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Veneza – Dia 2 – ITÁLIA

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Dessa vez fui a Veneza para visitar a Bienal de Arte. É a mais antiga do mundo e a maior do mundo também – a de São Paulo vem na sequência.

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Entrada do Arsenale

Dividida entre o Giardino (um jardim que abriga vários pavilhões) e o Arsenale (um antigo forte local com gigantescos pavilhões para exposições), a Bienal demanda muito tempo. Fui teimoso e quis ver tudo num dia só, mas confesso que ao final da exposição minha cabeça já não computava o que eu via.

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Havia pavilhões dos países no Giardino. O Brasil estava lá com o artista Antonio Manuel. Mas gostei mais das obras doa pavilhões da Polônia, que trouxe um vídeo de uma ópera encenada em uma vila no Haiti….

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Da Romênia, que trouxe a pintura do artista e sua visão sobre o evolucionismo de Darwin. Da França, em que a artista colocou uma árvore para andar…

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E do Uruguai, com um delicado trabalho em papel do artista Marcio Maggi.

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Achei o Giardino da Bienal com uma vibe meio Inhotim. 

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De lá, peguei o barco rumo ao Arsenale para continuar a visita. E terminei o dia comendo um macarrão a carbonara no primeiro restaurante que achei pela rua. A Itália tem dessas vantagens: como a comida é simples, é difícil você comer mal. Ainda assim, considero o país caro pelo que servem. Em Portugal, por exemplo, come-se infinitamente melhor e com mais qualidade por um preço mais justo.

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E a última dica: se você usa óculos como eu e procura sempre armações diferentes, há uma ótica em Veneza que tem produtos exclusivos e de qualidade: Ottica Mantovani. Não é baratinho, mas também não é caro. A fabricação é própria e só vendem no local. Passa lá.

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Paris – Dia 1 – FRANÇA

Todo mundo tem mil dicas e mil visões sobre Paris. Conheci a cidade em 1997. Era a primeira vez em que eu ia pra Europa, com meu dinheiro juntado num voo Rio-GRU-Recife-Zurich-Paris da Vasp! Achei tudo ótimo e divertido. E lembro que uma amiga foi me receber no aeroporto e a sensação que tive ao sair do metrô na Rua de Rennes, onde ficava meu hotel. As calçadas eram perfeitas, era tudo eficiente mas a grande maioria dos prédios era muito antiga. Eu me sentia de vato no velho mundo.

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Meus pais, ainda casados, estavam também na cidade e foram me encontrar no meu hotel. Eles estavam no lado da Opera, do outro lado do Rio. E eu do lado boêmio. Lembro que fiz tanta coisa naquele dia, mas tanta coisa… Não sei como aguentei. Mas lembro de a gente indo do Café de Flore, em Saint Germain de Prés. De lá, minha amiga Bia me encontrou de novo e subimos a Torre Eiffel, que é um programa que precisa ser feito porque, por mais que já existam estruturas muito altas no mundo e eu já ter subido em muitas delas, nada nunca me deu a sensação de estar tão alto quanto no dia em que subi a Torre Eiffel. Talvez pelo fato de o gabarito da cidade de Paris ser baixo e a torre erguer-se por mais de 300m em meio aqueles prédio baixinhos. Ainda tive a sorte de não pegar muita fila e poder ter visto o por do sol lá de cima. Na época, não tinha máquina digital. Tenho alguns registros, mas nunca digitalizei.

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Lembro ainda que depois disso encontrei meus pais e fomos no Louvre num esquema ver e dar check na Monalisa, na Venus de Milo, na coleção egípcia. Tudo muito rápido e intenso para depois voltar para o hotel e dormir!

Era inverno e agora eu tive a oportunidade de ir de novo no verão, o que é diferente, pois a cidade, que já é a mais visitada do mundo, fica ainda mais abarrotada de turistas, o que é espantoso. Paris está cara, ou segue caríssima, mas é aquela cidade em que você sai de manhã pra andar e só volta de noite de tanto admirá-la.

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Montmartre

Dessa vez, tive muitos dias na cidade e resolvi fazer algumas coisas que eu ainda não havia feito. E destaquei algumas das que me marcaram mais.

