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Eilat/Petra – Dia 1 – ISRAEL e JORDÂNIA

No extremo sul de Israel, o balneário de Eilat é algo assim, digamos, exótico de se ver. 40ºC no verão, cerca de 20ºC no inverno, a praia de Eilat é no Mar Vermelho, com águas limpas e nem sempre mornas. É possível chegar à cidade de ônibus que partem de Jerusalém ou Tel Aviv, ou mesmo em voos rapidíssimos e baratíssimos de avião para o seu pequeno, mas ultra-fiscalizado aeroporto.

Aliás, o aeroporto de Eilat faz parte do cenário da cidade. Aviões sobem e descem nas nossas cabeças enquanto passeamos pela rua dos principais hotéis e do antigo centro.

Meu propósito de ir a Eilat era unicamente conhecer Petra, na Jordânia, pois em Eilat está estabelecida uma das primeiras fronteiras amigas entre Israel e Jordânia. Ainda assim, me deram a dica de aproveitar o balneários: Eilat é bom pra compras.

R$ 50,00 pelo par de Havaianas?

Depende. Há grandes marcas americanas nos shoppings de uma zona que deveria ser tax free. Mas isso só significa que vão colocar os preços numa proporção em que o comerciante vai ganhar mais. Tel Aviv continua sendo mais barato e mais seguro para compras que Eilat ou a caríssima Jerusalém. Sim, porque em Eilat é comum ver réplicas de óculos Ray Ban em óticas que atestam-se por originais. A falsificação beira a grosseria. Melhor ficar com o mercado árabe também presente no local, vendendo tapetes, narguiles e outras quinquilharias.

A noite de Eilat tem aquela vibe cafona de balneário, com festa de gente gritando u-huuuu. Mas há excelentes DJs de música eletrônica, principalmente no verão. É questão de estar ligado na programação, dovulgada amplamente em todas as lojas e cafés da cidade.

Comer nas churrascarias kosher tende a ser mais caro do que nos restaurantes de fruto do mar. É só pesquisar. Se quer algo exótico, o parque de diversões temático do Rei David pode fazer seu gênero. Se sua noite for apenas uma espera para a ida a Petra no dia seguinte, passeie pela orla, faça cautelosamente as suas compras, veja o povo desfilar (franceses e russos em peso)e tome um sorvete numa das filiais da rede Aldo. O quebabe na mesma loja também é excelente.

E uma dica importante: guarde o recibo de tudo em Israel, porque eles ajudam a explicar o que você foi fazer no país nos interrogatórios dos aeroportos e da fronteira para a Jordânia, que eu encararia no dia seguinte.

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Jerusalém – Dia 1 – ISRAEL

Israel não é um país para principiantes. Se você viaja sozinho, prepare-se para o interrogatório sistemático e sem tréguas que vai sofrer antes de entrar no país. Sim, o interrogatório sobre seu destino, o porquê de viajar sozinho, o itinerário pelo Oriente Médio, a inspeção detalhada de sua bagagem de mão e a despachar acontecem no aeroporto de São Paulo ou em qualquer outro aeroporto do mundo por onde você for fazer conexão para voar pela El Al ou qualquer outra companhia que vá ou saia do país.

As autoridades de aeroportos israelenses vivem ao redor do mundo num esforço grande de minimizar qualquer ato de terrorismo aéreo. Falam perfeitamente a língua do país no qual residem e tendem a ser mais tolerantes com famílias.

Uma vez embarcado, sair do aeroporto de Ben Gurion, que atende praticamente todo o país, é até tarefa mais simples do que entrar nele.  Um olá, um simples carimbo no passaporte e, pronto, você está em Israel.

Meu primeiro destino foi Jerusalém, para onde você pode ir de maneira muito rápida e barata diretamente do aeroporto de Tel Aviv. Não pegue o trem, que é devagar. Basta ir ao guichê de informações e perguntar de onde saem os shuttles para Jerusalém. Uma vez informado, pague uma quantia moderada e em cerca de 40 minutos você está na terra sagrada, em frente ao seu hotel.

Jerusalém fica nas montanhas. Tida pelos israelenses como capital federal, não é reconhecida como tal pelos países membros da ONU. É só reparar que todas as embaixadas encontram-se em Tel Aviv.

