Jerusalém – Dia 1 – ISRAEL

Israel não é um país para principiantes. Se você viaja sozinho, prepare-se para o interrogatório sistemático e sem tréguas que vai sofrer antes de entrar no país. Sim, o interrogatório sobre seu destino, o porquê de viajar sozinho, o itinerário pelo Oriente Médio, a inspeção detalhada de sua bagagem de mão e a despachar acontecem no aeroporto de São Paulo ou em qualquer outro aeroporto do mundo por onde você for fazer conexão para voar pela El Al ou qualquer outra companhia que vá ou saia do país.

As autoridades de aeroportos israelenses vivem ao redor do mundo num esforço grande de minimizar qualquer ato de terrorismo aéreo. Falam perfeitamente a língua do país no qual residem e tendem a ser mais tolerantes com famílias.

Uma vez embarcado, sair do aeroporto de Ben Gurion, que atende praticamente todo o país, é até tarefa mais simples do que entrar nele.  Um olá, um simples carimbo no passaporte e, pronto, você está em Israel.

Meu primeiro destino foi Jerusalém, para onde você pode ir de maneira muito rápida e barata diretamente do aeroporto de Tel Aviv. Não pegue o trem, que é devagar. Basta ir ao guichê de informações e perguntar de onde saem os shuttles para Jerusalém. Uma vez informado, pague uma quantia moderada e em cerca de 40 minutos você está na terra sagrada, em frente ao seu hotel.

Jerusalém fica nas montanhas. Tida pelos israelenses como capital federal, não é reconhecida como tal pelos países membros da ONU. É só reparar que todas as embaixadas encontram-se em Tel Aviv.

A cidade é o epicentro de um conflito que não consigo vislumbrar quando poderá encerrar. Foi lá que os judeus construíram seu templo sagrado, destruído pelos gregos e novamente pelos romanos. Depois, durante a conquista do império otomano, o templo teve sua chance de ser reerguido quase aniquilada: os islâmicos acreditavam que exatamente no mesmo lugar onde foi construído o templo judeu o profeta Maomé, fundador do islamismo, subiu aos céus. Ali ao lado já havia sido construída a igreja do Santo Sepulcro, com uma  cúpula de presença marcante no visual da cidade.

Mas para homenagear seu profeta maior, o império muçulmano construiu a mesquita do Domo da Roca, com uma abóbada dourada.

O templo judeu como já foi antes de sua última destruição.

O interior do Domo da Roca: você só entra se for muçulmano.

Conclusão: para reerguer o templo judeu, teria que se destruir o Domo da Roca, pois ele está erguido acima do muro das lamentações, muro originalmente parte do grande templo judeu.

É nesse muro que judeus do mundo inteiro rezam, fazem pedidos, bar mitzvas e se emocionam. Homens à direita, mulheres à esquerda e você pode entrar e também admirar a fé.

Acima, para visitar o Domo, os horários são mais restritos. A visitação dura 3 horas por dia e não se pode entrar na mesquita sagrada, a não ser que você seja muçulmano. Isso ocorre desde que, em 2001, um judeu radical plantou uma bomba em seu interior.

Ambos os templos ficam dentro da Cidade Velha, quase um parque temático da fé. Atrás de seus muros, ela divide-se em 4 áreas: judaica, muçulmana, católica e armênia.

A região é fascinante e chega a ser divertido perder-se em seu interior. Foque no que interessa e você pode dispensar os guias que se oferecem para acompanhá-lo. Ir até o Santo Sepulcro é conhecer o local onde Jesus supostamente foi crucificado, tirado da cruz, enterrado e de onde ressuscitou.

A Basílica do Santo Sepulcro.

O local onde jesus foi enterrado.

Daqui, Jesus supostamente ressuscitou.

Ao atravessar a Via Dolorosa, esbarra-se em vários locais que contam o que ocorreu no trajeto de Cristo à sua morte. É possível ver atos de fé de gente de todo o mundo repetindo a trajetória e carregando a cruz, como este grupo de chineses.

Chegando à cidade armênia, há um restaurante de comida amêrnia típica interessante, gostosa e barata bem na porta de uma igreja cristã-ortodoxa, perto do ponto V (5) da Via Dolorosa. Sente-se, peça seus kebabs ou suas mussaka e aprecie o movimento.

A não ser que você seja extremamente religioso, não vale a pena hospedar-se dentro da Cidade Velha. A Jerusalém moderna é também interessante, mas é uma cidade extremamente tensa e circunspecta. Aos sábados e até mesmo às sextas após o almoço, tudo fecha por causa do shabat. Quem não fecha sofre pressão religiosa para fechar e raramente consegue manter o estabelecimento de pé. Então, para ir a Jerusalém, prefira de domingo a quinta-feira.

Perder-se na Cidade Velha é misterioso. Atravessamos o mercado muçulmano e praticamos o ato de pechinchar. São vendidas panelas para cozimento de carne até pulseiras com a bandeira do estado não-reconhecido da Palestina – prepare-se para explicar no aeroporto o porquê de ter comprado uma dessas pulseiras.

Encerre ou comece sua visita pelo castelo do Rei David, de onde terá uma visão fascinante da Cidade Velha e conhecerá a história de Jerusalém – vale muito a pena assistir ao filminho que conta sobre as guerras e as conquistas da cidade. Consegue ser imparcial, apesar de tudo.

Do lado de fora do portão de Jaffa, esconde-se um gigantesco shopping center onde você pode encerrar a noite. Acredite: vai ser um dos pontos de maior movimento da cidade, que vive devota ao turismo religioso e mantém-se discreta quando o assunto é diversão e compras.

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3 Respostas para “Jerusalém – Dia 1 – ISRAEL

  1. Perfeito!!!
    Anotei tudo!!!! em novembro estarei lah…

    obrigadoo!!!

  2. Leonardo,
    estou planejando uma viagem para egito/israel e jordania e achei seu blog no google. Estou com algumas duvidas se puder me ajudar agradeço: 1o pelo roteiro que estou planejando farei primeiro Israel e depois Jordania e depois Egito partindo de Amman p/ Cairo de avião em 1:30m, pois não achei nenhuma informação de como fazer de Israel p/ Egito via terrestre e não existem voos de tel aviv p/ cairo direto, todos tem conexão em algum lugar e leva mais de 9 horas. Qual roteiro vc seguir para se deslocar entre os paises? Vi seu post sobre Eliat p/ Petra vc sabe se consigo ir de Petra a Amman de onibus e qto tempo leva e qto custa?

    Obrigado

    • Thiago, eu fiz exatamente o que você fez. Eu fiz Israel e Cairo via Aman. A Jordânia é interessante. Você pode ir para Petra via Eliat, que é ao sul de Israel. Você vai de trem até Eilat e de lá compra um daytour – tem todo o esquema. Se você não quiser ir pra Eilat, que é um balneário cafona, você pode passar uma noite em Aman, ou mesmo duas, e de lá comprar um daytour para Petra. Aman é uma cidade relativamente sem graça. Peguei um taxista e fiz um tour – é uma opção para as suas horas de conexão.
      Prepare-se para muita interrogação nos aeroportos israelenses, principalmente se estiver indo sozinho. E prepare-se para sentir falta delas ao chega no Egito, onde a segurança é mais relaxada.

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