Cairo – Dia 1 – EGITO

Nem Nova York, nem Madri, nem São Paulo… As únicas duas cidades do mundo que conheci que realmente são 24h são Cairo e Alexandria.

No Cairo, a loucura das buzinas dos motoristas só ameniza na madrugada. Mas, ainda assim, alardeia forte. No final de 2010, os protestos do povo eram diferentes do que ocorreram em janeiro de 2011. Contra Mubarak, questionavam a lei que tentava impor às lojas do Cairo fechamento das portas às 20h. O governo cedeu e obrigou estabelecimentos a fecharem às 23h. É claro que a lei não pegou, já que o Egito tem um pouco de Brasil e o povo não respeita nada que é oficial. Conclusão: tudo aberto depois da meia-noite, com multidões nas ruas. E às 5h da manhã as mesquitas já convocam para rezar com auto-falantes instalados nas torres da cidade inteira. Acordei de madrugada achando tudo lindo.

O Cairo é sujo, monumental e gigantesco. Do aeroporto, você atravessa o elegante bairro de Heliópolis rumo ao centro, perto do Nilo. Ali mesmo na Praça Tahrir, famosa pelos protestos que derrubaram o ditador egípcio. Vá de táxi. É baratíssimo, seguro… Eles estão acostumados com os turistas ocidentais, ou westerns, como nos chamam.

Pouca gente sabe, mas Mubarak mantinha a ferro e fogo um regime que era ameno e pacífico com Israel, país que, na época de Nasser, perdeu – ou venceu, segundo os egípcios – a batalha em apoio à Síria pelas colinas de Golan. Mubarak era o executivo-máximo de um país com baixíssimo índice de civilidade – você vai facilmente perceber o que acontece ao tentar atravessar uma rua na faixa de pedestre – e que mantinha os principais setores da economia nas mãos do Estado. É gigante a improdutividade das indústrias estatais no Egito. Tem-se a sensação de estarmos vivendo no Brasil da décade de 80. Ainda assim, o país mantém um aeroporto internacional na sua capital que deixa no chinelo qualquer aeroporto brasileiro e suas linhas de trem, que cruzam o Egito de norte a sul, estão funcionando plenamente até hoje.

As pirâmides de Gizé, do outro lado do Nilo, bem em frente ao Cairo, são o ponto de maior interesse da região. Mas o centro da capital egípcia, ou o Cairo Islâmico  ou Medieval, esconde as joias de sua arquitetura. Mesquitas gigantes e escolas muçulmanas no centro histórico do Cairo permanecem abertos até tarde da noite, quando ganham uma iluminação especial. É um passeio que deve ser feito com calma para entrar em todos os templos e prédios públicos e admirar a beleza de cada um deles. É um conjunto arquitetônico importante e de tirar o fôlego. Logo dali, parta para o famoso bazar Khan El-Khalili, um aglomerado de lojinhas em ruelas estreitas que vendem de tudo. Pare em alguma delas, peça um chá de maçã e fume a shisha, ou narguile. É tradição no mundo árabe e em especial no Egito.

De tarde, para esperar a noite chegar, outro conjunto arquitetônico do Cairo que é obrigatório visitar é a cidadela. Trata-se de um castelo no topo da cidade, com uma das maiores mesquitas do mundo (há outra exatamente igual em Istambul). Dentro da cidadela, tem um passeio excelente pelo Museu Militar. O museu mostra a história mais recente do país, desde a ocupação otomana em 1516, passando pela ocupação britânica, que promoveu acordos com reis egípcios em prol da economia da Grã-Bretanha, até a revolução liderada por Nasser, que implementou o controverso sistema presidencialista do país, no qual o presidente tem mandato quase vitalício. Nasser foi famoso por ter sido um líder reconhecido na comunidade árabe, pois nacionalizou o canal de Suez, antes de domínio franco-britânico, e entrou numa guerra mal sucedida com Israel, que culminou com o reconhecimento do estado judaico pela primeira vez por um país árabe, o Egito.

Você vai descobrir que, para acelerar sua civilização nos moldes ocidentais, o país trocou na primeira metade do século XX grade parte de seu tesouro por relógios públicos e linhas de trem. É por isso que, hoje, além do que foi roubado pelos europeus, muito do legado histórico do Egito está nos museus da Europa. O museu tem várias área VIPs interditadas para visitantes comum. Não se irrite – faz parte da cultura de qualquer país de subdesenvolvido.

Abaixo da cidadela, duas das mais antigas e mais impressionantes mesquitas do Cairo podem ser visitadas a pé: El-Refai e Salah El-Deen. Dali, tome um táxi para a praça Tahrir, epicentro da cidade, para fazer duas coisas fundamentais:

1. almoçar num dos mais tradicionais restaurantes egípcios, o Felfela, no meio da Rua Talaa´t Harb, e comer um delicioso prato de fígado de galinha acompanhado de bolinho de falafel verde e pão sírio que você nunca mais vai ver igual. Aliás, arroz no Egito também é algo que vai te impressionar, não deixe de provar.

2. Visitar a Oum El Dounia, loja que vende todos os souvernirs que você não precisa comprar na sua viagem ao Egito com uma curadoria sofisticada. Você vai se surpreender. Pode deixar para comprar tudo aqui, pois a seleção é primorosa e os preços ainda são baixíssimos para brasileiros. Também fica na rua Talaa´t Harb, nº 3, 1º andar.

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