A cidade é o epicentro de um conflito que não consigo vislumbrar quando poderá encerrar. Foi lá que os judeus construíram seu templo sagrado, destruído pelos gregos e novamente pelos romanos. Depois, durante a conquista do império otomano, o templo teve sua chance de ser reerguido quase aniquilada: os islâmicos acreditavam que exatamente no mesmo lugar onde foi construído o templo judeu o profeta Maomé, fundador do islamismo, subiu aos céus. Ali ao lado já havia sido construída a igreja do Santo Sepulcro, com uma  cúpula de presença marcante no visual da cidade.

Mas para homenagear seu profeta maior, o império muçulmano construiu a mesquita do Domo da Roca, com uma abóbada dourada.

O templo judeu como já foi antes de sua última destruição.

O interior do Domo da Roca: você só entra se for muçulmano.

Conclusão: para reerguer o templo judeu, teria que se destruir o Domo da Roca, pois ele está erguido acima do muro das lamentações, muro originalmente parte do grande templo judeu.

É nesse muro que judeus do mundo inteiro rezam, fazem pedidos, bar mitzvas e se emocionam. Homens à direita, mulheres à esquerda e você pode entrar e também admirar a fé.

Acima, para visitar o Domo, os horários são mais restritos. A visitação dura 3 horas por dia e não se pode entrar na mesquita sagrada, a não ser que você seja muçulmano. Isso ocorre desde que, em 2001, um judeu radical plantou uma bomba em seu interior.

Ambos os templos ficam dentro da Cidade Velha, quase um parque temático da fé. Atrás de seus muros, ela divide-se em 4 áreas: judaica, muçulmana, católica e armênia.

A região é fascinante e chega a ser divertido perder-se em seu interior. Foque no que interessa e você pode dispensar os guias que se oferecem para acompanhá-lo. Ir até o Santo Sepulcro é conhecer o local onde Jesus supostamente foi crucificado, tirado da cruz, enterrado e de onde ressuscitou.

A Basílica do Santo Sepulcro.

O local onde jesus foi enterrado.

Daqui, Jesus supostamente ressuscitou.

Ao atravessar a Via Dolorosa, esbarra-se em vários locais que contam o que ocorreu no trajeto de Cristo à sua morte. É possível ver atos de fé de gente de todo o mundo repetindo a trajetória e carregando a cruz, como este grupo de chineses.

Chegando à cidade armênia, há um restaurante de comida amêrnia típica interessante, gostosa e barata bem na porta de uma igreja cristã-ortodoxa, perto do ponto V (5) da Via Dolorosa. Sente-se, peça seus kebabs ou suas mussaka e aprecie o movimento.

A não ser que você seja extremamente religioso, não vale a pena hospedar-se dentro da Cidade Velha. A Jerusalém moderna é também interessante, mas é uma cidade extremamente tensa e circunspecta. Aos sábados e até mesmo às sextas após o almoço, tudo fecha por causa do shabat. Quem não fecha sofre pressão religiosa para fechar e raramente consegue manter o estabelecimento de pé. Então, para ir a Jerusalém, prefira de domingo a quinta-feira.

Perder-se na Cidade Velha é misterioso. Atravessamos o mercado muçulmano e praticamos o ato de pechinchar. São vendidas panelas para cozimento de carne até pulseiras com a bandeira do estado não-reconhecido da Palestina – prepare-se para explicar no aeroporto o porquê de ter comprado uma dessas pulseiras.

Encerre ou comece sua visita pelo castelo do Rei David, de onde terá uma visão fascinante da Cidade Velha e conhecerá a história de Jerusalém – vale muito a pena assistir ao filminho que conta sobre as guerras e as conquistas da cidade. Consegue ser imparcial, apesar de tudo.

Do lado de fora do portão de Jaffa, esconde-se um gigantesco shopping center onde você pode encerrar a noite. Acredite: vai ser um dos pontos de maior movimento da cidade, que vive devota ao turismo religioso e mantém-se discreta quando o assunto é diversão e compras.