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Centro Georges Pompidou

Fui a Montmartre e almocei num restaurante delicioso. que eu infelizmente não me lembro o nome. Saberia até reconhecer pessoalmente – tentei agora pelo google maps – mas não consegui. De lá, desci andando em caracol em direção ao Marais, o antigo bairro judaico que já foi pobre, mas hoje é talvez a região que mais ferve culturalmente em Paris. É lá que está o Centro Cultural Georges Pompidou, que tem exposições de arte moderna e contemporânea, além de restaurantes. O local é uma atração já pelo prédio em si Vi uma exposição farta do Mike Kelley e do Roy Lichtenstein.

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De lá, cruzando a Pont des Arts, em que muitos apaixonados colocam seus caderninhos, cheguei a um dos museus mais bizarros e interessantes de país, em Saint Germain de Prés. O Museu da Escola de Medicina tem um acervo aflitivo de instrumentos utilizados para amputar, fazer exames, retirar pedras dos rins… Tudo numa época em que a anestesia muitas vezes era um trago de bebida alcoólica.

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Exame ginecológico

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Isso entrava pela uretra e retirava as pedras que estão expostas ao lado da ferramenta

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Kit de amputação

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Foi também na Rive Gauche que visitei o museu Rodin, que vale muito pelo passeio no jardim. As obras do mestre modernista da escultura contemporâneo dos pintores tão celebrados que romperam com a história da pintura na virada do século XIX para o XX. Rodin fazia o mesmo trabalho com a escultura, quando  entendia que a ideia da forma poderia ser mais importante que a representação fidedigna.

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Dois lugares para comer são muito legais na Rive Gauche: o primeiro é pra quem, como eu, adora foie gras, apesar de saber do método cruel de preparo da iguaria. Um é o Comptoir de la Gastronomia, onde comi um ravioli de foie gras com molho branco.

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Outro é uma rede que está em vários locais da cidade, mas é muito boa pra quem gosta de mexilhão: o Leon de Bruxelles, que não tem em Bruxelas 😛 E lá comi meu prato de mexilhão com molho de tomate queijo.

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A Monalisa

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Repare em alguns aspectos interessantes deste quadro. O primeiro é que muito se suspeita da não- existência da Gioconda, a musa retratada. Atribuiu-se ao próprio Leonardo  Da Vinci esta que seria a sua versão em forma de mulher, o que já questiona o papel de alguém que posa para a pintura em si ou pede a um artista para retratá-lo coerentemente. Ou seja: um retrato, para existir, precisa ser concebido antes mentalmente para depois ser passado para o papel. E o que vemos com a Monalisa é que o retrato não necessariamente irá retratar alguém que seja real.

Outros aspectos interessantes da Monalisa são sua noção de tridimensionalidade. Repare o canto direito e no canto esquerdo do quadro. Eles estão propositalmente desalinhados para que a cada canto que se direcionar o olhar se tenha uma diferente perspectiva da boca. A Monalisa pode estar sorrindo ou pode estar séria, dependendo de seu olhar. E como Da Vinci consegue esse efeito na boca? Esfumaçando seus cantos, conforme podemos ver.

Por que essa é uma das pinturas mais importantes e a mais famosa da História? Porque iniciava o processo de discussão da Arte como algo mental. Incluía a pintura no hall das “artes” ou da Arte. E definitivamente  com o Renascimento e a  valorização da burguesia e da acumulação individual de dinheiro, a individualidade assumia o início de sua história bem sucedidade.

O ápice da manifestação individual, a arte, poderia agora ser materializada e, diferente da Música, da Matemática e da Filosofia, poderia ser adquirida mediante dinheiro. E assim se iniciava um período de quase 5 séculos de arte considerada uma materialização do pensamento do artista, tendo a pintura e a escultura com patrocínio burguês turbinando sua ascendência e consolidando o que passaríamos a chamar de Arte Formalista.

Bogotá – Dia 1- COLÔMBIA

Bogotá já foi um lugar a ser evitado. Hoje, é uma das cidades mais legais da América do Sul.

Gigante, você pode e deve percorrer apenas da zona norte até o centro. De Bogotá Sur em diante, o risco é seu. Por todo dia, todos reforçam: “puedes caminar bonito, con traquilidad”. À noite, evite o centro. E, de dia, evite a zona sul, que concentra a maior parte do pobreza e dos homicínios da megalópole colombiana.

Pra ficar num belo bairro residencial (Morato) e ser tratado com muito carinho e dedicação, recomendo o Hostal Bogotá Real. Se quer um hotel mais sofisticado, vá direto para a Zona Rosa. É lá também que você pode terminar seus fins de tarde, circulando em uma área grande que reúne shoppings, lojas, cafés, bares, todos interligados e festivos. Algo similar aos Jardins, em São Paulo.

