Milão – Dia 2 – ITÁLIA

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Leonardo da Vinci, um milanês

O bairro de Brera, em Milão, dizem, é o bairro boêmio. Pra mim, é um bairro caro, mas é legal. Tem lojas sensacionais e tem a pinacoteca de Brera, que é programa obrigatório na cidade.

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Tem as obras dos mestres italianos e você ainda tem acesso à oficina de restauro, funcionando no mesmo prédio.

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Mas a tela que talvez seja a mais impressionante da cidade é a Santa Ceia, de Leonardo da Vinci, que está pintada na parede do refeitório da igreja de Santa Maria delle Grazie desde 1495, antes mesmo da chegada dos portugueses ao Brasil. Só são permitidas 200 pessoas ao dia, com horário controlado para ver o quadro por 15 minutos. Consegui comprar os tickets, ms você precisa acompanhar a abertura das novas levas diariamente para casar com a sua estadia na cidade. O site é este aqui: http://www.vivaticket.it/?op=cenacoloVinciano

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Um ponto interessante de Mião é que a estação de trem central de cidade conecta o melhor do norte da Itália e ainda te leva à Suíça. Então a metrópole é ótima para ser feita de hub. Acabei ficando num hotel em frente à estação, que também era perto do Corso Buenos Aires, cheio de lojas e bares que serviam o aperitivo: você compra qualquer bebida e pode servir-se à vontade nos bufês a partir das 17h. É comum no norte do país. E ainda estava perto do ótima e cara Osteria Cavalini.

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Comi por lá, mas confesso que meu gelatto de pistache sobre wafer no barzinho do lado me emocionou mais.

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Leonardo da Vinci

A Arte como primariamente a entendemos tem em princípio seu histórico como matéria digna de estudos, indagações, desdobramentos e debates habitualmente restrita aos mais abastados das civilizações do Ocidente.

Se pegarmos a Filosofia, por exemplo, era um assunto totalmente restrito as debates entre os homens na Grécia. A Matemática, que também pode ser considerada arte, tem seu berço nos ciclos de estudos e debates masculinos. A Música, que é a manifestação mais antiga e comum a todas as culturas humanas, também tem seus ciclos mais vivenciados e apreendidos em circuitos masculinos tal como a conhecemos ocidentalmente. Era o homem quem estava ligado ao dinheiro e ao poder na maioria das civilizações. E a ele era confiado o exercício intelectual de discutir as ciências, o conhecimento e a estética.

Mas, então, quando a arte como conhecemos hoje virou Arte?

Foi na Renascença. Antes, só eram consideradas arte a música e as ciências.

Para entrar no hall da Arte, um trabalho deveria, antes de tudo, ser algo que primeiro ocorresse na mente ao artista para depois se materializar. A Arte era intelecto acima de qualquer coisa. Por isso a escultura e a pintura, que tinham papéis ornamentais e de retratar pessoas, não eram consideradas Arte. Eram apenas formas de representação de algo real, e nada tinha a ver com reflexões que mentalmente ocorriam.

De acordo com os livros de História da Arte, Leonardo da Vinci, de Florença, foi um dos primeiros artistas a questionar esta visão de que a arte era algo para ser muito intelectualizado. Questionou seguindo os próprios preceitos de tratamento sobre o que é arte. Da Vinci passou a discursar sobre a pintura como um trabalho que ocorria mentalmente antes de ser materializado. O processo da pintura era, então, o mesmo processo da Filosofia e da Música conforme entendiam na sua época. Foi por isso um gênio sem precedentes na História.

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Quando vamos ao Louvre e vemos 500 japoneses fotografando loucamente a mais famosa pintura do mundo, a Monalisa, de Da Vinci, talvez não tenhamos uma ideia da referência que ela dá à discussão do conceito arte. A Monalisa trabalha aspectos da pintura que foram antes predefinidos na mente do seu criador para depois serem passados para tela. Historicamente, a pintura, que sempre teve como característica o registro fotográfico ou ornamental, ganhou na visão de Da Vinci uma outra concepção: a Monalisa passava a ser uma nova realidade como significante (o objeto em si, que trazia novas experimentações) e como significado (ideia ou a mensagem por trás da imagem retratada).

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