TEL AVIV – Dia 1 – ISRAEL

Um pouco de Miami, um pouco de Rio de Janeiro, um pouco de de nada disso: Tel Aviv é uma cidade única e tão bela quanto as duas citadas anteriormente. A segunda maior cidade israelense em nada tem a ver com a grande Jerusalém. Tel Aviv é menor, mas é mais aberta, moderna, urbana e cosmopolita que a metrópole principal do país.

É possível conhecer a cidade inteira a pé. E o ponto de partida pode ser o Cinema Hotel, perto do Dizengof Center. Todas as lojas de rua e os cafés fazem da região um local muito charmoso. Em Tel Aviv, ao contrário de Jerusalém, as pessoas correm nas ruas, passeiam com seus cachorros, fazem cooper, sorriem, pintam cbelo, beijam-se (inclusive casais homossexuais) e cumprimentam-se. A cidade parece uma grande Ipanema, mais limpa, mais segura e mais organizada, naturalmente.

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Comece o dia em direção à praia, caminhando pelas butiques Por lá, vocÊ pode esticar sua canga e tomar um sol e apreciar o surfe no Mediterrâneo enquanto um esporte originalment ebrasileiro é praticado às multidões na parte de trás: o frescobol.

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Tel Aviv respira design e arquitetura em tudo. É uma obsessão da cidade pelo estilo moderno de seus edifícios e pela manutenção da arquitetura Bauhaus, tão estudada pelos judeus ma Alemanha aprender arquitetura nas décadas de 40 e 50 e voltavam para por em prática em seu país tudo o que viram. É por isso que Tel Aviv tem a maior coleção de prédios em estilo Bauhaus do mundo.

Repare que a praia em Tel Aviv não permite construções residenciais. Só hoteís e estabelecimentos comerciais. Motivo: acesso a todos à vista e às belezas da orla, sem privilégios.

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Apesar de estar em Israel, você pode comer o melhor hambúrguer do mundo, sem exagero, num restaurate em Tel Aviv que até tem outras filiais pelo país: o Agadir.

Tel Aviv – Dia 2 – ISRAEL

Jaffa é uma pequena cidade ao lado de Tel Aviv que faz parte da mesma municipalidade. É visita obrigatória por sua linda arquitetura e suas ruelas cheias de restaurantes e galerias de arte. É longe para ir andando, então pegue um táxi e parta direto pra lá.

De Jaffa, aconselho a voltar andando para o centro  Tel Aviv passando por antigas e interessantes áreas da cidade.

Na subida para Jaffa, aos sábados, um mercado das pulgas vende de tudo. Nos bares ao redor, toma-se cerveja e chá gelado.

Mais adiante, a Hatachana é uma antiga estação de trem que, hoje, renovada, abriga galerias de arte, lojinhas, restaurantes e uma sorveteria ótima.

Seguindo em frente, continua-se andando por bairros e mais bairros sofisticados da cidade, que foram os primeiros bairros judeus, amplamente ocupados quando Hitler assumiu o poder na Alemanha. Foi a época em que a população de Israel aumentou significativamente.

O passeio por dentro da cidade, partindo de Jaffa, pode direcionar-se à prefeitura. Lá foi onde o premier israelense Issac Rabin foi morto por um fanático judeu após o discurso de paz em plena comemoração de estabelecimento amigável de fronteiras com a Jordânia. O local onde foi morto, as homenagens e os passos dos principais coadjuvantes do episódio ocorreido em 1994 estão lám marcados, lembrando a história recente do país.

Tel Aviv – Dia 1 – ISRAEL

A chegada mais comum a Tel Aviv é pelo aeroporto de Ben Gurion. Ben Gurion é “o” aeroporto de Israel. Já foi o maior aeroporto do mundo. Continua gigante e distante do centro da cidade. Apesar de Israel não ser exatamente caro para brasileiros- também não é barato – um táxi a partir do aeroporto para o centro de Tel Aviv custa muito. O ideal é ratear. Sempre tem alguém na fila disposto a isso.

Tel Aviv é menor que Jerusalém, mas é mais cosmopolita, mais moderna, com mais arranha-céus e mais tolerância às diferenças. As coisas funcionam bem aos sábados (comércio, cafés, restaurantes). Sim, porque sábado em Jerusalém é um dia morto devido ao sabbath.

