Cidade do Cabo – Dia 1- África do Sul

A Cidade do Cabo, na África do Sul, é famosa pela situação geográfica que agrada brasileiros. Tem montanha e tem mar. Lembra o Rio de Janeiro, mas é mais limpa, mais organizada e tem arquitetura, principalmente da parte nova da cidade, de dar banho na carioca.

Tem também problemas semelhantes ao Rio: favelas na periferia, drogas oferecidas abertamente a turistas, vans que faziam transporte público ilegal e tiveram de ser legalizadas, e trens que atendem todo o perímetro urbano, inclusive chegando às belas Stellenbosch (no interior) ou Fish Hoek (no litoral), mas que devem ser evitados por turistas pelo perigo que podem apresentar – leia-se assalto com direito a atirar pessoas para fora do trem.

A explicação para a administrável violência na cidade deriva da abertura política que o governo de Mandela deu às nações africanas. Para entrar na África do Sul, basta apresentar seu RG. Os sul-africanos pregam que os pivetes e os vendedores de drogas são nigerianos. Pode até ser, mas vai saber…

A história da Cidade do Cabo é marcada pela violência e pela exclusão social. Para conhecer logo a formação de uma das cidades mais lindas do mundo, pegue o ônibus vermelho de sightseeing da cidade. Você pode subir e descer quantas vezes quiser. É mais seguro do que os táxis, vans e ônibus e te dá um apanhado de toda a cidade.

Cape Town já foi mais apartada. O bairro de Bo Kaap, paralelo à longa “Long Street” é um dos berços multiculturais da cidade. Talvez o principal. Nele, mesquitas mostram o passado habitado por muçulmanos e, paralelamente, pelos negros que trabalhavam para os brancos na cidade.

Com o Apartheid, os negros, antes reclusos a Bo Kaap, tiveram que mudar-se para áreas mais afastadas da cidade. Vivendo próximo ao centro, longe dos principais bairros brancos (Sea Point e Camps Bay). Hoje, o Bo Kaap vive um hype que pouco tem a ver com sua história. Berço cultural, ainda é ocupado por galerias de arte e casas de artistas, mas não mais serve de residência à população que originalmente habitou o local. Ainda assim, é possível encontrar  casas e comércio que mais parecem com o que originalmente ocupou o lugar.

No Distrito 6, desde o fim do apartheid, a história é diferente. O governo proibiu que qualquer coisa fosse construída em cima do local de onde a população negra foi expulsa e afastada do convício com os brancos. Os terrenos hoje servem de memorial vivo para que o povo lembre do traço triste da história sul-africana.

Em clima totalmente diferentes, Camps Bay e Sea  Point sempre gozaram do luxo e da badalação. Sea Point é algo mais tangível para diversão e hospedagem. Apesar do vento constante, há uma piscina pública interessante perto da praia local e o pôr do sol é tão impressionante quanto a força do vento.

Camps Bay já tem aquele clima de gente bonita, paquera e muita curtição. É longe do que já de melhor na cidade e tem tudo mais caro. Enfim, é só passar por lá e tchau.

Qualquer passeio pela cidade pode começar ou terminar no Waterfront, um completo de shoppings, restaurantes, atrações turísticas, hotéis e residências que mudou a cara da Cidade do Cabo. É algo para deixar Puerto Madero, em Buenos Aires, babando.

Apesar de ser essencialmente turístico, o Waterkant tem um clima ótimo e tem restaurantes acessíveis. Entre o mais acessível de todos, está o Ocean Basket, rede sul-africana especializada em frutos do mar. Para facilitar, o cardápio ainda inclui fotos dos pratos que chegam à mesa dentro da frigideira em que foram preparados.

É ainda do Waterfront que partem diariamente pela manhã e pela tarde os barcos com destino a um dos pontos mais interessantes do país: a Robben Island, ilha que abrigou o presídio onde Nelson Mandela passou boa parte de sua vida, além de um hospital para leprosos.

O tour pela ilha conta a história da África do Sul e do fim do Apartheid. Entende-se porque Mandela até hoje proíbe que o fotografem com flash: nas minas debaixo do sol, a claridade era tanta que seus olhos ficaram eternamente feridos. Um dos momentos do passeio é apresentado por um ex-prisioneiro da ilha, que conta sobre o convício com Mandela e sobre o dia a dia na prisão.

A cela de Nelson Mandela continua lá intacta, do jeito que deixou ao sair.

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