Arquivo da categoria: Argentina

El Calafate – Dia 2 – ARGENTINA

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Meu país amado, a Argentina… Muitas surpresas, muita comida boa, muita coisa linda.

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Comprei um tour de El Calafate a El Chalten, cidadezinha linda e novinha debaixo de um lindo pedregulho. De lá, partimos de barco para um trecking no glaciar Viedma, ainda maior que o Perito Moreno, porém não tão lindamente esculpido.

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O Viedma impressiona pela grandez. Falar assim em trecking pode impressionar, mas os procedimentos são seguros e tranquilos. Basta seguir cada passo exato do guia.

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E apesar de vermos muitas pessoas escalando as paredes do glaciar, fique tranquilo, pois não é o nosso caso.

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El Calafate – Dia 1 – ARGENTINA

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Um dos lugares mais lindos do mundo está no continente sul-americano, há aproximadamente 5 horas de voo do Brasil. El Calafate está no extremo sul da Argentina, é de fácil acesso a partir de Buenos Aires e tem o azul argentino no céu, na águas e nos seus glaciares.

A melhor época para ir é o verão, quando o céu está azul até 23h, quando começa a manifestar outras cores antes de anoitecer. Então, se você pensa em ir pra Nova Zelândia por causa da natureza, garanto que vai ver coisas semelhantes ou até mais bonitas no sul da Argentina e vai pagar mais barato.

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Ainda assim, Calafate é cara porque pouco produz no loca. É turística e sua comida, bebida e outros itens veem dos grandes centros urbanos do norte do país.

Reservei um motorista para mim, que me pegou no aeroporto. Deixei minhas coisas no hotel e parti para o parque do glaciar Perito Moreno. Os glaciares são formados a partir da neve e do gelo que desce das montanhas e vai se estendendo pelos lagos. Estão em constante movimento. Faz parte dos glaciares irem perdendo gelo em suas bordas. Por isso  mantemos distância delas. E o parque nacional nos convida a ouvir o som do gelo despencando.

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Perito Moreno é o glaciar mais famoso por ser o mais bonito da região. Seu nome é em homenagem ao perito Francisco Pascasio Moreno, que resolveu um imbróglio de fronteira entre a Argentina e o Chile no século XIX, definindo a divisão entre os dois países pelo pico mais alto da região. 8427497774_44fd8e60d4_zVocê deve pegar o barco para se aproximar do glaciar. Apesar do verão, o frio é gostoso, mas não muito intenso. Ainda assim, é fundamental estar bem agasalhado. Ao final do passeio, você também será convidado a percorrer a gigantesca passarela que tem vários miradores do glaciar. É o melhor momento de contemplação da grandeza do local.

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Vão te ofercer o trecking pelo glaciar, mas guarde o fôlego para o glaciar Viedma, no passeio que você pode fazer no dia seguinte via El Chaltén.   8426405951_198e7f3a36_z

Luján – ARGENTINA

Buenos Aires é quase inescapável de tão fascinante que é essa cidade, mas tire um dia para ter uma das experiências mais legais da sua vida, desde que você adore bichos.

Em Lujan, cidadezinha próxima à capital, funciona desde 1994 um zoológico que reúne animais selvagens e silvestres com um diferencial: você pode tocá-los, entrar em suas jaulas, ser fotografado com eles.

São leões, tigres, ursos, elefantes, camelos, lagartos, focas, araras, papagaios, pavões… Todos interagindo diretamente com os visitantes.

Logo na entrada, o visitante já tem a opção de entrar na jaula de um gigantesco leão. O animal, como quase todos os felinos selvagens, dorme durante o dia e é mais ativo de noite. Por isso, raramente está de pé. Você pode se aproximar, tocar no bicho – ele abre levemente os olhos – e tirar uma foto. Só não pode entrar com mochilas, casacos ou crianças pequenas, pois isso pode assustar ou entusiasmar o animal.

Num dos momentos mais tensos e mais intrigantes do zoológico, você entra numa jaula com 4 tigres. Raramente todos estão dormindo. Quando entrei, dois estavam inquietos, caminhando pelo local de olho nos carneiros que descansavam no pário ao lado. Uma fêmea repousava no feno e foi com ela que tiramos fotos.