Se seu tempo é curto na cidade, você pode se hospedar num hotel-butique. O Hotel Cinema tem quartos excelentes, com todas as amenidades que um hotel-butique pode ter. No terraço, uma vista linda da cidade, com ofurô, sauna e chá com bolos e biscoitos à vontade. E o que é melhor: ele está dentro de um antigo cinema de Tel Aviv, todo projetado com arquitetura Bauhaus.

A Bauhaus funcionou na Alemanha entre 1919 e 1933. Era uma escola de design, artes plásticas e arquitetura. Foi popular entre os israelenses porque Tel Aviv era ainda jovem nesta época e muitos judeus aproveitavam para estudar fora, tendo a Alemanha como país de preferências. As práticas de arquitetura apreendidas eram naturalmente aplicadas naquela  cidade que desenvolvia aceleradamente: Tel Aviv.

Apesar de simples, com linhas retas e cores claras, a arquitetura Bauhaus é interessante e deixa Tel Aviv muito harmônica. Arrisco dizer que é uma das cidades mais bonitas do mundo.

Tel Aviv tem mulheres de cabelos soltos e saias curtas, muitos jovens, muitos casais gays nas ruas, muitos surfistas e outros praticantes de um esporte genuinamente brasileiro: o frescobol.

As praias em Tel Aviv são no mar mediterrâneo. Há uma certa divisão, pois há trechos de areias mais frequentados por gays e outros frequentados por judeus exclusivamente ortodoxos.

A preocupação da prefeitura com a harmonia da cidade é enorme. Há iniciativas para reciclar o lixo, para manter fachadas originais dos edifícios Bauhaus, mesmo com as reformas, e há ainda uma interessante lei que proibe propriedades privadas à beira mar. A orla deve ser de todos, então só hotéis e comércio estão autorizados a construir.

Cominhe a pé a partir do chafariz mais famoso da cidade pela rua Dizengoff. Dali, vá em direção à praia. É só perguntar, sem medo de se perder. E veja como a cidade é 100% ocupada por pessoas nas ruas, comércio e prédios belos.

Repare também que praticamente todas as embaixadas estão em Tel Aviv. A ONU não reconhece Jerusalém como capital de Israel, mas sim como entreposto internacional.

Ao final do dia, pode parecer estúpido num país do Oriente Médio, mas se você tiver interesse em provar o melhor hambúrguer da sua vida, recomendo uma parada na Agadir. Há alguns restaurantes em Tel Aviv. É hambúrguer como sempre deveria ter sido. Você sente cada pedaço de carne picado unido para fazer o que chamamos de hambúrguer. Não é barato, mas vale muito a pena. A única coisa que você não vai conseguir incluir na sua montagem é o queijo devido à incompatibilidade com a crença judaica.

E uma curiosidade: numa rua de um dos bairros mais caros de Tel Aviv, uma pequena banca está lá há anos para que as pessoas deixem os livros que não querem mais. Você pode pegar qualquer um dos livros da estante, desde que deposite 5 Shekels (cerca de 3 reais) num cofrinho. O depósito serve para manter o local.

Jerusalém – Dia 2 – ISRAEL

Passar a noite em Jerusalém é mais interessante ao lado da Rodoviária da cidade. De lá, você toma ônibus para Israel inteira, come comida boa e barata, apesar do aspecto um pouco sujo e da exposição sem proteção higiênica. O ambiente ao redor da rodoviária é, como em toda cidade, levemente tenso. Não há perigo de assalto ou coisa do tipo. Há muitos mendigos, inclusive judeus ortodoxos, pedindo dinheiro. Para entrar ou sair da rodoviária, você passa por revistas constantes, inclusive de todos os objetos que levar na sua bolsa.

De lá, é possível ir a pé para a Cidade Velha, de tram. De lá ainda é possível tomar um táxi e rapidamente estar no magnífico museu israelense.

Reserve algumas horas para a visita. O museu conta com uma impressionante coleção de obras de arte contemporânea e um acervo respeitoso de pintura moderna.

É interessante que, ao começar a sua visita lá de cima para baixo (suba todas a escadas do lado de fora), você acaba acompanhando a evolução das artes plásticas no Ocidente e tendo um panorama completo de seus principais expoentes.

