Campos do Jordão – Dia 1 – São Paulo

Não existe definição mais pretensiosa pra cidade paulista de Campos do Jordão. Estação de inverno estadual, a cidade é famosa inclusive fora de SP e atraiu a vida inteira turistas petropolitanos como eu.

Há 20 anos frequento o local, sobretudo no inverno, quando se tem a sensação de inalar o ar devidamente gelado que alimenta a cidade. Nos postais pendurados nas bancas, vê-se períodos de neve e geada em Campos, dos quais nunca fiz parte. Mas o frio, realmente, é de doer os ossos, tornando um banho sem aquecedor no quarto do hotel algo inviável.

Nada disso justifica o fato de ter gente desfilando gola rolê combinada a casacos comprados em Buenos Aires. Cafonice tem limite, seja no bairro turístico de Capivari, seja na feirinha de malhas mais popular perto do teleférico, onde tem sempre uma gordinha de calça skinny se acabando num pacote de Cheetos. Vi gente até de luva.

Sim, Campos do Jordão é para todos os bolsos, mas é mais para os bolsos mais cheios de dinheiro. Dinheiro, nesse país, nunca foi sinônimo de bom gosto. E riqueza aqui, na maioria das vezes, está atrelada à pobreza de espírito, tanto que o lugar é o palco perfeito para ações promocionais de fabricantes de automóveis que acreditam que o local é ideal para exibição de lançamentos.

Durante o inverno, é comum ver na cidade os restaurantes nem tão populares assim optando pela horrenda fórmula de música ao vivo + comida cara e ruim. Músicos feios de doer podem tirar o apetite. Eles cantam clássicos como “Andanças” e coisa pior enquanto muita gente desfruta de um fondue de queijo semipronto engrossado na maizena.

A sensação da temporada continua sendo o restaurante Gato Gordo, onde uma pizza individual custa quase R$ 50,00 e a água Minalba, engarrafada a 6 km do estabelecimento, é vendida a R$ 6,00. Enganação tem limite e, se é pra pagar caro, foque nos velhos e óbvios restaurantes que estão na região há anos.

Davos fica instalado agradavelmente na parte de fora de um dos mais antigos shoppings de Campos do Jordão. É famoso pelo fondue e pela deliciosa raclete, mas durante o dia você pode comer risotos acompanhados de contra-filé por R$ 33,00.

Só Queijo também tem fama de anos pelo delicioso fondue de queijo. O restaurante, todo envidraçado, é caro, mas compensa na qualidade da comida.

Agora, quem ostenta o desejado “melhor do ano” da revista Veja é o merecido Le Foyer. Instalado na pousada que, na primeira página do site, avisa que NÃO ACEITA CRIANÇAS, o restaurante é um bistrô envidraçado com vista para o lindo jardim do local.

Dentro, a iluminação é à luz de velas e, nas paredes, quadros de cachorros imitando personalidades e autoridades históricas decoram o local. Nada disso teria muita graça se a comida, sobretudo os fondues de queijo e de chocolate, não fossem inesquecíveis.

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