Pequim – Dia 2 – China

Os hotéis até 4 estrelas na China têm mais ou menos as mesmas características. Têm privadas em vez da cova no chão, comum em banheiros de restaurantes e aeroportos. Têm café da manhã tipicamente chinês e um horrendo café ocidental. Têm chinelos e escovas de dentes nos quartos, com o cúmulo do absurdo de trocar ambos a cada passada da arrumadeira. E não têm nenhum canal internacional. Aliás, têm um: o CCTV estatal tem um noticiário exclusivamente em inglês.

Em Pequim, você pode fugir de tudo isso ficando nos hotéis de redes internacionais, principalmente os que estão no entorno da Rua Wangfujing. Ou, então, mergulhar de vez na experiência de se hospedar dentro de um legítimo hutong. No Citycourt hotel, a experiência tem preço ótimo, quartos confortáveis, porém pequenos, café da manhã ocidental caso queira (e é do bom), wifi nos quartos e staff que fala inglês de verdade.

O clima é de hostel, mas há banheiros individuais em cada quarto, ar-condicionado e toda mordomia, além de água à vontade. E o que é mais legal: você está num hutong de verdade. De manhã, ao sair para dirigir-se à Drum Tower Street (ou rua da Torre do Tambor ou Rua Gulou), você atravessa ruelas onde pessoas passeiam com cães, andam de bicicleta, vendem frutas e outras coisas, dão bom dia e cospem em tudo. Ou seja: algo pequinês de verdade.

O melhor ainda dessa área é que a rua Gulou é a Williamsburg pequinesa. Imagine aquela vibe nova-iorquina de jovens hipsters metidos com bandas, literatura e arte de rua? No entorno, lojas de designers locais, coisas para casa, instrumentos musicais, cafés e casas de chá moderninhas. Agora é só jogar um tempero chinês em tudo isso e aplicar o desconto que deixa os preços mais acessíveis que os EUA e, pronto, eis a Williamsburg pequinesa. Muitíssimo interessante o local. E é lá que você pode fazer compras de designers exclusivos da cidade.

A rua ainda culmina na Torre do Tambor, no centro de um dos complexos de hutongs mais turísticos da cidade. Repare que, no entorno da torre, há cafés e lojas com letreiros inglês. Isso denota a caracterização voltada para o turista ocidental que caminha pelo lugar, tirando um pouco da essência do hutong verdadeiro.

Há cada vez menos hutongs na cidade. Pequim é extremamente segura, mas não entre em qualquer hutong sozinho, principalmente os que não estão no entorno da Torre do Tambor ou da Torre do Sino. Há um passeio que te leva para almoçar numa casa dentro de um hutong. Muito interessante e comida deliciosa.

Lá você vai comer coisas ótimas.

Vai conhecer os animais de estimação – esse, no caso, é um grilo.

Vai entender o dia a dia.

E vai precisar ir até a rua para ir ao banheiro. Sim, os hutongs originais praticamente não têm banheiro dentro das casas. Para minimizar o mau odor, o governo instalou banheiros públicos não só nos hutongs mas em todas as ruas da capital. Só posso falar pelo banheiro masculino, onde os usuários ainda estão aprendendo a mirar o mictório – com direito a placas de orientação – mas ainda não estão acostumados a lavar as mãos.

Entre no clima, não tenha nojo. Certamente sua comida foi manipulada de forma pouco higiênica para padrões brasileiros. Lembre nesse momento que o povo chinês é extremamente saudável, magro, com baixíssimo índice de câncer e tudo vai dar certo.

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