O museu ainda reserva um espaço dedicado ao design, pauta em ascensão em Israel e com destaque merecido principalmente em Tel Aviv, cidade que respira design em tudo.

Ao lado de fora, é possível visitar a maquete que monstra como era a Cidade Velha de Jerusalém antes de ser conquistada pelos gregos. É possível ver o tamanho do Grande Templo e o castelo do Rei David. Foi interessante porque esse foi um dos momentos em que eu tive a real dimensão de estar pisando numa terra tão importante para diferentes religiões e que, ao longo de toda a sua história antiga, atual e futura, é palco dos conflitos que ocorreram ou estão por vir. A importância de Jerusalém para católicos, judeus e muçulmanos é ímpar. Eu, brasileiro, via a situação ser resolvida de forma muito fácil. Acostumado ao sincretismo que reina em meu país e à tradição da minha cultura de esquecer o passado e só olhar pra frente, pensava: “bom, já que hoje o templo foi destruído e construída a mesquita em cima dele, assim teremos que viver, meus amigos: um pouco para cada religião, sem estresse”. Mas a história recente mostra que a situação não é tão simples. Primeiro, porque a ONU considera a ocupação de Jerusalém por parte de Israel como ilegal. Segundo, porque todos os países do Oriente Médio, com exceção da Jordânia, do Líbano e do Egito, não reconhecem o estado judeu e se sentem ainda mais afrontados por ter Jerusalém, cidade sagrada para suas religiões, sob seu controle.

Num pavilhão mais abaixo, estão expostos os pergaminhos achados no Mar Morto. O Mar Morto é um gigantesco lago de água salgada, sem vida alguma, que separa Israel da Jordânia. Os manuscritos são tidos como fonte do primeiro livro dos judeus, daí sua importância histórica.

Finalizando a visita, a loja do Museu Israelense merece a entrada porque é sensacional. É gigante, tem aqueles itens de loja de museu que são irresistíveis e ainda tem bom preço.

Eilat/Petra – Dia 2 – ISRAEL e JORDÂNIA

Apresentada ao imaginário brasileiro em 2009 durante a novela Por Amor, a Jordânia, com Petra, a cidade encravada nas pedras, é um país rico e civilizado no Oriente Médio. Tem alguns dos mesmos encantos naturais que Israel: o deserto da Judeia, o Mar Morto e o Mar Vermelho ao sul, na cidade de Aqaba.

Sua capital, Aman, não é uma cidade exatamente bela. É um colosso da cor bege em pleno deserto, que pretende se tornar um polo de negócios em pleno Oriente Médio.

É possível e fácil ir a Petra a partir de Aman. Muito fácil mesmo. Na Jordânia, o povo fala inglês e todos são prestativos e educados. Mas eu preferi ir direto de Eilat e ter minha experiência de fronteira. Do lado de Israel, mais tecnologia e mais clareza na burocracia. No lado da Jordânia, tudo, aos nossos olhos, mais exótico: imensos cartazes do rei e seu pai, o povo inteiro de lenço vermelho na cabeça, oficiais recolhendo passaporte aos montes para carimbá-los sequencialmente e e entregá-los de volta ao seu guia em lotes e uma loja simples, mas divertida, de chá e souvernirs. Do lado de Israel, o ônibus do tour nos deixava e nos orientava a procurar o ônibus do lado da Jordânia. Os procedimentos de fronteira eram por nossa conta.

Símbolo da amizade restabelecida entre Jordânia e Israel, mediada por Bill Clinton e culminando com o episódio que assassinou o premier Issac Rabin, a fronteira de Eilat com Aqaba controla o fluxo diário de milhares de turistas que partem principalmente de Israel rumo a Petra. Chegando a Aqaba, no lado da Jordânia, embarcamos em um ônibus com um policial particular responsável por cada grupo individual de turistas. Uma espécie de tranquilizante contra possíveis terroristas, já que a Jordânia é nação amiga do Iraque, do Irã, da Síria e de todo o Oriente Médio.

Atravessamos o deserto em direção à cidade de Wadi Musa (Vale da Lua), porta de entrada para Petra.

