Havana – Dia 1 – CUBA

Cuba é um dos destinos mais recomendados por mim – e por quem mais seria? É do tipo “vá o quanto antes”. Cuba é uma viagem no tempo, uma experiência. É irritante, chocante, barato e lindo.

A aventura começa pelo aeroporto. Se der sorte de ir pelo México e chegar no novo terminal do aeroporto internacional de Havana, você vai entrar mais rápido no clima. O terminal é um galpão quase rudimentar não fossem os aparelhos de ar-condionado instalados e a esteira rolante para bagagem. Os móveis são improvisados, há papéis e mais papéis para serem preenchidos, mas os estrangeiros são tratados com mais carinho que os cubanos que passaram um tempo fora. Rapidamente você vai ouvir um “welcome, sir” e passar batido pelas burocráticas declarações de alfândega,

O universo paralelo continua ali mesmo no aeroporto, onde turistas são obrigados a desde já adquirir a moeda CUC (cubanos convertibles). Não é a mesma moeda utilizada pela população local. Pelo CUC, tudo fica mais caro  para quem vem de fora, mas ainda assim é barato. Troque Euros por CUC e evite as taxas extras cobradas pelas trocas em dólares. E leve dinheiro em espécie, pois ATMs são raros em Cuba e eventualmente estão desligados ou engolem seu cartão – vi gente passando por isso.

Duas coisas são importantíssimas a se saber antes de trocar o dinheiro:

1. seus CUC só poderão ser trocados novamente por Euros ou dólares no aeroporto. Ou, então, nas loucas e longas filas de bancos de Cuba, ainda assim com muita má vontade. A Western Union faz a troca na Havana Vieja, cobrando taxas enormes. Nas casas de câmbio oficiais, você vai ouvir um “lo siento”.

2. confirme a taxa extra de saída do país, que deve ser paga em CUC e somente após a realização do check-in. Custa cerca de U$ 25,00, mas só pode ser paga com a moeda local. Sim, é conceitual.

Muitos cubanos oferecem quartos de sua residência para estrangeiros. Essa é uma das formas mais legais de se hospedar na cidade (recomendo muitíssimo a Casa de Fefita y Luis, um lindo apartamento em Havana, com vista linda no seu quarto, banheiro privado com água quente, ar condicionado e um café da manhã com histórias de Cuba.

Casa de Hospedaje  Fefita y Luis
Calle: Paseo del Prado (Paseo de Martí) # 20 entre Cárcel y San Lázaro.
Habana Vieja. 5to piso, apto B.
Teléfono: (53 7) 867-6433.
La Habana Vieja
fefitaluisster@gmail.com

Ao sair do aeroporto, você embarca na situação da ilha: tudo parado no tempo. Propaganda, só do Estado. Na maior parte das vezes, celebrando a revolução. Sim, ainda hoje Cuba vive na Guerra Fria.

Na periferia de Havana, uma mistura de sociedade rural com cidade pouco desenvolvida. Lojas pequenas, charretes, carros antigos, mas que já se misturam a alguns novos. Tudo parece estar à beira de ruir. Mas ao mesmo tempo tudo funciona. Mal, é verdade.

A melhor maneira de ter logo um overview da cidade é pegar o ônibus doubledeck vermelho que sai da praça quase em frente ao Capitólio. Suba para o segundo andar e tente ouvir o que a guia do ônibus apresenta. Apesar de ser o mesmo tipo de serviço prestado em cidades como Cape Town ou México DF, o turibus de Havana tem sistema de som precário e apresentação de citytour burocrática. Aliás, modo de vida burocrático é pertinente a quase tudo em Cuba. Não se zangue. Faz parte da diversão.

Quando o ônibus partir, NUNCA levante da cadeira para tirar foto. Você pode morrer eletrocutado a qualquer momento. Não levante os braços. Você vai percorrer a cidade inteira, ver as embaixadas, os prédios decrépitos, outros lindos, o Escritório de Interesses Especiais dos Estados Unidos (uma torre lacrada sinistra), o Circo Nacional, o Parque Municipal, o Aquário Nacional… Aliás, “nacional” é tudo em Cuba. Repare nos ministérios, quase engraçados aos nossos olhos. Ministério do Açúcar. Da Comunicação e da Informática. Da Indústria Nacional do Pão.

Praticamente todos os prédios públicos têm bandeiras de Cuba na janela. Aliás, todos os prédios são públicos. Todos os hotéis, com raras exceções, são controlados pelo Estado.

Findo o passeio, desça e comece a andar. É recomendável ver Havana como ela é antes do anoitecer. Dá medo, pois a cidade não tem muita luz. As pessoas moram da forma que dá nas casas distribuídas pelo governo. Se viram para arrumar um sustento extra. Vendem cafezinho. Souvenirs. Livros velhos.

Na Casa de Fefita, Josefa (Fefita), me explicava: receba eu turista ou não, tenho que pagar CUC 550,00 ao governo mensalmente. Quase 360 euros.

Se te perguntarem, não responda as horas na rua. É para saber se você fala castelhano. Vão te importunar, pedir dinheiro, presentes. Inclusive os oficiais do governo. Estão sempre pedindo propina (gorjeta). Finja que não entende a língua. Ou arrisque-se a interagir. Nada muito perigoso pode te acontecer.

Antes de ingressar na Habana Vieja, almoce na lendária Bodeguita Del Medio, bar que revelou o Mojito por ser muito frequentado pelo escritor Ernest Hemingway quando viveu em Havana. A comida não é incrível, mas é boa. Aliás, como quase toda comida em Cuba: boa, sem ser sensacional.

Num país que raciona comida, não dá para fazer grandes experimentos. Fritura é alto comum. E porco e pescado são amplamente consumidos. Peça seu arroz com feijão na bodeguita, uma porção de camarão e saia feliz. Experimente também a TuCola, versão de refrigerante de cola nacional. Se quiser Coca-Cola, Cuba também tem. Naturalmente, fabricada e importada do México. Afinal, os cubanos a amam.

E Cuba também já exportou modelo de negócio para o México. No caso, a própria Bodeguita, que abriu filial na turística e badalada Playa del Carmen, ao sul do país amigo.

Da Bodeguita, é só entrar em Habana Vieja, um conjunto de cerca de 20 ou 30 quarteirões lindamente restaurados, com gente bonita na rua, lojas nas quais os cubanos nunca poderão comprar, restaurantes frequentados somente por turistas e oficiais do governo, museus, galerias de arte e cafés.

Tudo muito bonito mesmo. Você sente ali a beleza que aquela cidade já teve antes de empobrecer com o arrefecimento da economia finda a Guerra Fria e as promessas da revolução.

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3 Respostas para “Havana – Dia 1 – CUBA

  1. Super bacana brother, estou indo pra lá em agosto e com certeza algumas dicas adquiridas aqui serão úteis. Valeu.

  2. Muito bacana! Vou passar 2 dias em Havana e peguei várias dicas suas! Obrigada e parabéns! É fácil comprar tickets para os ônibus double decks de lá?

    • Oi, Amanda,

      É muito fácil, pode comprar direto no ônibus. Se não, eles te indicam onde comprar. A compra de qualquer bilhete turístico em Cuba é uma experiência. Muitos papéis, muitos postos de vendas sme funcionário. Entre no clima. Boa viagem!

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