Jerusalém/Belém – ISRAEL

Belém

Não recomendada a israelenses ou americanos, a visita a Belém, partindo de Jerusalém, torna sua viagem à Terra Santa muito mais emocionante. Belém, na visão de Israel, está atualmente ocupada por palestinos, fazendo parte do West Bank ou a Cisjordânia, território onde está a Palestina, situado entre Israel e Jordânia.

Viajar à terra onde supostamente nasceu Jesus tem sua carga de emoção. E não é de religião que estou falando. Peguei um táxi na saída da Cidade Velha de Jerusalém, em frente ao Monte das Oliveiras (local onde Jesus foi capturado e entregue aos romanos).

Corremos 18km de carro e o taxista me disse: “prepare o passaporte. vamos ter que passar pelo checking”.

Meu passaporte estava no hotel, avisei. Ele disse que eu, entrando e saindo com ele, não teria problema. Desconfiei, mas fomos em frente.

Chegamos em um local em que tivemos que deixar o táxi e atravessar a pé. Me disse o taxista que, se eu estivesse de passaporte, poderíamos até ir de carro. Mas, como iríamos a pé, um carro já nos aguardava do outro lado.

Passamos por uma barreira semelhante a um presídio. O taxista me segurava e pedia para o guarda israelense, que não devia ter nem 18 anos (sim, em Israel, todos servem o exército por 2 anos a partir dos 16, incluindo mulheres. Cuidar das fronteiras é uma das atividades recorrente).  Passamos sem problemas e, do outro lado, uma espécie de boy palestino nos esperava num carro esportivo moderno.

Entramos e fomos diretamente a uma loja de souvenir onde um guia me levaria à igreja construída no local de nascimento de Cristo. Para lá fomos e de lá partimos para a igreja. Era dia 27 de dezembro, então Belém estava totalmente enfeitada para o Natal e lotada de cristãos, sejam eles católicos ou não. Sim, lá aprendi que o cristianismo tem 4 tradições, porém todas acreditam na Santíssima Trindade (o Pai, o Filho e o Espírito Santo). E cada uma das 4 tradições tem uma capela em Belém, formando uma imensa igreja.

Local onde supostamente Jesus nasceu.

Foi no mesmo passeio que comecei a entender melhor a situação palestina. Não têm moeda por não terem um Estado reconhecido. Nada tem taxa. Mas têm um departamento que cuida do trânsito, escolas e universidades. Não é simples de acompanhar. Lutam pelo reconhecimento de seu Estado e adoraram saber que eu era brasileiro. Sim, foi um alívio, porque por momentos me perguntava se eu estaria sendo sequestrado durante o tour.

Os muros que separam o West Bank do restante de Israel são enormes e tão feios quanto os de Berlim. Palestinos jogam bombas eventualmente para o outro lado e estendem bandeiras de protestos. Veem-se confinados, e precisam ir a Jerusalém quando, por exemplo, dependem de um hospital. Israel, que vê Belém como parte de seu território, entendeu que esta seria a melhor forma de cuidar do local: isolando e controlando as idas e vindas enquanto não se chega a um consenso sobre a situação do lugar. E o consenso parece estar longe de ser atingido.

Na fronteira, na volta, depois de todas as revistas, a cena era a seguinte: uma mulher, com algumas filhas, explicava para o guarda israelense que tinha autorização do governo para ir ao hospital em Jerusalém. Algo não estava de acordo para o guarda que cuidava da fronteira, e ele balançava a cabeça negando-lhe passagem, para o desespero dela, que começou a gritar. Ficava tensa a situação e o taxista que fez o tour comigo furou a fila – hábito comum em Israel – para avançarmos.

Deve ter explicado em árabe ou hebreu minha situação: sem passaporte fazendo um tour em Belém. Novamente, o guarda balançava a cabeça e tudo indicava que eu não voltaria para Jerusalém.

Pediram minha identidade, e passei minha CNH brasileira. No computador, nenhum registro meu. Percebia que o taxista e o guarda não se entendiam. Afinal, não era mais o mesmo guarda que estava por lá pela manhã. Uma luz me fez intervir e mostrar o cartão/chave do Jerusalém Gate, hotel em que eu estava hospedado na cidade, além de falar que sou brasileiro – isso abre portas! E abriu rapidamente. Alívio. Achei que ia ficar por lá.

Ou seja, se for visitar Belém, programa-se antes, porque vale a pena, mas leve seu passaporte.

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Uma resposta para “Jerusalém/Belém – ISRAEL

  1. ri muito do final …e juro que fiquei tenso……otima experiencia. estou indo pra la e peesquisando encontrei vc.

    jaja disponibilizarei o meu blog tb no meu website
    http://www.wlupi.com

    abraços

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