Petra, na Antiguidade, assim como são hoje Cingapura ou Dubai, era uma cidade autônoma, para a insatisfação dos imperialistas romanos. Eles tiveram muito trabalho para conquistá-la, pois a cidade está inteiramente construída a partir um paredão de pedra. A cidade é gigante, com prédios, templos e casas encravadas nas montanhas. Detalhe: só 10% ainda foi escavado. O resto ainda está por vir. E o que se revela já é impressionante.

A visita dura o dia inteiro e o passeio é marcante não só pelo contato com a antiga cidade como também pela notória diferença entre os povos árabes e judeus. Pela proximidade e pela amizade hoje existente entre a Jordânia e Israel, a visita a Petra é a oportunidade de ter contato num mesmo dia com dois tipos de estados regidos por conceitos, leis, povos e atitudes diferentes. 

Tel Aviv/Jerusalém – +1 – ISRAEL

O passeio do dia extra em Tel Aviv ou Jerusalém é imperdível. Num mesmo tour, você pode bookar Masada e Mar Morto, pois os dois passeios são impressionantes e fazem parte das experiências que vocÊ merece ter na sua vida.

Passando pelo deserto da Judeia, que povoa o imaginário cristão por ter sido o lugar onde Jesus vagou 40 dias entre o encontro íntimo com seu Pai e esquivando-se das tentações, chegamos a uma imensa lagoa azul, pouco navegada, quase estática. É o Mar Morto.

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Pela estrada, o mar, à esquerda, não dá sinais de praia. Cristais pontiagudos se formam nas margens, sinaliando perigo cortante para os pés. Sim, é preciso ter lugar próprio para entrar e anhar-se nas águas reparadoras. Numa praia própria para isso, você paga uma quantia e tem direito ainda a banhos depois de entrar no Mar Morto. Isso porque sua pela sai com um aspecto tão estranho que é quase impossível voltar para casa sem lavar-se.

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Afundei minha cabeça antes de ler o aviso que isso é proibido. Todos os microcortes do meu corpo, que eu nem imaginava que poderiam existir, ardiam igual ao mármore do infermo. A água tinha um gosto envenenado de sal – se engolir, avise imediatamente o staff porque vão te ajudar a botar pra fora. A lama viscosa vocÊ pode esfregar no rosto. Acredite: sua pele fica uns dois dias igual a um veludo, hidratada ou seca na medida certinha. Não tente nadar, pois é impossível, e tente afundar, que é igualmente difícil. Muito cuidado com os pés, mesmo na área própria para banho, pois os cristais formados no fundo podem cortar.

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Bem próxima à praia do Mar Morto, fica a entrada para a cidade oculta de Masada.

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Masada foi descoberta em cima de um plateau na primeira metade do século XX. Foi abandonado até a criação do Estado de Israel após a Segunda Guerra Mundial. Extensas escavações foram feitas, juntando os pedaos para contar a história de um local sede de resistência judaica durante a ocupação romana. Quando Heródes construiu Masada e, lá, seu palácio, queria uma cidade autosuficiente, inclusive com água potável.

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O sistema de abatecimento a partir das cheias do Rio Jordão é explicado em maquetes na visita a Masada, impressionando pela capacidade de engenharia que os antigos possuíam.

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O local foi palco da resistência dos judeus quando a religiõao judaica foi proibida em toda Roma. Là, se exilaram, lutaram, venceram (é só ver a quantidade de fortalezas romanaas ao redor da cidade, construídas ao longo de sua extensa tentativa e ocupação) e lá mesmo os judeus se suicidaram, matando insluvice mulheres e filhos para render-se jamais.

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Hoje, Masada é um sítio arqueológico surpreendente; você assiste ao filme sobre o local, sobe e desce de bonde e passeia pelas ruínas, além de ter uma vista extonteante de toda a região do deserto da Judeia e do Mar Morto. Impervídel!

Jerusalém/Belém – ISRAEL

Belém

Não recomendada a israelenses ou americanos, a visita a Belém, partindo de Jerusalém, torna sua viagem à Terra Santa muito mais emocionante. Belém, na visão de Israel, está atualmente ocupada por palestinos, fazendo parte do West Bank ou a Cisjordânia, território onde está a Palestina, situado entre Israel e Jordânia.