O transporte pela cidade deve ser feito pelo Trânsmilênio, sistema semelhante ao metrô, porém feito com ônibus articulados (brasileiros, inclusive) que te levam de norte a sul da cidade, e de leste a oeste com segurança e rapidez. A exemplo do México ou de qualquer metrópole latino-americana, o transporte público é mais seguro do que os táxis. Sim, em Bogotá é recomendável não pegar o primeiro táxi que aparecer na rua, apesar do preço ser tentador. Se estiver cansado, entre num hotel ou num restaurante e peça para chamarem um pra você.

Mas o passeio em Bogotá deve começar mesmo pela parte mais bonita e histórica da cidade: a Candelária. É lá que se localizam o Museu Botero (que não é grande, mas é interessante), o Museu do Ouro, com a maior coleção de ouro pré-colombiana do mundo (belíssimo), a rua das joalherias e a praça central do poder, que é o lugar mais seguro do país.

Na praça do palácio Nariño, sede do poder executivo, estão também o poder legislativo (num palácio em estilo napoleônico) e o poder judiciário, além da Igreja, que até a década de 90 apitava na Lei colombiana.

O céu cinza constante da cidade e temperatura baixa o ano inteiro fazem o clima ficar quase sempre soturno. Dá até um pouco de medo, levando em conta toda a história violenta que já caracterizou a Colômbia e faz parte de nosso imaginário. Mas rapidamente você se acostuma com o local onde está. E com a altura, que dá um pouco de dor de cabeça no primeiro dia. Afinal, Bogotá é uma das cidades mais altas do mundo, localizada a 2.600m acima do nível do mar, em plena Cordilheira dos Andes.

Para comer, Bogotá tem ótimas opções. Você pode pedir o ajiaco, prato típico colombiano, em qualquer lugar que tiver oportunidade.

Mas são destaques na cidade três redes que garantem alta qualidade no que servem: Café Juan Valdez, Crepes n Waffles e Corral Hamburguesas.Se você faz uma conexão em Bogotá, pode experimentar qualquer uma delas no próprio aeroporto. Na cidade, estão espalhadas em vários bairros, inclusive nos shoppings e nos museus.

A colombiana Crepes and Waffles finalmente desembarcou no Brasil. O que tem de legal a Crepes and Waffles além de crepes, waffles, sopas e sorvetes maravilhosos? Sua missão e seus valores. A rede tem em sua maioria funcionárias mulheres, quase todas mães de família, que têm papel ativo na economia do lar. Ou seja: na visão da empresa, devem valorizar o trabalho, a produção cuidadosa dos alimentos e o modo de servir.

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De entrada, sugiro o Elixir. É um suco de amêndoas com maçã verde, uva verde e uva roxa.

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Pode ir também direto na salada mediterrânea, fartamente servida com camarões, lulas, azeitonas, folhas e molho pesto + mostarda.
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A sobremesa era o melhor. É muita opção e você pode pedir o cardápio com fotos para ajudar a escolher. Para ajudar mais ainda, vá até o balcão experimentar os sorvetes que acompanhavam os crepes ou waffles. Experimente o inigualável sorvete de amêndoas com pedaços de amêndoas ou o de laranja, aguado e refrescante.

A El Corral alerta em seus sanduíches: aqui, um produto extremamente fresco. Consuma o quanto antes. E é verdade. Para quem gosta do formato, o deles é espetacular, seja nos fast foods espalhados ou ainda nas versões gourmet presentes em alguns endereços.

A fama do café colombiano é internacional graças um produto de qualidade (tão bom quanto o brasileiro) e um marketing mais eficiente que o nosso. Na Colômbia, a paixão pela bebida é mais sofisticada. Bogotá não é Roma nem Nova York, mas é dominada pela rede de cafés qualificados Juan Valdez. Inspirado na Starbucks – e principal empecilho de posicionamento para que a rede americana ingresse no país sulamericano -, o Juan Valdez tem expressos fortes, descafeinados, gelados, incrementados, além de doces e salgados deliciosos para acompanhar. Tudo num ambiente moderninho. Para arrematar, os cafés da rede estão espalhados pelos melhores endereços das principais cidades colombianas.

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Juan Valdez no Museo Botero, em Bogotá