Na jaula dos filhos de leão, um dos segredos do zoo – além de animais muito bem alimentados – é apresentado. Leões são criados e convivem com cachorros desde pequeninos para que se acostumem à doçura do melhor amigo do homem e peguem um pouco de seus trejeitos. Com os cães são dóceis, acabam influenciando os felinos. E é claro que os felinos também influenciam os cães, pois raramente o cachorro dorme o dia inteiro.

A única jaula em que o visitante não pode entrar é a do urso. Ainda assim, é possível chegar bem perto, alimentá-lo e sentir sua língua. Esse é um animal mais imprevisível e muito forte.

Em todos os anos de funcionamento, o zoo de Lujan orgulha-se de nunca ter tido nenhum acidente. Que siga assim. Uns dizem que os animais estão dopados.  Não creio, pois já visitei templos na Tailândia com tigres e o esquema era o mesmo: há risco de acidente, mas se o animal está bem alimentado, não tem por que ele atacar.

A poucos quilômetros do zoo, está o epicentro da fé católica argentina: a basílica de Nossa Senhora de Lujan.

É uma grande catedral em estilo gótico construída por arquitetos franceses na virada dos século XIX para o XX. Ela abriga a imagem da santa que, fabricada em Pernambuco, ia em 1630 de São Paulo ao interior da Argentina. Ao chegar em Lujan, a carroça que carregava a imagem da santa empacou. Ao tirarem a imagem, a carroça voltou a andar. Na crença católica argentina, era sinal milagroso de que a imagem não queria sair dali.

Apesar de a catedral ter sido erguida muitos anos depois, a virgem continuou em Lujan. E é para lá que milhares de argentinos vão quase todos os dias pagar promessas e exercitar sua fé.

5 Coisas Impressionantes do Mundo…

… que pouca gente conhece.

1. O Buda de Leshan, na China. Situa-se na cidade de Leshan, a duas horas e meia de Chengdu, moderna cidade cravada no miolo do país.

2. A Catedral de Sal de Zipaquirá, na Colômbia. A uma hora de Bogotá, na pequena e charmosa Zipaquirá, um monumento subterrâneo impressionante montado pelos trabalhadores das minas de sal da Colômbia.

3. Museu de Antropologia de La Plata, Argentina. A uma hora de Buenos Aires, a cidade de La Plata já vale a visita por sua beleza. Mas é seu museu de antropologia (que deve ser lido como museu de História Natural) que concentra impressionantes ossadas de animais pré-históricos e morcegos empalhados do tamanho de cachorros de médio porte. Diversão pra toda família.

4. Inhotim, Brasil. A pouco mais de uma hora de Belo Horizonte, o parque do Inhotim é o paraíso para fãs de artes plásticas e um local a ser visitado para quem quer se impressionar com arquitetura, natureza, comida boa e atendimento ao turista de altíssima qualidade. Isso, no meio do nada: a pequena cidade de Brumadinho.

5. Cholula, México. A poucos quilômetros da lindíssima cidade de Puebla, em Cholula, os espanhóis construíram sobre uma montanha uma catedral impressionante. Com o tempo, percebeu-se que a montanha era, na verdade, a pirâmide com a maior base do mundo que, aos poucos, vem sendo escavada e até hoje não se sabe a que povo pré-colombiano pertenceu.

Córdoba – Dia 2 – ARGENTINA

Córdoba é a segunda cidade da Argentina. Não tem a beleza, o ar cosmopolita e as atrações únicas de Buenos Aires. Mas é uma cidade em que 95% das pessoas são lindas e simpáticas. Sem exagero.

Tem uma economia que depende em 65% das exportações para o Brasil, focada em produtos agrícolas e na indústria automotiva – quem não se lembra do Volkswagen Córdoba?

Caminhar pelas ruas seguras e limpas da cidade revela encantos gastronômicos. A população, que está sempre espalhada por suas praças tomando chimarrão ou andando de skate, parece ser vidrada em doce. Há uma vitrine de doceria grudada na outra, uma mais atraente que a anterior. E os doces ma argentina não erram nas combinações limão, chocolate, doce-de-leite, ricota, laranja e creme. São variações e variações dos ingredientes acima, sempre em formatos que agradam o paladar.