Viajar à terra onde supostamente nasceu Jesus tem sua carga de emoção. E não é de religião que estou falando. Peguei um táxi na saída da Cidade Velha de Jerusalém, em frente ao Monte das Oliveiras (local onde Jesus foi capturado e entregue aos romanos).

Corremos 18km de carro e o taxista me disse: “prepare o passaporte. vamos ter que passar pelo checking”.

Meu passaporte estava no hotel, avisei. Ele disse que eu, entrando e saindo com ele, não teria problema. Desconfiei, mas fomos em frente.

Chegamos em um local em que tivemos que deixar o táxi e atravessar a pé. Me disse o taxista que, se eu estivesse de passaporte, poderíamos até ir de carro. Mas, como iríamos a pé, um carro já nos aguardava do outro lado.

Passamos por uma barreira semelhante a um presídio. O taxista me segurava e pedia para o guarda israelense, que não devia ter nem 18 anos (sim, em Israel, todos servem o exército por 2 anos a partir dos 16, incluindo mulheres. Cuidar das fronteiras é uma das atividades recorrente).  Passamos sem problemas e, do outro lado, uma espécie de boy palestino nos esperava num carro esportivo moderno.

Entramos e fomos diretamente a uma loja de souvenir onde um guia me levaria à igreja construída no local de nascimento de Cristo. Para lá fomos e de lá partimos para a igreja. Era dia 27 de dezembro, então Belém estava totalmente enfeitada para o Natal e lotada de cristãos, sejam eles católicos ou não. Sim, lá aprendi que o cristianismo tem 4 tradições, porém todas acreditam na Santíssima Trindade (o Pai, o Filho e o Espírito Santo). E cada uma das 4 tradições tem uma capela em Belém, formando uma imensa igreja.

Local onde supostamente Jesus nasceu.

Foi no mesmo passeio que comecei a entender melhor a situação palestina. Não têm moeda por não terem um Estado reconhecido. Nada tem taxa. Mas têm um departamento que cuida do trânsito, escolas e universidades. Não é simples de acompanhar. Lutam pelo reconhecimento de seu Estado e adoraram saber que eu era brasileiro. Sim, foi um alívio, porque por momentos me perguntava se eu estaria sendo sequestrado durante o tour.

Os muros que separam o West Bank do restante de Israel são enormes e tão feios quanto os de Berlim. Palestinos jogam bombas eventualmente para o outro lado e estendem bandeiras de protestos. Veem-se confinados, e precisam ir a Jerusalém quando, por exemplo, dependem de um hospital. Israel, que vê Belém como parte de seu território, entendeu que esta seria a melhor forma de cuidar do local: isolando e controlando as idas e vindas enquanto não se chega a um consenso sobre a situação do lugar. E o consenso parece estar longe de ser atingido.

Na fronteira, na volta, depois de todas as revistas, a cena era a seguinte: uma mulher, com algumas filhas, explicava para o guarda israelense que tinha autorização do governo para ir ao hospital em Jerusalém. Algo não estava de acordo para o guarda que cuidava da fronteira, e ele balançava a cabeça negando-lhe passagem, para o desespero dela, que começou a gritar. Ficava tensa a situação e o taxista que fez o tour comigo furou a fila – hábito comum em Israel – para avançarmos.

Deve ter explicado em árabe ou hebreu minha situação: sem passaporte fazendo um tour em Belém. Novamente, o guarda balançava a cabeça e tudo indicava que eu não voltaria para Jerusalém.

Pediram minha identidade, e passei minha CNH brasileira. No computador, nenhum registro meu. Percebia que o taxista e o guarda não se entendiam. Afinal, não era mais o mesmo guarda que estava por lá pela manhã. Uma luz me fez intervir e mostrar o cartão/chave do Jerusalém Gate, hotel em que eu estava hospedado na cidade, além de falar que sou brasileiro – isso abre portas! E abriu rapidamente. Alívio. Achei que ia ficar por lá.

Ou seja, se for visitar Belém, programa-se antes, porque vale a pena, mas leve seu passaporte.