Cidade do Cabo – Dia 2 – África do Sul

Antes de ir para a Cidade do Cabo, um amigo dizia:

– Vai subir a Table Mountain? A pé ou de cablecar, compre água e comida lá embaixo, que é mais barato.

Sugestão devidamente ignorada, subi a Table Mountain por volta das 16h30 para ter uma das visões mais bonitas da minha vida. Era verão na Cape Town, e como a cidade está no ponto mais sudoeste do continente africano, há mudanças climáticas mais severas que São Paulo. Num mesmo dia, chove, faz frio, nubla, faz calor, o céu fica azul, o céu fica cinza…

A montanha é tão alta, mas tão alta, que as nuvens que cobrem a cidade, em geral, chegam a engolindo e se posicionam por baixo dela. O resultado acaba sendo o seguinte:

Na face sul da montanha, conhecida como Os 12 Apóstolos pelos 12 cânions que apresenta (só depois quem nomeou viu que eram, na verdade, 17), há um café que, além de um bufê com comida sul-africana maravilhoso, serve tortas, doces e venda quitutes fabricados diretamente na África do Sul.

Do bufê, você combina as saladas com carnes de boi e frango temperadas com sabores de inspiração claramente indiana, coisa típica na África do Sul pela posição do país entre os oceanos Atlântico e Índico. De sobremesa, acompanham o chá, hábito incorporado desde os tempos de colonização britânica, tortas, cookies e, especialmente, muffins – esses, comuns em qualquer birosca sul-africana e clássicos no café-da-manhã. Exija no café do seu hotel. Os muffins são tão comuns que qualquer loja de utensílio de cozinha vende forma para fabricá-los. São as mesmas formas que, nos Estados Unidos, são vendidas para a fabricação de cupcakes.

Ainda no café do alto da montanha, de onde você se serve para comer ao ar livre, há displays com pacotes de petiscos, iguarias e snacks preparados pela Treat Company.

Não são baratos porque não usam conservantes e todos os ingredientes são assados e partem de grãos. Destaque para os inesquecíveis amendoins envolvidos com wasabi e os grãos torrados de café cobertos de chocolate branco. O preço dos produtos talvez seja mais caro por estamos no topo da Table Mountain. Só depois descobri que a Treat tem uma loja no bairro de Mowbray (79 Durban Road, Cape Town), onde os produtos podem ser degustados no local acompanhados de um café.

Mowbray fica nos arredores da Cidade do Cabo. E os arredores podem ser esticados se você contratar um motorista para te levar a três pontos interessantes.

O primeiro deles é o famoso Cabo da Boa Esperança. O parque é lindo e gigante. Cuidado só com os babuínos, que gostam de bolsas, podem entrar nos carros e roubar objetos. A cara de mau deles não engana.

No cabo, você pode almoçar num bom restaurante antes de fazer a trilha que te levar da parte de cima à parte debaixo do local em que Vasco da Gama dobrou para ir às Índias.

Bichos: onipresentes e sem cerimônias na África do Sul.

Bem próximo à estrada que leva ao Cabo está uma praia habitada por pinguins. Parecem estáticos tomando sol. Você pode aproximar-se mesmo deles, sentar bem ao lado que eles continuarão inabaláveis.

Os arredores da Cidade do Cabo ainda revelam mais surpresas. Um santuário de leões e leões brancos (há cerca de 300 no mundo) e um santuário de guepardos.

O leão branco é raro. É uma mutação do leão que habita o Parque Kruger, no outro extremo da África do Sul.

Você pode chegar perto, mas não muito. Tocar mesmo só nos filhos de leão comuns, ainda assim sob supervisão do zelador, pois há risco de ficar sem os dedos.

Bem próximo aos santuários, a cidade universitária de Stellenbosch merece uma visita. A arquitetura holandesa está presente em tudo e a cidade é segura, tranquila e cheia de lugares para almoçar ou tomar café.

De volta à Cidade do Cabo, se você quiser uma experiência gastronômica imperdível, vale ir ao restaurante Addis.

Você entra no restaurante e, em princípio, não se sente muito à vontade pelo formato das mesas, que não são mais que um grande cesto com bancos de madeira em volta.

O cardápio é simples de escolher, e tem opções de carne, frango, peixe e vegetais, todas temperadas de forma forte, principalmente se citarem como tempero o berbere (uma combinação de pimenta e outras ervas).

As porções são servidas dentro do cesto e chegam à mesa em cumbuquinhas dispostas em cima de um grande pão feito de farinha fermentada com água.

Não demora muito para que a garçonete despeje todo o conteúdo da cumbucas por cima do grande pão. Aí, é só pegar pedaços do pão para catar a comida e levá-la à boca. Não há talheres.

O Addis fica na famosa Long Street, rua do centro da cidade famosa por abrigar hotéis-butique, albergues, restaurantes e muita, mas muita festa.

Ao viajar para África do Sul, percebe-se o quanto o país recebe influência de outros estados africanos. Isso faz parte da filosofia afirmativa do governo do Congresso Nacional Africano, partido de Mandela e do atual presidente, Jacob Zuma. A influência acontece porque uma das ações afirmativas do CNA foi abrir o país a todos os africanos. Para entrar na África do Sul, você só precisa de sua identidade de qualquer país e africano. Como o país é a economia mais bem desenvolvida da região, apesar de 50% da população estar desempregada e quase metade também ser portadora do HIV, acaba atraindo povos de outras nações do continente.

As condições de vida na África do Sul, de fato, são melhores do que na Nigéria e no Zimbábue, países de onde veem seus principais imigrantes. Os nigerianos tocam o crime de seus quartéis na cidade de Soweto e dominam o tráfico de drogas na Long Street.

Basta caminhar pela rua que te oferecem droga a todo momento. A Long Street é interessante de dia. Há lojas de produtos africanos, coisas típicas de centro da cidade, bancos, restaurantes e hotéis boutique. À noite, lota de turistas, traficantes e prostitutas tão magras que descaram não estar se cuidando durante a evolução do HIV em seus corpos.

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