Em Belgrano, dezenas de pracinhas com lojas de decoração e roupas, são complementadas por cafés charmosos onde é possível comer tortas de limão ou ricota, alfajores cordobeses (piores que os portenhos), cookies, podins de pão ou flans acompanhados de doce-de-leite, brownies e outros bolos.

Depois, rodar pelo local até 22h tomando café ou chimarrão olhando quinquilharias para casa parece ser a maior diversão no dia a dia da cidade. Não estamos em Palermo, bairro portenho, mas pra ver gente ainda mais bonita e dar uma badalada, o cruzamento das ruas Belgrano com Achaval Rodríguez é o melhor local.

Córdoba – Dia 1 – ARGENTINA

Andar pelo centrão popular e peatonal de Córdoba, na Argentina, é entrar em contato como povão da cidade. A população é amável e educada, diferente dos poteños de Buenos Aires.

No meio das lojas populares, um prédio levemente imponente se destaca: é o mercado municipal, com carnes, temperos, legumes, frutas e vários embutidos. Aliás, vender embutidos parece ser uma das características da cidade, pois são encontrados nas ruas, nos camelôs e nos arredores da capital cordobesa.

Dentro do mercado, a marisqueria Cocina del Fazzio está sempre lotada, mas você consegue facilmente um lugar pra sentar. Se for no balcão, é mais divertido. Os donos são uns bad boys mais velhos, cordobeses, que dão medo no início, mas logo se revelam como a maioria da população da cidade: amável e agradável.

Te convidam para sentar, te oferecem petiscos para experimentar. No cardápio, as especialidades de frutos-do-mar têm preço excelente. E as sobremesas são enormes e caprichadas.

Os donos gostam de colocar o som aos berros enquanto os fregueses pedem garrafas de espumante para acompanhar a comida e o papo. Há placas que lembram da proibição de fumar. Ascenda seu cigarro e os donos vão vir correndo na sua direção com um cinzeiro e um sorriso no rosto. Vai entender…

La Plata – Buenos Aires – ARGENTINA

Situada a 60km da Buenos Aires, a cidade de La Plata é a capital da província de Buenos Aires. Planejada, com ruas largas e arborizadas, La Plata é um dos passeios mais desconhecidos e surpreendentes de quem se aventura a sair pelos arredores de Buenos Aires. A dica então é: fuja do horripilante passeio pelo Delta do Tigre e conheça uma cidade com um dos museus de história natural mais impressionantes do mundo.

O Museo de Ciências Naturales de La Plata fica dentro do campos da faculdade homônima. É passeio pra toda família, pois lá você vai encontrar de incríveis ossadas de dinossauros a morcegos espalhados do tamanho de cachorros!

Continuando o passeio pela cidade, a catedral, que fica na praça principal, também merece visita. É linda e impressiona por ter a torre gótica mais alta das Américas.

Chegar em La Plata é muito fácil. É só comprar seu bilhete de ônibus no terminal Retiro, de Buenos Aires, a principal rodoviária da capital argentina. Aproveite!

Buenos Aires – ARGENTINA

Todo mundo tem uma dica de Buenos Aires. E, pela proximidade e quantidade de voos saindo do Brasil, a cidade é perfeita para dois dias de escape. Pra quem não foi, um city tour tradicional vale a pena. Mas se você quer ir além…

Um passeio em San Telmo, com o famoso mercado das pulgas no domingo, vai melhorar se você tirar uma fotinha ao lado da Mafalda, personagem famosas das tirinhas de Quino. Famosa por seu lado político e existencial, Mafalda é praticamente um alter-ego de seu criador. Por isso, foi traduzida para vários países, incluindo o Brasil.

O simples fato de caminhar por Buenos Aires vai ser altamente agradável. A arquitetura da cidade é muito bonita. Os prédios são impressionantes, afinal Buenos Aires já era uma metrópole enquanto São Paulo era apenas uma cidade provinciana. A primeira linha de metrô do hemisfério foi inaugurada em 1913 e está ativa até hoje. Apesar da idade avançada, a cidade tem planejamento urbano organizado, com quarteirões igualmente distribuídos e avenidas largas, influência claramente espanhola.

