita opção e você pode pedir o cardápio com fotos para ajudar a escolher. Para ajudar mais ainda, vá até o balcão experimentar os sorvetes que acompanhavam os crepes ou waffles. Experimente o inigualável sorvete de amêndoas com pedaços de amêndoas ou o de laranja, aguado e refrescante.

A El Corral alerta em seus sanduíches: aqui, um produto extremamente fresco. Consuma o quanto antes. E é verdade. Para quem gosta do formato, o deles é espetacular, seja nos fast foods espalhados ou ainda nas versões gourmet presentes em alguns endereços.

A fama do café colombiano é internacional graças um produto de qualidade (tão bom quanto o brasileiro) e um marketing mais eficiente que o nosso. Na Colômbia, a paixão pela bebida é mais sofisticada. Bogotá não é Roma nem Nova York, mas é dominada pela rede de cafés qualificados Juan Valdez. Inspirado na Starbucks – e principal empecilho de posicionamento para que a rede americana ingresse no país sulamericano -, o Juan Valdez tem expressos fortes, descafeinados, gelados, incrementados, além de doces e salgados deliciosos para acompanhar. Tudo num ambiente moderninho. Para arrematar, os cafés da rede estão espalhados pelos melhores endereços das principais cidades colombianas.

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Juan Valdez no Museo Botero, em Bogotá