Outra caraterística interessante de Buenos Aires é o enorme número de sorveterias espalhadas pela cidade. Os portenhos tomam sorvete em todas as estações do ano, se não me engano, com um consumo per capta que é o dobro do brasileiro. Sorvete lá não é apenas sobremesa: é alimento. A famosa Freddo, que está espalhada por toda a cidade, é prazer sem erro. Só de sabores de doce-de-leite devem ter uns 10, além do sorvete de laranja, tão comum e tão bom na Argentina.

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Se quiser uma experiência mais retro, a Via Flamínia, no meio da Calle Florida (nº 121), perto da Casa Rosada, é escolha perfeita. A sorveteria é bem antiguinha. Tem uns 8 tipos de sorvetes de doce de leite, uns 10 de creme, uns 8 de chocolate, e outros de nozes, amêndoas e frutas. A consistência é perfeita e as porções, exageradas. Acima, sorvete de mousse de chocolate e sorvete de laranja.

Pra comer bem e barato durante o dia, experimente o Club de La Milanesa, que se espalha pela cidade. Para uma experiência mais orgânica e sensorial, tente o Tea Connection (sim, já desembarcou com duas filiais em São Paulo). E, falando em São Paulo, caso queira comer num dos restaurantes da rede Rubaiyat, recomendo o Cabaña Las Lias, em pleno Puerto Madero. Sim, você só vai ver brasileiros, mas a comida vale a pena.

Entre as atrações tradicionais da cidade, um passeio pelo Malba te dará a oportunidade de ver o quadro mais famoso do modernismo brasileiro exposto em terras gringas.

O Museu

O Museu de Arte Latinoamericano de Buenos Aires, o MALBA, expõe a coleção permanente de Eduardo Constantini, milionário argentino do mercado financeiro. O museu, amplo,  moderno e espaçoso, tem cara de shopping center, mas exibe com dignidade uma grande coleção de arte latino-americana do início do século XX.

Um dos quadros mais fomosos do MALBA é o Abaporu, da brasileira Tarsila do Amaral. Pintada em 1928, é a tela brasileira mais valorizada do mundo, tendo sido adquirida pelo milionário argentino em 1995 por U$ 1,5 mi.

O que a tela tem de importante para nós, brasileiros, pouco tem para o mundo. Na época, Tarsila, filha de fazendeiros milionários, foi uma das brasileiras que conseguiram ir estudar na Europa para entender um pouco do que se produzia em arte. A Arte nesta época , como conceito que entendemos, era totalmente europeia. Nem mesmo os EUA tinham artistas expressivos porque todo o dinheiro ainda circulava no Velho Mundo. E o que consideramos arte caminha de mãos dadas com dinheiro.

Tarsila teve aulas com cubistas, escola em ascendência na Europa, e tornou-se amiga do pintor francês Fernand Léger, mas não chegou a desenvolver um cubismo propriamente dito. Muito menos algo contemporâneo com a sua época nos questionamentos que faziam sobre a pintura. A pintora estava concentrada na realidade do Brasil.

O trabalho de Tarsila ainda era mais figurativo e menos desmembrativo, como era o modernismo cubista. O cubismo expõe abertas em uma tela plana todas as faces de uma representação. É quase um exercício, uma insistência de tornar plano o que na realidade é tridimensional. Mas Tarsila estava mais interessada em desenvolver como pintura os fatos da realidades do Brasil.

O Abaporu nasceu como uma tela de presente da pintora para o seu marido, o escritor modernista Oswald de Andrade. O que o Apaporu tem de interessante para nós, brasileiros, é que ele representa nossa primeira tentativa de entender o  que se passa no mundo da arte. Uma tentativa de engolir para depois cuspir. É exatamente esse o manifesto antropofágico de Oswald de Andrade: sermos capazes de assimilar algo de fora para em seguida expelir como algo nosso.

Ainda não havia na época, no Brasil, um pensamento sobre arte, sobre conceitos de pintura, sobre caminhos a tomar. Por isso, a tela e toda a obra de Tarsila são muito relevantes para nós, porém pouco para a História da Arte.

Presente no imaginário de muitos brasileiros, até mesmo dos que não estão envolvidos com arte, o Abaporu tem status de Monalisa no MALBA. A tela brasileira fica exposta atrás de uma proteção de vidro para poupar a tinta dos flashes inconvenientes. A foto abaixo foi tirada sem flash, mas conota até para mim o status de marco turístico que o quadro adquiriu.